Empadas sem desperdício - R$ 3,22*

27 de maio de 2018
A receita de hoje é uma exceção, bem a cara do momento de crise que estamos vivendo. Ao contrário de tudo que postei até hoje neste canal de entretenimento, as empadinhas contra do desperdício não me permitiram calcular o preço real que custaram. Simplesmente porque o recheio foi feito com as sobras de outras coisas que eu já tinha na geladeira. No caso, tinha um molho branco de aveia pronto e um maço de beterraba estragando. O valor R$ 3,22 se refere apenas à massa, ok? Trata-se de uma estimativa. Pra você não gastar muito além disso, basta fazer como eu: use os insumos que já tão velhinhos na geladeira, ou que sobraram de outro prato, ou, ainda, use os vegetais da sua região com os temperos da sua despensa. 

A receita rende 6 empadinhas. Pode comer quentinha ou levar de lanche pro trabalho. 

Cada vez mais eu tenho pensado nisso, sabe? Não faz sentido a gente basear a nossa alimentação em cima de receitas de outras pessoas. Receita é pra usar como inspiração. Porque às vezes não tem maçã no Maranhão nem caju no Rio Grande do Sul. Às vezes a verdureira tá pelada porque deu algum problema no sistema de distribuição de comida e você será obrigado a cozinhar uma hortaliça do próprio jardim. Não tem espaço pra jardim na sua casa? Tenha pequenos vasos na janela. Já falei isso 800 vezes aqui! É a melhor forma de economizar com temperos e hortaliças. E não existe comida boa sem tempero. 

Aqui na minha varanda eu tenho uma rúcula plantada num vaso minúsculo junto com alho poró e cebolinha e já é a terceira vez que ela dá novas folhas. Como eu fiz isso? Comprei uma rúcula com a raiz pela primeira vez. Cortei o caule, usei pra comer junto com as folhas, e deixei a raiz num copo com água por três dias, trocando a água todo santo dia. Depois disso, coloquei no vaso e um mês depois, já tinha um novo maço de rúcula. De graça e orgânico. Você pode fazer isso com vários vegetais. Espia esse link aqui, onde tem mais dicas desse tipo. 

A gente vive num país com grandes desigualdades e não poderia ser diferente com a alimentação. Dava pra escrever um livro se fosse citar cada problema aqui (agrotóxicos, monocultura, indústria dos ultraprocessados, falta de apoio aos pequenos produtores...). E esses problemas ficam mais evidentes em momentos de crise, como agora, com a interrupção do sistema de distribuição de comida por parte dos caminhoneiros. Podemos tirar mil lições desse período maluco que estamos vivendo. Arrisco alguns: 

→Não podemos mais viver em função do petróleo. 

→Não podemos mais viver em função dos Estados Unidos. 

→Não podemos mais viver em função de um sistema político onde quem nos governa não nos representa, não nos ouve. Pelo contrário, nos boicota. 

→Não podemos mais ser dependentes do sistema rodoviário. 

→Precisamos repensar todo o estilo de vida das médias e grandes cidades. 

→Precisamos entender todo o caminho que a comida faz até chegar na nossa mesa e tentar encurtá-lo o máximo possível. Leia-se: comer o que tá na época, produzido na região por pequenas famílias que entendem dessa terra. Enquanto a gente se alimentar de coisas empacotadas sem ter a mínima ideia de onde aquilo veio e como foi produzido, a gente vai levar esses sustos em momentos de crise.

Observação: eu não acho que todo mundo ter bicicleta e horta no prédio resolveria o problema que estamos vivendo hoje. Seria ingenuidade da minha parte. A questão é essencialmente política, por mais que não compreendamos exatamente o que isso quer dizer. E se vivêssemos em cidades super sustentáveis talvez o problema nos atingisse de outras formas. Mas é impossível não ver que o nosso estilo de vida faz esses momentos de crise terem consequências catastróficas. 

Toda essa enrolação pra dizer que usei o que tinha em casa pra rechear as empadinhas e insisto para que você também comece a fazer a sua parte contra o desperdício de comida. 

A base da receita das empadinhas é da diva global Bela Gil. Se quiser acessar o passo a passo original, clica aqui. A massa é fantástica e você pode usá-la para criar milhões de novas receitas maravilhosas. É grão de bico e farinha. No caso da Bela, ela usou farinha de arroz. Eu não tinha farinha de arroz em casa, não tenho o hábito de comprá-la, e usei farinha de trigo. Grão de bico tá muito caro na sua região? Pode substituir tranquilamente por feijão fradinho ou feijão branco. 

