O preparo das leguminosas

31 de março de 2018
Senta porque tem textão. 

Depois de muitos pedidos, lá vem o post sobre o demolho, preparo e ervas que combinam com as leguminosas. Antes de começar, não custa lembrar algo importante e que muita gente do Instagram confunde: eu não sou especialista em gastronomia nem em nutrição, ok? Nem todas as dúvidas de vocês eu vou saber responder. O conhecimento que acumulei na cozinha continua em construção e eu não serei irresponsável de dizer o que funciona melhor pra absorver o ferro no sangue de ninguém. Se você tem anemia ou qualquer deficiência de vitaminas ou nutrientes, procure um médico e um nutricionista. Para questões super específicas de trilhas de sabor e pontos precisos no cozimento de algum alimento, procure um gastrólogo ou se inscreva no Masterchef. hahahahaha

Eu falo aqui apenas como uma cozinheira amadora, que tem obsessão por pesquisa, blogs e informação sobre comida sim, mas que continua sendo apenas mais uma na fila do pão. Entendido? Então podemos começar. 


Para os vegetarianos, as leguminosas são as principais fontes de proteína e ferro. E pra todo mundo que respira, principalmente os brasileiros, a família dos feijões fornece prazer, felicidade, conforto e aquele gostinho de comida caseira que acalma os corações. 

Acho que o feijão está para o Brasil assim como a farinha de trigo está para a Itália. É o ingrediente básico do prato de todas as classes sociais, em todas as estações do ano. 

Uma história que me marcou muito em relação ao feijão foi contada no livro Abusado, o Dono do Morro Santa Marta, do jornalista Caco Barcellos. O texto conta as aventuras do Juliano VP, que em determinado momento da vida vira o moço que chefia o comércio de drogas ilícitas de um local do Rio de Janeiro. Lembro muito bem da parte do livro em que o Juliano dizia que o dia não podia começar, muito menos uma guerra ou invasão teria início, enquanto ele não forrasse o estômago com um bom prato de arroz com feijão. E você achando que jamais teria algo em comum com um "temido" traficante, hein? hehehe

Pra fazer um post mais completo e não faltar besteiras, chamei o chef carioca Ruan Felix, meu mais novo amigo de infância que o Instagram forneceu. O Ruan é apenas uma criança (25 aninhos), mas já atua como cozinheiro profissional. Ele trabalha com workshops, eventos, personal chef,  consultorias, elabora cardápios pra restaurantes e vende comida congelada a preços acessíveis pra quem não tem tempo de cozinhar. E o melhor de tudo: ele é vegano e só trabalha com comida sem nenhum tipo de ingrediente animal. 💖

E o tempo de demolho?

Muita gente não sabe, mas precisamos deixar os feijões e seus amigos de molho. Não só porque vão cozinhar bem mais rápido e isso vai nos fazer economizar gás. Tem que colocar de molho na água pra que a digestão seja mais fácil, sem peidorreira depois, e porque assim os nutrientes vão ser mais bem absorvidos. 

Agrupei as leguminosas por tempos semelhantes de demolho. Segue abaixo o tempo que o Ruan recomendou para cada grupo. Ele segue os ensinamentos da chef Lena Tritto, professora de culinária e de alimentação energética baseada na medicina tradicional chinesa. 

Grupo 1: lentilha rosa: não precisa colocar de molho.

Grupo 2: lentilha normal e ervilha: 4 a 6 horas de molho. 

Grupo 3: amendoim, feijão fradinho, mungo, grãos de soja, azuki e seus amigos pequenos: 6 a 8 horas de molho.

Grupo 4: grão de bico, feijão preto, branco, vermelho, mulatinho e favas: 12 a 24 horas de molho

Dica importante: Se você morar num lugar super quente, é melhor deixar os grãos de molho num pote dentro da geladeira, ok? Pra não azedar.

Observação: Se você for super sensível aos fitatos dos feijões, como eu, recomendo que deixe mais tempo. O grupo 4, aqui na minha casa, eu deixo em torno de 48 hora de molho e troco a água a cada 12 horas.

Como cozinhar?

O Ruan recomenda que a gente cozinhe a maioria das leguminosas na panela de pressão. As únicas opções que podem ser cozidas na panela sem levar 40 anos são as leguminosas que precisam de menos de 12h de demolho, como os grãos de soja, lentilhas, feijão fradinho.

