Patê de feijão com alecrim - R$ 2,49

31 de outubro de 2018
Homus de grão de bico. A gente vem sentindo um aumento no número de pessoas veganas nesse país, como também de intolerantes à lactose ou de gente que reduz laticínios pra emagrecer. Certo? Ou sou só eu? Esse movimento pode ter causado, na minha humilde opinião, uma popularização súbita do homus. É chuva da pastinha a base de grão de bico em feiras, eventos, restaurantes, perfis do Instagram way of life. 

Mas pensa aqui comigo. Será que faz sentido massificar o homus, por mais delicioso e incrível que seja? Faz sentido investir em taaaantas receitas a base de grão de bico se não produzimos essa leguminosa no Brasil? Ok, já tem uns produtores começando a cultivar e vender por aí. Mas ainda não é nada expressivo. 

E sabe uma coisa que tem bastante por aqui, de Roraima ao Rio Grande do Sul, e que também serve pra fazer pastinhas? E que também tem bastante ferro e proteína? Feijão. O Brasil produz, pelo menos, 14 tipos de feijões comercializáveis. 14 tipos. Não é nem um, nem dois. São 14. Por que diabos a gente tá se entupindo de grão de bico então, consagrados?

Além disso, é mais caro. Estamos desperdiçando dinheiro mesmo por causa de modismos. Em Floripa não encontro grão de bico por menos de R$ 14 o quilo. Enquanto os feijões branco, preto, carioca, mulatinho, fradinho, etc, não passam de R$ 8 o quilo. 

É uma questão de sustentabilidade, inclusive. Consumir o que dá no nosso quintal significa menos combustível queimado pra distribuir comida por aí. 

É uma questão de valorizar a nossa identidade alimentar também, de pertencimento, de nos reconhecermos enquanto brasileiros. Mas olha. Não precisa me odiar. Esse não é um texto pra fazer você sentir culpa por comer grão de bico ou proibir o consumo de homus. Eu adoro provar umas comidas diferentes, de outras culturas, inclusive. Mas não podemos transformá-las na base da nossa alimentação, entende? Comida saudável é comida local!

Menos pizza, sushi e homus, por favor! Mais feijão, arroz e farofa! 

Sim, eu virei a cesta de pão do avesso só pra usar esse xadrez maravilhoso na foto. Sou cafona! Aguente.

E como ode de amor à Vossa Majestade Feijão Branco, trago em poucos minutos a receita maravilhosa de hoje. Eu gosto de insistir no feijão branco. Pouca gente conhece, os restaurantes servem pouco, mas ele é barato, produzido aqui, e merecia ocupar mais espaço no nosso estômago.

Pra mim, é o feijão perfeito para hambúrguer, patês e bolinhos porque ele é bem massudo. Quando a gente processa, deixa qualquer massa bem cremosa e suave. Também uso pra fazer omelete, receita aqui, e saladas. Pra temperar, o feijão branco combina muito com sálvia ou alecrim frescos, berinjela, tomate, azeitona. Também gosto de fazer um refogado de legumes com ele, mais gengibre, curry e leite de coco. Um delicioso acordo alimentício do Brasil com a Índia. 

Só um último adendo. Essa receita foi inspirada no patê de feijão branco com alecrim e castanha de caju da minha musa inspiradora, ídola, ícone, rainha, mestra dos magos, Sandra Guimarães, do blog Papa Capim. Amei a ideia da Sandra, mas queria baratear a receita. Então tirei a castanha de caju e incluí a semente de girassol. 

Mas preferi a versão torrada, que fica beeem mais saborosa. Também fiz sem alho, ao contrário da Sandra, porque tenho comido alho em tudo, acho melhor dar uma segurada. As últimas mudanças que fiz foi tirar a pimenta do reino e incluir o alecrim na hora de bater. É isso! Sandra, muito obrigada por me apresentar a maravilha que é a combinação de feijão branco com alecrim. Não esquecerei dessa dupla jamais. E se você não conhece essa mulher, o blog e o trabalho dela, corre pro link aí de cima. 

Ingredientes
⠂1 xícara de feijão branco cozido (lembra de deixar de molho por 24h antes de cozinhar!)
⠂1/2 xícara de semente de girassol sem casca
⠂1 ramo de alecrim fresco
⠂1 limão grande
⠂5 colheres de sopa de azeite
⠂1/3 de xícara de água
⠂1 colher de café de sal 

Como eu fiz
Como meu processador não é dos melhores, cozinhei bem o feijão branco, por 20 minutos na pressão, pra ele ficar bem molinho e homogêneo na pastinha. Numa frigideira, joguei a semente de girassol e esperei ficar moreninha. Essa "torra" a jato vai dar um gostinho esperto pra pastinha. Despejei as sementes de girassol no processador e bati até virar uma farofa. Se o seu processador for bom, não precisa fazer isso antes. Pode bater as sementes junto com os ingredientes todos. Se for podre como o meu ou se for um liquidificador normal, bate a semente de girassol antes ou ela vai ficar pedaçuda demais no patê. Enquanto isso, coloquei o azeite na frigideira e o ramo de alecrim. Com o fogo baixo, dei uma leve fritada nos ramos de alecrim por uns 3 minutos. Depois disso, despejei o feijão, o azeite, o alecrim (sem o caule, só as folhas), o sal, o limão e água no processador e bati. Pronto. 

Observação: Servir frio, depois de pelo menos 1h na geladeira. Dura cerca de uma semana num pote bem fechado. 

Observação 2: Por favor, nada de jogar o alecrim cru no processador, viu? Vai ficar super forte e roubar o sabor de tudo. O tchan dessa receita está justamente no sabor delicado do alecrim. 

Sementes de girassol ainda cruas.

Já torradas. 

Nunca imaginei que viveria pra grelhar alecrim. 

Pronto. Patê delicioso, brasileiro, perfeito pra comer com torradas, pães, palitos de cenoura, nachos, panqueca, arepas. Se acompanhar uma cervejinha então...

2 comentários:

  1. Oi, Juliana! Eu fiz essa receita hoje (só acrescentei uns 4 dentes de alho cozidos, porque sou a louca do alho) pra passar na minha aveioca de todo os dias e olha... ficou SUBLIME! Coloquei cebolinha picada e tomatinhos cereja por cima. Honestamente, eu comeria em todas as refeições possíveis, hahahaha.
    Obrigada pelas receitas incríveis! :)

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  2. Se quiser fazer uma postagem falando sobre as características de cada feijão, eu iria adorar! :D
    Tem uns que eu só vejo em salada, e fico aqui pensando se serve pra comer com o caldo, no clássico prato com arroz... ou se os qie costumamos comer com arroz também servem pra salada, e pra todos esses outros preparos menos comuns (patê, hambúrguer, bolinhos, etc)

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