Ingredientes da massa - Rende 6 empadinhas
⠂1 xícara de grão de bico cozido na água e sal
⠂1 colher de sopa de azeite ou óleo de girassol
⠂1 colher de chá de sal
⠂1/2 colher de chá cúrcuma (pra massa ficar mais colorida)
⠂3/4 de xícara de farinha de trigo (ou de arroz para os celíacos)
⠂1/4 de xícara de água gelada

Como fazer a massa
Misture tudo no processador. Caso não tenha, cozinhe o grão de bico beeeem, a ponto de estar quase desmanchando, pra poder bater no liquidificador. Se fizer isso, acrescente a farinha depois, numa tigela. Se fizer no processador, pode bater a farinha junto. Modele a massa em forminhas de silicone ou inox (aí precisa untar), forre com o recheio e cubra com um pedacinho de massa por cima. Asse no forno pré-aquecido a 200 graus por 30 minutos. 

Use a criatividade e o que tiver sobrando na geladeira pro recheio. Dica: tem que ficar um creme bem consistente. 

Ingredientes do recheio
⠂1 cenoura grande cortada em cubos (poderia ser brócolis, alho poró, abóbora, palmito, vagem, berinjela, cogumelos...)
⠂1/2 xícara de água pra cozinhar a cenoura
⠂Folhas de beterraba ou qualquer hortaliça (espinafre, escarola, taioba, ora pro nobis, acelga..)
⠂1 xícara de molho branco de aveia ou ricota de semente de girassol ou ricota de gergelim ou qualquer pastinha a base de tofu ou 1 colher de sopa de maisena diluída em 1 xícara de água
⠂4 dentes de alho
⠂1 polegar de gengibre
⠂canela em pó a gosto
⠂cheiro verde a gosto
⠂pimenta do reino a gosto
⠂noz moscada a gosto
⠂sal a gosto

Como fazer o recheio
Refoguei o alho e o gengibre no azeite. Acrescentei a cenoura picadinha, uma pitada de canela, noz moscada, pimenta do reino e sal. Depois de refogar bem, acrescentei a água e deixei cozinhando com a panela tampada por 15 minutos. Acrescentei as folhas da beterraba e tampei a panela por mais 2 minutos. Acrescentei o molho branco de aveia. Corrigi o sal e a pimenta e finalizei com cheiro verde. A consistência do recheio tem que ser de um creme bem consistente. Não pode ficar líquido ou aguado ou a massa vai ficar molhada e molenga. Não vai assar direito. 

Observação: Você pode usar a criatividade aqui no recheio! Pegue o que tem na sua geladeira quase estragando, capriche nos temperos e pronto! Agora é só correr pro abraço e se afundar na empada. 

O que aprendi com Sonia Hirsch

14 de maio de 2018
Em uma sexta-feira de uns anos atrás, eu voltava pra casa junto com uma amiga do trabalho e a gente conversava sobre saúde e alimentação, assuntos recorrentes entre nós. Contei pra Lívia que eu sofria muito com candidíase, e que a minha ginecologista recomendou, como última estratégia de tratamento, reduzir o consumo de açúcar (que era alto). A Lívia fez aquela cara de "não sabias disso, sua pamonha"? Ela já sabia que a Sonia Hirsch associava a cândida ao consumo de açúcar. E foi nesse momento que ouvi falar pela primeira vez dessa senhorinha que entende muito das propriedades curativas dos vegetais, que é amiga da Bela Gil, estudiosa voraz da medicina chinesa, e que já publicou mais de 20 livros sobre saúde. 

A Sonia não é cientista, nem médica, nem nutricionista. E nem escreve se fazendo passar por uma. O conteúdo que ela produz é sob o olhar de uma jornalista curiosa, com base em leituras, em referências, que inclusive constam nos livros.

De lá pra cá devorei vários livros dela e descobri, há uns meses, como a medicina milenar chinesa enxerga a questão da alimentação. Acho que tanto a Sonia quanto os chineses tem muuuuuito pra nos ensinar. Acabei de fazer o curso dela aqui em Floripa na semana passada, que durou três dias e me rendeu 12 páginas de anotações num caderninho. E sigo nos estudos sobre os hábitos alimentares da China. 