O tempo de cozimento na pressão depende muito dos seus feijões. Se eles tão velhos, talvez não cozinhem nem com horas de pressão. E depende muito da sua panela também. Na casa do Ruan, ele deixa 5 minutos na pressão se os grãos já ficaram de molho. Se não ficaram, costumam ficar al dente com 20 minutos na pressão. 

Aqui na minha casa eu costumo cozinhar por 10, 12 minutos na pressão. Ah! E se os seus feijões estiverem velhos demais, eles não vão ficar macios de jeito nenhum! Uma sugestão pra não jogar fora: depois de tentar cozinhar por bastante tempo, tempere a leguminosa normalmente e bata no liquidificador pra comer como um caldo. 

Como preparar?

Ficam ótimos em saladas: lentilhas, grão de bico, soja, feijão fradinho e feijão branco.

Dica imperdível do Ruan: salada de feijão branco com cebolas fatiadas finamente, abobrinhas grelhadas, azeitonas grandes sem caroço, limão, salsa e pimenta pra temperar. Segundo o chef, qualquer feijão rende uma ótima salada. O problema é que a nossa história alimentar associa os feijões apenas a caldos e comidas quentes. Nos Estados Unidos, por exemplo, se usa os feijões pra mil tipos de saladas.  

"A gente precisa aprender também a combinar mais essas leguminosas tanto em pratos frios quanto em quentes. Um bom chilli vegano com mistura de diferentes leguminosas dá de 7x1 em qualquer chilli com proteína animal. E embora não seja muito comum na nossa alimentação, saladas quentes também são ótimas. Como por exemplo uma simples salada de lentilhas, pimentão defumado e escarola", destaca o chef bonitão. 


Atente para outras dicas do Ruan: 

"Mesmo que algumas leguminosas não formem caldo grosso, como nossos feijões, eu recomendo que TODAS sejam usadas na preparação de caldos. Dá pra se fazer tanta comida de conforto boa que a gente não sabe o que tá perdendo. O fradinho, por exemplo (ó ele aí). Tem uma sopa que minha mãe fica torcendo pra algum frio carioca de 20Cº chegar pra eu poder fazer pra ela. A sopa tem uma pegada bem caipira, feita com fradinho, pimentão vermelho, tomates pelados, couve-manteiga, grãos de milho e cheiro-verde. Lentilhas marrom também não formam caldo, mas com um bom vinho tinto, uma boa seleção de temperos e algumas ervas frescas, ficam sensacionais em um bom ragu pra massas, por exemplo. "

Para uma massa base de hambúrguer ou almôndega, o Ruan recomenda usarmos lentilhas, grão de bico e feijão fradinho, porque as outras leguminosas talvez precisem de muita farinha para dar a liga. 

Como temperar?

De acordo com o chef, qualquer leguminosa pode ser temperada com a sua tríade queridinha: páprica, louro e pimenta caiena. 

Ele explica que não existem regras nas combinações de temperos e não precisa ficar com medo. Não há erva que não vá bem com as leguminosas. Mas a escolha dos temperos depende de que tipo de experiência você quer nos seus pratos. 

Para um prato com gosto de casa, cheio de brasilidade: capriche nos elementos defumados, como páprica defumada ou fumaça em pó/líquida, alguma pimenta em flocos ou em pó e os 4 C's: cúrcuma, colorau, coentro, cominho, explica o chef Ruan. 

Para uma pegada mediterrânea, num prato com lentilhas, berinjelas: recorra a zaatar, açafrão, tahine, canela, caiena, tomilho, orégano, alecrim. 

"Um bom ensopado de couve-flor com grão-de-bico que te carrega pra Índia em uma colherada? Moleza! É leite de coco e abusar de temperos quentes como cominho, coentro, cúrcuma, cardamomo, mostarda, canela, anis-estrelado, cravo, feno-grego, gengibre. Não tem erro! Aos poucos vocês vão vendo suas combinações favoritas. O segredo é não ter medo de misturar e experimentar", recomenda o cozinheiro. 

Eu, Juliana, refogo alho pra quase todas as leguminosas. E gengibre picado também! Finalizo com cheiro verde quase sempre. 

Que combinações podem ser surpreendentes e inusitadas?

