Minha família não come vegetais!

25 de julho de 2018
Socorro. Recebo muitas mensagens de gente pedindo socorro porque alguém da família vive uma vida a base de lasanha congelada e não suporta nenhum tipo de vegetal. Também recebo muitos depoimentos de pessoas desesperadas porque os pais e irmãos consomem carne demais e não aceitam qualquer prato a base de legumes.

Achei esse tema tão pertinente e complexo que busquei a orientação da nossa nutricionista parceira do blog, a Débora Bottega. E a Débora destacou algo super importante: há casos que precisam ser acompanhados por um psicólogo ou, ainda, uma equipe interdisciplinar da área da saúde. Se a pessoa for resistente a qualquer tipo de mudança, não só na alimentação, não basta ir atrás de um nutricionista.

Mas antes de chegar nas questões que pedi pra Débora responder, gostaria de fazer um relato meu, já que sou um grande exemplo de transformação alimentar.

Minha casa sempre foi cheia de frutas e legumes, mas isso não me impediu de ter pavor de tudo o que fosse verde. Passei a infância comendo pouquíssimas frutas. Só encarava a sopa de legumes se fosse lisinha, com tudo batido no liquidificador. Tive até uma fase de não comer feijão. E me atracava em miojo, hambúrguer, nescau, balas, bolachas recheadas, nuggets.

Só fui descobrir que sabor tinha uma rúcula já adulta, na universidade. Senti vergonha por meus amigos comerem salada e eu não. Comecei a ver as atrizes famosas comendo legumes nos filmes e novelas e achei chique, queria aquilo pra mim também. E aí fui mudando. Saí de casa e passei a ir pra cozinha com mais frequência como forma de economizar dinheiro mesmo. Também ficava preocupada, pensando que não podia ficar doente estando a quase mil quilômetros de distância dos meus pais. Então deveria comer coisas saudáveis. Aí foi uma mistura de começar a ler, estudar, namorar um vegetariano, ter um primo viciado em livros sobre saúde, descobrir que minha mãe fazia uma berinjela maravilhosa, que eu podia matar as saudades de casa comendo tangerina. E cá estou eu, dormindo abraçada até com o jiló.

Então, se eu puder dar uma dica é: o maior gatilho pra mudança alimentar é a comida saborosa e bons exemplos por perto. Exemplos de pessoas que você admira. Ninguém vai mudar o paladar comendo aquele brócolis mole e sem sabor do restaurante a quilo.

Chame a família pra ir fazer as compras, preparar a comida, faça apresentações coloridas, tente versões mais saudáveis de pratos que a pessoa já goste. Meu primo Bernardo, de 12 anos, por exemplo, não morreu quando veio passar férias aqui na minha casa. Ele tem pavor de tudo o que é legume, mas comeu 4 hambúrgueres de berinjela de uma vez, amou o espaguete com molho branco de semente de girassol, me ajudou a fazer um risoto de beterraba e também devorou o prato. Não precisei de nenhum feitiço. Perguntei o que ele mais gostava de comer e adaptei. 

Risoto de beterraba do meu primo Bernardo, que costuma ter pavor de legumes. 


Outra dica é fazer versões caseiras de produtos industrializados, que não chegam a ser saudáveis, mas pelo menos não têm conservantes ou açúcar demais. Aqui no blog tem receita de achocolatado, ovomaltine, leite condensado e catchup caseiros. 

Também recomendo outras receitas daqui que podem ser mais facilmente aceitas por quem não está acostumado com vegetais: empadinhas, hambúrguer de berinjela, bolinhos de banana, tortinhas de maçã, pães de batata, arepa de milho e batapioca

Então vamos lá! Segue abaixo as dicas e orientações primorosas da nutricionista Débora Bottega sobre o assunto:

De onde vem essa dificuldade em ter uma alimentação mais saudável e comer vegetais que muitas pessoas têm?
Hábitos alimentares são complexos e formados ao longo de anos. Mudá-los pode se revelar extremamente simples para algumas pessoas, como se uma luzinha se acendesse. Para outras pessoas esse momento não chega e pode dar a sensação que é falta de força de vontade, muito mimimi. Porém, não cabe a mim, a qualquer profissional da saúde ou a você julgar, cabe dar apoio para quem quiser e da forma que a pessoa puder. 