Se tiver que resumir ao máximo, me arrisco a dizer que o principal ensinamento da Sonia e da medicina chinesa é essa forma de enxergar o corpo de forma integrada, como um todo, onde tudo está conectado. Um problema de coluna não pode ser resolvido em um ortopedista porque pode ter sido desencadeado por um desequilíbrio no fígado, por exemplo. A medicina aqui do Ocidente, em geral, insiste em tratar apenas os sintomas em vez de buscar compreender a fundo as raízes do problema. 


Eu e a Sonia no curso Meditando na Cozinha, que ela ministrou aqui em Floripa durante três dias. 

O que aprendi com a Sonia Hirsch

1. Sobre o ato de cozinhar: É impossível ser saudável delegando aos outros a tarefa de fazer a sua comida. Ir pra cozinha é um dos requisitos pra ter saúde, inclusive pra saúde mental. É mais difícil para as mulheres, é claro, que sofrem com o machismo e muitas vezes não contam com a parceria dos homens nas tarefas domésticas (precisamos mudar isso!!!!). Mas o ato de cozinhar não precisa ser encarado como uma obrigação. A comida que sai das mãos de alguém estressado e de saco cheio não vai ser equilibrada, saborosa e nutritiva. Não vamos cozinhar sorrindo todos os dias, obviamente, falo pelo meu próprio exemplo, mas precisamos tentar tirar esse fardo das costas. O que a Sonia defende no curso dela é a importância de resgatarmos o prazer e o afeto no ato de cozinhar. Primeiro, temos que dar um jeitinho de deixar a cozinha confortável, por mais que seja apertada. A gente tem que se sentir bem naquele espaço. Coisas que parecem muito simples e bobas, como desenvolver uma afetividade por uma faca, colher de pau ou panela fazem toda a diferença na qualidade da comida. Tornam aquele momento mais prazeroso. Outra coisa. Cozinhar, segundo a Sonia, é como meditar. Vamos usar esse tempo que gastamos na cozinha para nos entregar, se concentrar em cada etapa, exercer a atenção plena na hora de picar aquele alho e esquecer o mundo ao redor. 

2. Sobre o ato de comer: Se sentir sonolento ou estufado depois de comer não é normal. Pode ser a mastigação, que não foi bem feita como deveria. Pode ser o fato de não estarmos atentos ao que ingerimos. É fundamental identificar os sabores e texturas a cada garfada, o que auxilia muito a digestão. Por isso é tão ruim comer  com distrações, como TV e computador, que fazem a gente não prestar atenção na comida. E também tem a questão da  quantidade. A gente costuma comer muito mais do que precisa, principalmente quem come rápido e com pressa. Cada um precisa encontrar o seu equilíbrio na quantidade de comida que coloca no prato.

3. Sobre autoconhecimento: Nada em excesso faz bem, nem repolho orgânico. Há estômagos que lidam melhor com feijão do que outros. Há pessoas que não se sentem mal com um pouquinho de açúcar por dia. Outras têm enxaquecas homéricas ao devorar um bombom. O que precisamos saber é que não existe alimentação perfeita, existe autoconhecimento. O segredo da saúde é encontrar o seu equilíbrio, a sua harmonia. A Sonia recomenda que a gente invista em uma alimentação com 70% de alimentos que fazem bem pro próprio corpo e outros 30% que são importantes para a saúde psíquica, pra vida social: o chope com os amigos, o vinho com a namorada, o pudim da avó no domingo. Isso não mata ninguém e evita possíveis compulsões alimentares. 

4. Sobre o leite: Quando o assunto é o leite de vaca, não tem discussão: não faz bem pra ninguém. Ele é feito para nutrir um bezerro, não um ser humano. É altamente inflamatório, cancerígeno e piora muito o quadro de quem sofre com as "ites": sinusite, rinite, faringite, além das alergias como um todo e da acne. O nosso intestino também não foi feito pra digerir o leite. Se você está lendo esse post, é porque já cresceu. Desapegue-se do "leitinho". 

5. Sobre o açúcar: O açúcar rouba a nossa vitalidade e deprime, tipo aquele seu colega de trabalho que só reclama da vida. Por isso, a pior hora para consumi-lo é pela manhã, quando precisamos de energia, e em outros momentos quando estamos de estômago vazio. Não é a toa que se inventou o hábito da sobremesa, depois das refeições. É a hora mais apropriada para dar um alô pro docinho, já que o suco gástrico já está trabalhando. O alto consumo de açúcar é considerado tóxico: enfraquece os rins, sobrecarrega o pâncreas, estimula a produção de mucos, causa desordens emocionais e fragiliza o sistema imunológico, o nosso exército contra doenças. 