"Usar suco/zest (raspas) de limão na finalização do cozimento de lentilhas ou feijões sem caldo é um caminho sem volta! Não é algo incomum, mas vale a pena. Quem nunca fez, que comece a fazer!"

"Lentilhas pra mim são as leguminosas que mais combinam com acidez. Não é à toa que eu as uso muito com xarope de romã ou saladas com tangerina/laranja."

"Também existe uma receita que aprendi com um chef indiano que se trata de um prato com grão-de-bico, onde o cozimento dele é feito no chá preto e o resultado final é algo lindo de se ver! Um pauzinho de canela no feijão-vermelho? Fez cara feia? Pois saiba que fica muito bom e faz um alimento tão básico do nosso dia-a-dia surpreender bastante" (Tô dando gritos só de pensar na maravilha que isso deve ser).

E aí? Ajudou?

Ruan Felix, querido, muito obrigada pelas suas dicas profissionais e incríveis!

Se quiser acompanhar o Ruan nas redes sociais, clica aqui

Para ler uma entrevista escandalosa com ele no site Jornada Vegana, clica aqui

Para ler seus textos divertidíssimos no Medium, clica aqui. 

Para contratar os serviços do Ruan no Rio de Janeiro ou na China, clica aqui.

Como começar uma horta em casa

16 de março de 2018
Comida é um dos maiores gastos mensais que nós temos, né? Não dá pra fazer milagre, mas dá pra economizar mais seguindo várias estratégias. A primeira e mais importante, na minha opinião, é a escolha dos alimentos. Não dá pra economizar comprando tudo pronto e industrializado, por mais se pesquise os mercados mais baratos. Apesar de miojo e refrigerante serem super baratos, iogurte, cremes, pastinhas, molhos, conservas, pães, bolos, são bem mais baratos quando feitos em casa. E, claro, mais saudáveis. 

Outra estratégia que rende muita economia na cozinha é o combate ao desperdício. Primeiro, não comprar comida fresca e natural em grandes quantidades, pra não estragar rápido. E se você quiser outras dicas pra aproveitar melhor a comida, clica aqui, pra ler o post que fiz pro blog Um Ano Sem Lixo. 

E tem outra dica importantíssima. Uma alimentação baseada em vegetais precisa de temperos. Se não for bem temperada, é quase intragável. Eu uso horrores de temperos na cozinha. Entre os frescos: salsinha e cebolinha lideram o ranking das mais usadas aqui em casa, seguidas de manjericão, tomilho, hortelã, alecrim e sálvia. Dos secos, consumo overdoses de orégano. Às vezes coloco até no feijão. E tudo isso custam muitos dinheiros. 



Cada buquê de ervas não sai por menos de R$ 1,50 aqui em Floripa. Alguns, como alecrim, chegam a custar R$ 4. É barato, mas se usados em grande quantidade, vai aumentando substancialmente a conta a pagar. Só que esse gasto é fácil de amenizar. Basta começar uma pequena horta em vasos dentro de casa. Além de ser delicioso ir até a varanda colher umas folhinhas, é terapêutico cuidar da terra. Ajuda a aliviar a loucura do dia a dia, a largarmos um pouco as redes sociais. Enfim, é um hábito que aprendi com minha mãe e meus tios e faz muita diferença positiva na minha vida. 

Pra não falar besteira, já que não entendo da coisa a ponto de ensinar alguém a fazer, entrei em contato com a Gabi Pastro, especialista em ervas aromáticas e especiarias, pra pedir ajuda e ela topou de participar desse post aqui! Muito obrigada mais uma vez, Gabi! Ah! Todos os produtos citados abaixo, como argila expandida, adubo orgânico e terra, podem ser comprados em floriculturas.

Dicas para montar uma hortinha em casa
Por Gabi Pastro

1. Procure na sua casa a área que bata mais sol. Para as plantas da horta é necessário no mínimo 4 horas de sol direto em suas folhinhas. Também se atente quando ao vento, pois estas plantas tendem a não se desenvolver bem em áreas onde ele é forte.

2. Comece sempre comprando mudas, orgânicas de preferência, deixe as sementes para uma segunda fase.

3. Escolha um vaso ou jardineira, lembre-se que este deve ter furo embaixo, cachepô não vale, e sua altura deverá ser superior a 18 cm.  Os melhores são de barro, cerâmica ou argila.