 A formação dos hábitos alimentares começa na barriga da mãe. O sabor dos alimentos que a gestante consome e também a variedade desses sabores vai influenciar a formação de paladar da criança, tanto na gestação como durante o aleitamento materno. Depois disso, a introdução alimentar é fundamental. Hábitos formados durante a infância serão levados para a vida, tanto pela questão do sabor desses alimentos, do desenvolvimento da saciedade, como dos sentimentos envolvidos. 

Exemplos: aqueles que na infância recebiam os legumes liquidificados e tudo misturado, recebiam sim os nutrientes, mas não se acostumaram com o sabor, o aroma e a textura de cada um deles; alimentos forçados também são clássicos. Quem não conhece uma história de alguém que era forçado a comer determinado alimento ou comia para ganhar um prêmio? Se não comer a verdura não ganha a sobremesa... Acho que esses são os campeões de resistência. A questão econômica também pode estar envolvida. A pessoa que na infância só podia tomar refrigerante ou comer chocolate em ocasiões especiais porque os pais não tinham condição financeira de comprar, pode associar o consumo desses alimentos a momentos especiais na vida adulta ou ao seu próprio sucesso financeiro.

Nem sempre podemos identificar o motivo de uma pessoa ter dificuldade de introduzir novos alimentos e isso nem é o mais importante, mais importante é não julgar e saber que forçar ou achar que é frescura não vai auxiliar em um processo de mudança da alimentação. 

Enquanto nutricionista, achas que há formas de sensibilização e conscientização que podem ser eficazes nesses casos?
A sensibilização e conscientização podem auxiliar nesse processo, principalmente quando a decisão de mudar parte da própria pessoa. Existe, claro, uma tendência de pessoas próximas terem hábitos alimentares parecidos. Se dentro de uma família que todos comem muitos alimentos ultraprocessados um integrante quiser mudar, vai ser difícil convencer a maioria. Mas a persistência e o próprio exemplo provavelmente vão influenciar de forma positiva nas escolhas alimentares dos demais de forma natural.

Manter em casa alimentos saudáveis e consumi-los pode ser, nestes casos, uma das melhores formas de sensibilização. Recusar um fast food que todos estão consumindo sem críticas pode ter um impacto muito maior do que um discurso.


Enquanto nutricionista, acredito que a introdução de alimentos e o resgate de hábitos saudáveis são o começo, não na forma de cobrança, mas de forma prática, conhecendo a rotina da pessoa e auxiliando-a a descobrir formas disso acontecer.

Normalmente o que melhor funciona são as ideias que vieram da própria pessoa, não de mim. Estou ali para tirar suas dúvidas, ajudar a pessoa a entender algumas combinações e conceitos importantes para que ela própria tenha capacidade de decidir sua alimentação. A construção desses caminhos é mais eficaz do que a dieta perfeita que na verdade não existe e nunca dura. Quanto aos alimentos que de fato precisam ser limitados, gosto de trabalhar para encontrar um equilíbrio e ajudar a pessoa a identificar de que forma eles estão prejudicando sua saúde. Tem alimentos que nos deixam pesado, estufados, com dor de cabeça, refluxo, etc. Quando conseguimos associar o consumo de determinado alimento a uma consequência dessas, naturalmente o desejo por este alimento diminui, enquanto na proibição é mais comum o desejo aumentar. 

Algumas pessoas são resistentes não só a mudanças na alimentação, mas a mudanças em geral na sua vida, nestes e em muitos outros casos é possível que existam outros processos envolvidos e o acompanhamento psicológico se torna fundamental. Nutricionista e psicólogo são profissionais que acredito que, no mínimo, uma vez na vida todos deveriam ir.

Tens dicas de como introduzir novos alimentos e sabores?

Cozinhar é uma ótima forma. Quem cozinha acaba sendo mais aberto a experimentar. Reeducar o paladar é essencial. Para quem quer introduzir mais frutas na alimentação, diminuir o consumo de alimentos adoçados, sejam com açúcar ou adoçante, pode abrir caminho para entrada delas. Também recomendo experimentar diferentes formas de preparo e combinações, caprichar na apresentação, trocar ideais e experiências com pessoas que estejam passando pelo mesmo processo..

No caso das crianças, por exemplo, há dicas mais específicas que podem ajudar os pais a incluir alimentos mais saudáveis no cardápio?

Para as crianças, sem dúvida, o mais importante é o exemplo. Exemplo dos pais e de outras crianças da mesma idade. Quando mesmo assim houver resistência, recomendo levar a feiras, colocá-las para auxiliar na cozinha em receitas, na higienização das frutas e verduras. Também é importante não fazer chantagem. Outro ponto importante é oferecer à criança a alimentação da família. Não é interessante fazer preparações diferentes nem substituir refeições por lanches ou outros alimentos. Quando a criança perceber vai ganhar bolacha se não almoçar, provavelmente ela vai querer isso sempre e cada refeição vai ser uma briga.