6. Sobre vitalidade e energia: Segundo a Sonia, o problema das farinhas não está no glúten, mas no processo de refinamento, que tira todos os nutrientes do trigo e o transforma em um alimento sem vida. É por esse motivo que os alimentos ultraprocessados nem são considerados comida, eles são desvitalizados. Sabe o exército de zumbis da série Game of Thrones? Então. São eles. É como se a gente comesse isopor. Lembra que a mosca não pousa na margarina? E que o hambúrguer do MC Donalds não mofa por semanas? Não tem vida ali. Nada. Por isso é bom escolher farinhas integrais, porque elas possuem nutrientes, estão vivas. Variações bruscas de temperatura também roubam a nossa energia. Por isso, é bom evitar ar condicionado, ventilador e secador de cabelo. Por outro lado, banho de mar e de cachoeira, pé na terra e cozinhar são atividades que nos enchem de energia e saúde. 

7. Sobre as leguminosas: Esse assunto me deixou um pouco desanimada. A Sonia defende que as leguminosas são pesadinhas de digerir. Não é a toa que precisamos deixá-las de molho e cozinhá-las com especiarias (louro, cominho, gengibre, alho...). Ok, disso já sabemos. O que ela acrescentou é que precisamos evitar ao máximo comer leguminosas requentadas (e agora, vida?). Sim, tem que fazer e comer no mesmo dia porque elas continuam fermentando e quanto mais fermentadas, mais difícil de digerir. A macrobiótica diz que as melhores leguminosas são as que têm os grãos menores e a Sonia acrescentou que precisamos sempre combiná-las com outro cereal na hora de comer, como milho ou arroz. Ah! E amendoim só cozido e em pequenas quantidades! 😓

8. Sobre o inhame: Se há algum representante de Deus na terra, esse alguém é o inhame. Ele é o campeão do fortalecimento das nossas defesas, o bálsamo da limpeza do sangue, aumenta a fertilidade nas mulheres, baixa febre e é cicatrizante. Resumindo: não faça guerras, coma inhame. 

9. Sobre sucos: Dona Sonia Hirsch não recomenda sucos. Diz que eles costumam ter frutose em excesso e não exigem a mastigação, o que dificulta pro estômago saber o que tá digerindo. Como os sucos não me fazem mal, pelo que me conheço, vou continuar tomando, sem exageros. 

10. Sobre o cocô saudável: O intestino não veio ao mundo pra ficar preso ou solto demais. Ele precisa de harmonia pra fazer seu trabalho. Como ele é um dos responsáveis por produzir o nosso exército de células protetoras, temos que ficar de olho nesses desequilíbrios. Esses desarranjos podem ser falta de líquidos, comida muito seca, consumo de leite e derivados ou outros alimentos que não fazem bem, assim como diversas questões emocionais. A melhor hora pra evacuar é de manhã, em jejum. Assim que acordar, a Sonia recomenda tomar um copo de água morna, que vai cutucar o intestino e fazê-lo funcionar, eliminando o que precisa sair do corpo do dia anterior. Intestino saudável significa corpo e mente saudáveis. 

11. Sobre temperos: Lembra que os portugueses invadiram o Brasil quando tavam tentando ir pra região da Índia buscar especiarias? Então. Elas valem a viagem mesmo. Não só por contribuirem pra deixar a comida gostosa e sem gosto de hospital. Elas auxiliam a digestão e têm milhões de propriedades maravilhosas. O tomilho, por exemplo, ajuda a fortalecer a imunidade. Já salsinha, com 700 propriedades curativas, e a cúrcuma, um poderoso antiinflamatório, são dignas de disputar o trono com o inhame caso o Reino Vegetal fosse palco da série Game of Thrones. Os marqueses gengibre e o louro são ótimos para aliviar gases intestinais. 

Assim como os chineses, a Sonia defende que as hortaliças sejam consumidas quentes, como nesse caldo de abóbora com rúcula, servido durante o curso dela. 
Achou todo esse papo interessante? 

Vou deixar aqui algumas leituras para você se aprofundar mais:

O primeiro livro que li sobre a alimentação na medicina chinesa foi esse rosa da foto: "Por que as chinesas não contam calorias". O segundo foi o "Manual do Herói", da Sonia Hirsch.