4. Fazendo a drenagem: comece colocando argila expandida, o suficiente para cobrir o fundo do vaso, depois coloque areia em cima, até não ver mais as pedras. Faça uma cama de terra acima da areia e meça para ver se o torrão (raiz + terra) da muda ficará totalmente dentro do vaso. Por último complete com mais terra, até cobrir todo o torrão da planta.

5. Coloque alguma cobertura vegetal morta em cima da terra, como casca de pinus ou casca de arroz.

6. Por último, basta regar abundantemente o vaso, até começar a sair água por debaixo. As próximas regas são mais suaves.


Como fazer a manutenção

REGA: regue apenas quando a camada mais inferior do vaso estiver seca. Para medir basta colocar seu dedo a uma profundidade que cubra até sua segunda falange do dedo. Se estiver seco, é a hora de regar. Se ainda estiver úmido, não regue. O maior erro na horta é o excesso de água.

TERRA SEMPRE FOFA: a cada 20 dias lembre-se de afofar a camada mais superficial da terra, cerca de 5 cm de profundidade apenas. Para isto, retire a cobertura morta e use a ponta de uma colher para afofar e soltar a terra. Recoloque a cobertura.

ADUBAÇÃO: a cada 40 dias é necessário adubar seu vaso. Para isto, use um adubo orgânico, como bokashi, torta de algodão ou húmus de minhoca. Faça da mesma forma que faria o afofamento, retire a camada de cobertura morta, coloque um dos adubos escolhido e afofe bem a terra. Retorne a cobertura e termine regando.

RODANDO O VASO: para que a planta não cresça torta/inclinada, rode o vaso 45 graus toda semana. Caso contrário a planta poderá só estar recebendo sol de um lado e crescerá torta para frente.

Já imaginei algumas dúvidas que as pessoas poderiam ter com base nessas dicas da Gabi. E já perguntei pra ela.



A drenagem nos vasos é obrigatória? Não posso só colocar terra nos vasos?
É obrigatório sim fazer a drenagem, senão a planta morre ensopada. O que pode fazer é substituir a argila por outra pedra ou pedrisco e a areia por manta de drenagem. Essa drenagem é importante para fazermos um caminho para a água sair do vaso, mas para os nutrientes ficarem. 

Quais temperos precisam de menos sol?
Quem pode ficar com um pouquinho menos de sol, umas 3 horas de sol direto, é a hortelã, melissa e salsinha. As demais precisam de bastante, de 4 a 5 horas diárias, lembrando que os princípios ativos, ou seja, os benefícios delas, só são produzidos na presença de sol suficiente. Abaixo disto ela pode até viver, mas não será funcional. 

Que ervas precisam de mais água (não é encharcar a terra, hein)?
Salsinha, cebolinha, hortelã, melissa, coentro e manjericão.

Quem precisa de menos água? 
Alecrim, segurelha, sálvia, tomilho, capim limão e lavanda. 


Mais detalhes sobre o trabalho da Gabi

Ela é bióloga, herbalista e especialista em ervas aromáticas e especiarias. Possui a empresa Hortas e Saberes, que trabalha com cursos sobre ervas, hortas e culinária pelo Brasil.
Instagram: @hortasesaberes
Facebook: Hortas e Saberes.

Hambúrguer sem glúten - R$ 2,69

9 de março de 2018
Tá preparado pra revolução alimentar? Porque é isso que tá em curso nesse país. Depois de várias gerações de cegueira e manipulação dos gigantes da indústria, que fizeram até mulheres indígenas acreditarem que leite em pó é melhor que leite materno, o jogo tá começando a virar. Tá acompanhando as notícias? As vendas das marcas de refrigerante estão começando a cair. Muita gente, de todas as classes sociais, tá começando a entender os rótulos das comidas do supermercado e tá recusando determinados alimentos entupidos de conservantes. E outra revolução, que considero maior ainda, as pessoas estão voltando a cozinhar. E a gostar disso. E tão vendo que cozinhar pode ser prático (Obrigada, Rita Lobo), fácil, sai muito barato e é a alternativa mais saudável sempre!

O melhor exemplo disso é a nossa receita de hoje! Ela rende 10 hambúrgueres e me custou R$ 2,69. Isso quer dizer que cada unidade saiu por R$ 0,26 centavos! Dá pra acreditar? E o melhor ainda é que vou tentar te ajudar a criar os seus próprios hambúrgueres, adaptando a receita ao que você tiver em casa, aos vegetais da estação. 