Que estratégias tendem a ser pouco eficazes no geral?


Acredito que forçar pode aumentar a resistência. Da mesma forma: ameaçar, fazer chantagem, ofender ou diminuir alguém pelos seus hábitos. Lembrando que estimular e persistir é diferente de forçar. Uma criança pode precisar ser exposta dez vezes a um mesmo alimento para aceitá-lo. Se uma criança, sem vícios alimentares precisa dessas dez vezes, imagina um adulto!? Então para quem quer melhorar a alimentação e introduzir novos alimentos, saiba que o paladar pode mudar ao longo do tempo sim.

Omelete de feijão - R$ 0,76

16 de julho de 2018
Vivi uma vida a base de omelete, mas parei de comer ovo antes de me tornar vegana por questões de paladar mesmo. Comi um ovo cozido com gela mole há uns meses atrás e aquilo me revirou o estômago. Desde então, larguei dele. 

Por mais que o ovo seja um alimento democrático, fácil de encontrar e muito barato, há uma grande desigualdade aí. As pessoas mais abastadas conseguem pagar R$ 15 numa dúzia de ovos orgânicos caipiras, enquanto a maior parte da população faz omelete, bolos e fritadas com ovo de granja, que veio de uma galinha alimentada com milho e soja transgênicos, criada em condições insalubres e desumanas. Não acho que essa situação seja justa, tampouco acho viável a possibilidade de criar galinhas soltas pra alimentar 212 milhões de brasileiros. 

Por isso, tenho investido em receitas sem ovos, que sejam democráticas e saborosas. Já vi muita gente fazendo o tal omelete de grão de bico ou grãomelete. É basicamente uma panqueca feita com a farinha de grão de bico ou a leguminosa cozida, que leva água e uns temperos. Nunca fiz, porque tenho comprado pouco grão de bico, mas dizem que é maravilhosa. Fiquei com isso na cabeça e decidi testar várias receitas, mas usando o feijão fradinho, que é o primo pobre do grão de bico, ou seja, rolou um feijãomelete

Só eu achei que ficou A COISA MAIS LINDA? 

Aqui em Floripa consigo comprar feijão fradinho por R$ 6,90/kg, enquanto o grão de bico custa a partir de R$ 12. É praticamente o dobro do preço. Então fica a seu critério. Pode fazer com a leguminosa que preferir. Já vi receitas no Youtube de gente que fez com lentilha ou feijão preto, inclusive, mas não testei ainda. Se quiser arriscar, me avisa se deu certo depois?

Acho a ideia de conseguirmos uma versão de omelete vegetal maravilhooooosaaaaa! Primeiro, pela praticidade. É inevitável como é prático aquele negócio de quebrar 2 ovos e jogar numa frigideira aquecida. E como dá pra tirar uma refeição disso aí. A versão com o feijão fradinho não é tããão rápida assim, mas é fácil e super vale o investimento também pelo preço!!! Sai mais barato do que se fosse com ovos! 

Se quiser transformar o omelete de feijão num almoço ou jantar mais elaborado, é só completar com uns legumes na massa ou direito na frigideira. Fiz uma versão com brócolis picadinho, pimentão vermelho e raspas de limão que ficou um escândalo de tão boa! 

Nessa versão, acrescentei brócolis, pimentão vermelho e raspas de limão na massa, quando já tava na frigideira. 

Não esquece uma coisa importante: as leguminosas, como o feijão fradinho, sempre precisam ser deixadas de molho!!! Isso faz com que sejam mais bem digeridas e o ferro seja mais bem absorvido pelo organismo. No caso dessa receita, também ajuda a massa a ficar mais lisinha. Dúvidas sobre esse assunto? Clica aqui

Vamos lá? A receita rende 3 omeletes e custou R$ 0,76.

Ingredientes 

⠂1/2 xícara de feijão fradinho cru (de molho na água por, no mínimo, 12h) ou feijão branco ou grão de bico
⠂3/4 de xícara de água filtrada
⠂4 colheres de sopa de aveia em grãos (qualquer tamanho)
⠂1 pitada de cominho em pó
⠂1 raminho de folhas frescas de hortelã ou manjericão ou orégano ou alecrim ou tomilho ou salsinha ou cebolinha
⠂1 pitada de cúrcuma em pó 
⠂1 dente de alho descascado (opcional)
⠂1 cebola picadinha
⠂sal a gosto (vou provando e acertando)

Observação: uma seguidora me deu uma dica ótima, que já testei e aprovei. Colocar 1 colher de sopa de polvilho azedo no lugar de uma das 2 colheres de aveia. A massa fica com mais estrutura, mais firme. 

