Refrigerante caseiro

11 de março de 2019
Os fermentados estão em alta. É inegável, né? Há um tempo atrás eu descobri o kefir de água e fiquei viciada. Tomava com limão de manhã, alimentava meus bichinhos diariamente com amor. Mas como qualquer relacionamento intenso demais, uma hora a gente acabou em crise. Comecei a me sentir sufocada pela obrigação de manter aquela colônia de bactérias vivas. Às vezes acordava atrasada, viajava por muitos dias, ou vivia a vida mesmo e esquecia do kefir.

Vivi a mesma relação abusiva com o kombucha. Pesquisei ideias de melhores sabores com os amigos, me inscrevi em mil grupos de doação porque achava que o mundo inteiro merecia viver ao lado do scoby. Achei que tinha descoberto o amor da minha vida. Mas uma hora comecei a ficar irritada com o ritmo acelerado da proliferação das colônias de bactérias. Passei a despejar todas as tarefas relacionadas ao preparo dos sucos fermentados nas costas do Lúcio e, claro, ele também foi cansando de manter essa chama acesa. 

Minha mãe começou essa história de amor junto comigo e continua vivendo um conto de fadas. Então eu confesso que adoro dar um pulo na casa dela e matar as saudades. Até porque beber kombucha em garrafinhas na rua se tornou mais caro que vinho tinto orgânico sem conservantes.

Poderia continuar sendo feliz e bem resolvida sem as bebidas fermentadas caseiras? Poderia. Só que tenho o péssimo vício em bebidas gasosas. Já fui viciada em guaraná, fanta uva e água tônica. Água com gás, então, só não nado numa piscina disso porque geraria muito lixo das garrafinhas. 

E acho importante também a gente não substituir a ingestão de água necessária pra manter nossos corpos em bom funcionando por outras coisas, principalmente se forem açucaradas. 

Não sou mais dependente emocionalmente de nenhuma bebida açucarada graças a Nossa Senhora do Equilíbrio Alimentar. Não bebo café, chás ou sucos com açúcar. Até que tomo refrigerante umas duas vezes por ano, mas é raríssimo. E recomendo que todos os seres humanos façam o mesmo! A gente já come açúcar demais no geral. É bom dar uma segurada, né?

Mas aí a minha musa inspiradora Carla, do @outracozinha, que é apenas a pessoa que melhor escreve sobre comida de toda a internet, jogou na roda a receita de uma bebida fermentada pra aproveitar umas jabuticabas. 

Que tal boicotar a Coca Cola e fazer o seu próprio refrigerante?

Fiquei chocada com a facilidade daquilo e tratei de replicar em casa segundos depois. Pra que? Fiquei completamente apaixonada mais uma vez. E o melhor de tudo é que não precisa ter a obrigação de cultivar nada. Você pode fazer a receita, ficar 4 meses sem repetir, e pronto. Liberdade total. 

Já testei de mil jeitos e com ingredientes bem diferentes: maçã com gengibre, manga com gengibre, jabuticaba, só hortelã, uva, ameixa, só de casca de abacaxi... O céu é o limite. A receita consiste em apenas juntar frutas que tão pra estragar (com seus caroços, cascas, sementes), juntar água e açúcar pra fermentar e virar gás!

Não tem uma medida exata de cada coisa. Citei aqui a receita aproximada da Carla, mas vai variar muito de acordo com a fruta e as tuas preferências. Se usar frutar mais azedas, precisa de mais açúcar. Mais doces, como uma manga bem madura, menos açúcar. Só não rola de reduzir muito a quantidade de açúcar ou não vai criar gás nenhum. 

Essa é uma ótima opção pra festas infantis, em substituição ao refrigerante, pra receber amigos, almoços de domingos, e tudo o mais. 

Ah! Quanto mais você deixar fermentando, mais vai criar gás e uma gradação alcoólica beeeem baixa, coisa muito inferir a 1%. Nada que seja significativo a ponto de fazer mal a crianças e grávidas, viu?

Fique atento ao passo a passo pra não explodir a sua casa! E aproveita!


Ingredientes 
⠂1 kg de frutas picadas que tiverem quase passando (usei ameixas pra essa versão da foto)
⠂1 xícara de açúcar de qualquer tipo (usei demerara)
⠂gengibre ralado ou folhas de hortelã a gosto (opcional) 
⠂1 litro de água

Como fazer
Passo 1: Se você escolher frutas que comemos picadas, como abacaxi, manga, maçã, é assim que você vai usá-las na receita. Frutas de chupar diretamente na boca, como jabuticaba, caju ou uva, você vai esmagar a polpa com as mãos. 

Essa versão é de maçã com ameixas.


Passo 2: Junte as frutas, a água e o açúcar num pote (de preferência de vidro) ou panela com tampa. Nem precisa misturar. A hortelã e o gengibre entram aqui também. Precisamos deixar um espaço considerável (em torno de 4 dedos de altura) entre a tampa e o líquido por conta do gás que vai se formar. 

Passo 3: Se você mora num lugar de calor escaldante, deixe esse líquido fechado em temperatura ambiente longe do sol por 24 horas. Se você mora num lugar de calor moderado, deixe por 48h. Se estiver numa região de frio intenso, deixe por 72h. 

Passo 4: Passado esse tempo, vamos coar esse líquido. Vai formar umas espuminhas, uma camada de uma substância esbranquiçada e exalar um cheiro um pouco ácido. É assim mesmo. Pode confiar. Com uma peneira, separe o resíduo das frutas do restante do líquido. Não tem muito o que fazer com as frutas que sobraram. Pode enterrar no vaso das plantinhas ou jogar na composteira.

É normal criar essa camada esbranquiçada, viu?

Passo 5: Agora você vai dividir esse líquido em garrafas (pequenas ou grandes) ou vidros tipo de palmito. Um funil ajuda a não sujar a cozinha inteira nessa hora. Respeite a distância entre o líquido e a tampa novamente. Pelo menos 4 dedos. Nessa etapa, vai formar ainda mais gás. Ah! É importante usar garrafas que estejam esterilizadas. Basta fervê-las por alguns minutos numa panela. 

Passo 6: Deixe as garrafas fazendo a segunda fermentação em algum lugar da cozinha que esteja longe do sol e do forno/fogão por mais 24 horas.

Não esqueça de deixar um espaço bom entre o líquido e a tampa.

Passo 7: Agora é só colocar na geladeira pra gelar bem e pode se esbaldar.

Atenção: NÃO SONHE em chacolhar as garrafas antes de abrir, hein? E tire a tampa bem devagar. Se tiver ameaçando jorrar o mundo em espuma pra fora, faça esse processo bem aos poucos. 

Atenção 2: Se for transportar essas garrafas em ambientes de grande movimento, como carro, ônibus e tal, deixe um espaço ainda maior entre o líquido e a tampa na hora de engarrafar. O sacolejar do transporte pode fazer as garrafas explodirem. Tome cuidado. 

Ah! E esse processo de fermentação também garante bactérias maravilhosas pro nosso intestino! :)

Olha o gás aí, minha gente



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6 comentários:

  1. Surtei aqui! Rumo à liberdade, sem dependência dessa indústria que envenena e mata!
    Valeu, Ju!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Pensei que só eu me sentia refém do kefir e kombucha (apesar de amar kombucha), amo fermentados, vou testar logo essa receita

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  4. Posse ser com adoçante? ?
    Pode ser qualquer fruta? ?
    A fruta pode estar fresquinha? ?

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