Patê de lentilha - R$ 3,89

3 de maio de 2018
Eu e uma vizinha do prédio onde moro estamos empenhadas em cuidar da horta que temos aqui. Já plantamos mil coisas, mas rolaram umas obras e pintura, o que detonou o nosso espaço verde. Agora estamos cuidando aos poucos. Mas uma planta específica, o manjericão, está sempre firme, maior que todos, e usufrui muito bem das condições climáticas e do solo desta região: muita areia, maresia, umidade quase amazônica. Eu moro num bairro de praia aqui em Floripa e às vezes tem taaaanta umidade e taaanta maresia que não andamos dentro de casa, deslizamos. Tudo enferruja rápido. Comprei cestinha pra carregar compras na minha bicicleta no ano passado e ela já estás prestes a ir pro lixo: já quebrou inteira de tão enferrujada. 

Toda essa enrolação pra dizer que estou empenhada em usar muito manjericão na cozinha de agora em diante porque tenho dois pés verdinhos e rechonchudos na horta do prédio, dando sopa, de graça. Como viver só de molho pesto não tem graça, vou começar a inventar muitas coisas com manjericão. Aguarde. 

Um dia acordei pensando que manjericão deve combinar com lentilha, como se essa erva não combinasse com alguma coisa. Já comeu sorvete de limão com manjericão? É tão bom que dá vontade de chorar. Pois bem. Pensei comigo: vou fazer um patê de lentilha com manjericão, mas talvez fique mole demais, tipo uma papa. Quero algo mais consistente. Nessa onda de pensamentos lembrei que a mestra Bela Gil tem uma receita de patê de lentilha com nozes e salsinha. Não tenho comprado nozes devido ao preço exorbitante, em torno de R$ 89,90/kg, mas tenho amendoim, que não é da família da noz, mas engana bem. 

Receita no caminho: lentilha, manjericão e amendoim. Para temperar, uma cebola, quem sabe, um pouco de azeite, o sal, e umas gotinhas de limão. A Bela Gil usa salsinha em vez de manjericão e tempera a pastinha com missô. Eu até tenho missô aqui em casa, mas acredito que a maior parte da população brasileira não tenha, então preferi ser democrática. 

A combinação de lentilha + amendoim + manjericão é um espetáculo. Coma com pão, torrada, bolachinhas de arroz.

Joguei tudo no processador e saiu um dos melhores patês que já comi entre os que eu mesma fiz. Se você não curtiu muito o requeijão de inhame como alternativa pra passar no pão ou na torrada, tenho certeza que vai gostar dessa opção. Além do maaais, ela é um presente para os noias que amam ingerir uma overdose de proteína de manhã. Tanto a lentilha quanto o amendoim têm bastante proteína, além de ferro. 

É isso. Fiquei tão animada com essa receita que estou tentada a testá-la com feijão fradinho, para uma versão ainda mais barata. Vamos brincar de substituir os ingredientes à vontade, mas não esqueça que o manjericão é fundamental. Sério. Também fiquei pensando em adicionar azeitonas, mas resolvi não ser tão audaciosa dessa vez.

A ilustração leva salsinha porque usei todo o manjericão na receita. hahaha
Ingredientes
⠂1 xícara de lentilha cozida
⠂1 xícara de amendoim torrado e sem pele
⠂1 xícara de folhas de manjericão
⠂1 cebola cortada em pedaços grossos e grelhada rapidinho (usei da roxa)
⠂sal a gosto
⠂azeite a gosto
⠂um tiquinho da água do cozimento da lentilha para acertar a consistência desejada do patê
⠂gostas de limão a gosto

Prazer, eu sou o amendoim torrado sem pele. 

Como eu fiz
Bati tudo no processador e pronto. Basta armazenar na geladeira. Se você não tem processador vai precisar amassar o amendoim num pilão ou com um amassador de carnes. Ou você ainda pode comprar o amendoim na forma de xerem, que são aqueles pedacinhos pequenos, sabe? No liquidificador acho que não rola de triturar o amendoim, apenas o resto dos ingredientes. 

Validade: Não faço ideia de quanto dure na geladeira, mas acredito que seja seguro consumir em torno de uma semana.

Os ingredientes reunidos à espera da lentilha cozinhar.

Observação: pode fazer com amendoim cru, mas acho o torrado mais saboroso. Pode fazer com amendoim com pele, se tiver comprado com, só não espere um patê super lisinho. 

Não sabe como plantar manjericão em casa? Clica aqui.
Não sabe como cozinhar lentilha? Clica aqui

Não esqueça de deixar a lentilha de molho por 12 horas antes de cozinhar.