Observação 2: Quero deixar uma outra sugestão de receita, da minha musa inspiradora Sandra Guimarães, do blog Papacapim. A Sandra tem uma receita de omelete de grão de bico que é incrível. Eu fiz a receita dela, que tá aqui, excluindo o alho e trocando o grão de bico por feijão branco. 

Como eu fiz

1. Deixei o feijão fradinho de molho por 12h. Descartei essa água, lavei bem os grãos e coloquei no liquidificador. 
2. Acrescentei a água e bati bem por 2 minutos. Só depois é que acrescentei os outros ingredientes, com exceção do alho, da cebola e da erva fresca. A massa tem que ficar homogênea, ou seja, não pode ficar rala com os pedaços de feijão aparentes. 
3. Numa tigela, misturei essa massa com o alho, a cebola e as ervas frescas picadinhas. Misturei bem. 
4. Numa frigideira antiaderente, joguei o equivalente a uma colher de chá de azeite e esperei esquentar. 
5. Com a frigideira quente, peguei uma concha bem cheia da massa e joguei na frigideira. Espalhei bem com uma colher pra massa ficar lisinha. Se quiser acrescentar outros legumes, dê uma refogada neles antes de despejar a massa por cima. Tampei a frigideira pra massa cozinhar por inteiro. 
5. Esperei as laterais ficarem mais escuras, tostadinhas e firmes e virei. Deixei mais uns 3, 4 minutos do outro lado sem precisar tampar de novo. Pronto! Pode comer com pastinhas também. Como o requeijão de inhame ou a ricota de gergelim

Observação: a massa dura uma semana na geladeira, mas recomendo comer em dois dias, no máximo, porque qualquer parente do feijão fica fermentando sem parar, o que vai dificultando a nossa digestão. Se sobrar massa e não for comer no dia seguinte, já congela. 

Os leites vegetais mais baratos

4 de julho de 2018
Sempre fui bezerra. Mamei até os dois anos, cresci tomando toneladas de leite de caixinha com nescau e, quando cheguei na vida adulta, me achava a musa fit tomando leite desnatado com toddy light. Só que leite de caixinha não é leite. É uma água com coisas. E mesmo se o leite for orgânico, vindo de uma vaca criada solta na Dinamarca, ele ainda é inflamatório e piora muito o quadro de quem sofre com as "ites": sinusite, rinite, faringite, além das alergias como um todo e da acne. O nosso intestino também não foi feito pra digerir o leite. E ainda tem a questão da vaca, que não deveria ser escravizada pra nos servir, certo? 

Por mais que as vacas só tenham chegado no Brasil com os colonizadores europeus, é inegável que o leite já faz parte da cultura gastronômica brasileira. E você não precisa esquecer todas as receitas de pudins, bolos e lasanhas que trazem lembranças maravilhosas, basta adaptá-las a versões com leites vegetais. 

Os mais saborosos do mundo, sem dúvida, são aqueles feitos a base de castanhas, de caju principalmente. Mas não cabem no meu orçamento, o que acredito que deva acontecer também pra maior parte da população brasileira. 

Por isso, vou citar aqui as opções mais baratas: de coco, arroz, amendoim, inhame, aveia, gergelim e semente de girassol. Você pode misturá-los entre si também e ir criando o seu preferido. Aqui em Floripa tem cafeteria que mistura leite de amêndoas com semente de girassol pra baratear o preço, por exemplo. 

Um aviso importante: não existe um tipo leite vegetal que substitui perfeitamente o leite de vaca em todas as receitas. Cada um é mais adequado pra um tipo específico de preparação, como explico no fim desse texto. O leite de gergelim rende um molho branco sublime, mas ficaria intragável num brigadeiro. Entende?

O leite da foto é o de inhame, uma das opções mais baratas. 

Como fazer

Em geral, a medida que uso é a universal: 1 xícara da base que escolher com 4 xícaras de água. A quantidade de água é que vai medir a cremosidade do leite. Vá adaptando ao seu gosto. Pra fazer molho branco pra macarrão, por exemplo, eu reduzo um pouco a quantidade de água pro creme ficar mais grosso. Se usar água quente, teremos um leite mais encorpado.

⠂Leite de coco - o melhor de todos

1. Basta bater no liquidificador 1 xícara de coco ralado fresco ou coco desidratado sem açúcar com 4 xícaras de água filtrada.
2. Aí é só coar com uma peneira ou voal e o leite tá pronto! Não esqueça de guardar o resíduo. Pra mim, essa é, de longe, a melhor versão de leite vegetal. 

Dica: Se você tem dificuldade de abrir o coco seco, espia esse vídeo.

Quando o coco seco tá muito caro, compro os flocos a granel mesmo. 
Não esqueça de conferir se é sem açúcar, adoçantes e conservantes, tá?

⠂Leite de arroz

1. É só cozinhar 1 xícara de arroz de sua preferência normalmente, mas sem sal, e bater no liquidificador em 2 etapas, pra não transbordar e sujar tudo. 
2. Primeiro, bata metade do arroz com 2 xícaras de água, coe e reserve. 
3. Aí bata a outra metade com mais 2 xícaras de água filtrada, coe e pronto. Guarde o resíduo. Tem gente que faz com arroz cru, eu já testei e não gostei muito. Acho que fica ralo demais. 

Dica: qualquer leite a base de grãos, como arroz ou aveia, vai render um líquido mais grosso do que as outras opções. Se você bater muito tempo no liquidificador, vai engrossar demais e virar um mingau. É coisa rápida, bem menos de 1 minuto, ok? 

⠂Leite de amendoim 
Você pode fazer o leite com o amendoim cozido, cru ou torrado, desde que sempre sem sal e sem casca ou pele, ok? Já fiz com amendoim torrado e com pele, mas não fica branquinho e achei o gosto meio amargo. 
1. Nas 3 possibilidades, é bom deixar essa leguminosa de molho por pelo menos 8 horas, depois descartar essa água. Lembra que o amendoim é da família do feijão? Tem que reduzir os fitatos pra facilitar a digestão e absorver melhor os nutrientes. Na dúvida sobre qual opção escolher, comece pelo leite de amendoim torrado, ideal pra receitas doces: cobertura de bolo, leite condensado, tomar com vitaminas, café ou achocolatado. 
2. Basta bater 1 xícara do amendoim com 4 xícaras de água filtrada. 3. Coar e reservar o resíduo. O amendoim cru tem um sabor bem mais neutro, fica parecido com o de arroz. Rende uma ricota maravilhosa também. E o leite a base de amendoim cozido fica mais encorpado, e é ideal pra molhos brancos, cremes, receitas salgadas no geral. 

⠂Leite de inhame
1. Basta cozinhar o inhame com casca no vapor e tirar a casca com as mãos depois que esfriar. Se cozinhar na água, o inhame vai soltar aquela baba, que nem todo mundo gosta.
2. E bater 1 xícara de inhame com 4 xícaras de água filtrada. É uma das minhas opções preferidas porque não gera resíduo. Dá pra fazer com inhame cru também, mas pode causar coceira nas mãos ou na boca por conta do oxalato de cálcio, uma substância presente em muitos vegetais. Eu nunca tive esse problema, mas tem gente que tem. Se quiser saber mais sobre esse assunto, espia esse post da diva Sonia Hirsch. 

⠂Leite de gergelim ou semente de girassol  - rico em proteínas
1. Mesma coisa que o amendoim: tem que deixar de molho por 4 horas, pelo menos, pra neutralizar os fitatos. Não é obrigatório (quando esqueço, eu faço assim mesmo), mas é melhor deixar, tá?Não esqueça de descartar a água do demolho. 
2. Mesma coisa dos outros: bater 1 xícara dos grãos com 4 xícaras de água. 
3. Coar e armazenar o resíduo. 

⠂Leite de aveia
1. Deixe de molho por pelo menos 4 horas e descarte essa água depois. 
2. Bata 1 xícara de aveia (flocos pequenos, médios ou grossos) com 4 xícaras de água filtrada. Para um creme BEM grosso, pra fazer brigadeiro, por exemplo, ou pra gratinar coisas no forno, não precisa nem coar. Para um leite normal, é melhor coar. 
3. Reservar o resíduo. 

Como armazenar

Todos os leites vegetais devem ser guardados numa jarra com tampa na geladeira. Duram de 3 a 5 dias. Depois de um tempo refrigerado, o líquido vai se separando, principalmente no caso dos leites mais gordurosos, como de amendoim e coco. Não se assuste. Não está estragado. Basta mexer, pra misturar bem, antes de consumir. 

Como esquentar

Quanto mais gordura tiver no ingrediente que será a base do leite, maior o risco de talhar ao aquecer. Então não é uma boa ideia ferver o leite de coco, gergelim e amendoim, por exemplo. Esquente um pouco na panela e desligue o fogo bem antes de começar o processo de fervura. Os leites de aveia e arroz, mais ricos em carboidratos, aguentam melhor o calor, mas vão virar minguau se esquentar muito. O de inhame, não sei por qual motivo, fica mais ralo quando aquecido. Também não é bom ferver. 

Onde usar

Tem gente que gosta de congelar leite vegetal. Não recomendo, acho que muda muito a textura. 

⠂Bebidas: Pra beber com café, achocolatado (receita aqui), ovomaltine caseiro (aqui) ou fazer vitaminas, o de coco é o melhor disparaaaaaaaaado. O leite de amendoim torrado combina muito também. O de arroz é super neutro e não vai deixar gosto estranho no café. Pra vitaminas, também gosto de usar o leite de aveia, que ajuda a engrossar. O leite de coco e de amendoim rendem aquela espuminha maravilhosa pra fazer cappuccino. Basta esquentá-los um pouco ou bater com água quente no liquidificador na hora de fazer o leite. 

⠂Ricota: Os leites de amendoim (qualquer versão), gergelim, semente de girassol e coco rendem ótimas ricotas. Basta aquecer o leite, talhar com limão e coar com um voal. Mais detalhes, nesse post. Também dá pra fazer ricota de tofu com leite de soja. Receita aqui

⠂Receitas doces: Leite de aveia, de arroz, de coco  e de amendoim torrado são boas bases para leite condensado (receita aqui) e docinhos no geral (aqui). Além de todos esses, o leite de inhame também é ótimo para bolos, tanto na massa quanto na cobertura. 

⠂Receitas salgadas: Leite de gergelim e semente de girassol são meus preferidos para substituir o famoso creme bechamel ou creme de leite em receitas. O de aveia também é uma boa opção, apesar de não ser tão saboroso. Pro estrogonofe (receita aqui), que precisa de um sabor mais neutro, a aveia é o meu preferido. 

O que fazer com o resíduo

Todos eles podem ser guardados na geladeira por até 1 semana e congelados por cerca de 3 meses.

⠂Farinha: O resíduo do leite de coco e amendoim rende uma boa farinha para bolos ou granolas. Basta espalhar bem numa assadeira e assar no fogo baixo, até ficar sequinho, sem queimar. Em bolos, essas farinhas substituem bem a farinha de aveia, por exemplo. Não podem ser colocadas no lugar da farinha de trigo, porque não possuem glúten e vão atrapalhar a estrutura do bolo. 

⠂Bolos ou cookies: Se tiver com pressa, nem precisa torrar os resíduos do leite de coco e amendoim pra fazer farinha. Pode colocá-los direto em novas receitas doces. Nesse link, tem uma preparação maravilhosa de bolachinhas com o resíduo do leite de coco. 

⠂Farofa: O resíduo do leite de amendoim, gergelim e semente de girassol pode ser refogado com cebola pra fazer farofa. Você pode usar a farinha de mandioca também ou não. Aí é só temperar a gosto: fica bom com azeitona ou cenoura ralada, cheiro verde...

⠂Base para massa de tortas e hambúrgueres: O resíduo do leite de aveia ou arroz é menos versátil, de aspecto mais "estranho". Por isso, gosto de usá-los onde eles passam despercebidos, como bolinhos assados ou massa de hambúrguer. Lembra de espremer bem o líquido do leite na hora de coar, pro resíduo não ficar encharcado, o que pode prejudicar a estrutura das novas receitas. Pra fazer bolinhos, basta misturar os resíduos com as sobras da geladeira: feijão (sem o caldo), cenoura ralada, bastante cheiro verde e assar. Se tiver muito farelento, é preciso acrescentar um pouco de farinha de trigo. 

⠂Patês: O resíduo do leite de gergelim e semente de girassol rende pastinhas saborosas. Por serem um pouco amargos por natureza, é bom usar limão pra temperar o patê, o que ajuda a neutralizar esse sabor. Com azeitonas ficam divinos, manjericão e pimenta rosa também. Use o que tiver em casa com uma dose de criatividade. 

Observação: nenhum leite vegetal substitui o leite materno, ok? Para dúvidas sobre as propriedades nutricionais de cada opção, consulte um nutricionista.