Eu não queria dar espaço pro hambúrguer aqui. Porque, né, não é coisa nossa isso. É coisa dos Estados Unidos, país com os piores hábitos alimentares do mundo. Mas, temos que lidar com a nossa realidade também. O brasileiro viciou em hambúrguer. Aqui em Floripa, pelo menos, tem uma hamburgueria por esquina. Umas defendem o hambúrguer gourmet, aquele que custa o nosso rim mas continua sendo frito no óleo de soja transgênico e requentado. Outras vendem umas opções mais modestas, que levam ingredientes tão zoados que, depois de comer, você sente azia até o mês seguinte. 

E quando a gente fala em hambúrguer vegetal, não é fácil encontrar uma opção decente também. Já comi cada coisa medonha, seca, farelenta, mal temperada, que olha, dá um desânimo! E outra: é difícil encontrar opção de hambúrguer vegetal que não leva farinha de trigo pra dar liga, o que torna difícil a vida para os celíacos. 

Resolvi fazer uma moral com a galera do sem glúten e investir numa receita revolucionária: simples, baratíssima, saborosa, com uma textura agradável, 100% vegetal e que não levasse nenhum tipo de farinha. Depois de alguns testes, percebi que a batata é um ingrediente maravilhoso pra dar a textura perfeita pro hambúrguer. Ela deixa firme e consistente, mas não seco. 

Então vamos lá?

Esse é de berinjela, batata e cebola. Temperei com: cominho em pó, canela, alho poró, tomilho fresco e sal. 

Você vai precisar de um vegetal que não seja rico em água, como a berinjela. Aqueles mais aguados, como abobrinha e tomate, podem fazer o hambúrguer desmanchar na hora de assar/grelhar. E, pra dar a liga da massa de hambúrguer, você vai precisar de um tubérculo (inhame, mandioca, batata inglesa, doce, mandioquinha) na mesma proporção do vegetal acima. 

Na receita que eu fiz, usei a mesma quantidade de berinjela e de batata rosada. Não precisa medir na balança, pode fazer no olho mesmo. Peguei três batatas médias e duas berinjelas médias pra receita. Pra dar sabor, você pode agregar: cebola, alho, alho poró, gengibre. 

Aí você pode assar os três ingredientes juntos no forno (eu usei berinjela, batata e cebola) ou cozinhar no vapor, que é mais rápido. Dica importante: não cozinhe NA ÁGUA! A água vai deixar os vegetais muito aguados, úmidos, o que vai dificultar a liga da massa, além de deixar tudo com menos sabor. 

Depois que cozinhei os três ingredientes juntos no vapor até ficarem bem molinhos, juntei tudo numa tigela e amassei com um garfo. Essa é a nossa massa! Aí é só temperá-la: coloquei um pouco de cominho em pó, canela, tomilho fresco, sal, pimenta do reino e um pedacinho de alho poró cru mesmo. Mas você pode colocar o que quiser: cheiro verde, curry, hortelã, manjericão, coentro, orégano, pimentas mil. 

O segredo da textura da massa é deixá-la esfriar na geladeira por 1 hora ou 15 minutos no congelador. Se você for tentar moldar a massa quente, vai grudar na sua mão e na frigideira. 

Atenção nessa dica aqui, hein? Pode fazer o hambúrguer do tamanho que quiser. Não recomendo fazer muito grande pra não desmanchar na frigideira, nem muito grosso, pra não fica cru por dentro. Eu costumo fazer do tamanho do diâmetro da minha mão e com um dedo de altura

Por fim, vamos grelhar. Você pode assar no forno pré-aquecido, para uma versão mais sequinha do hambúrguer. Ou pode grelhar na frigideira. Quanto mais óleo, mais crocante vai ser a casquinha do hambúrguer. Não vai exagerar, hein? Pode fritar por imersão também (só não vai fazer isso sempre) ou pode assar na churrasqueira! Tô alucinada pra testar essa última opção, mas ninguém me chama pra churrasco nenhum! hahaha

Na geladeira, os hambúrgueres duram cerca de 4, 5 dias. No congelador, 3 meses. 

Ingredientes
⠂1 porção de um vegetal com pouca água
⠂a mesma quantidade de batata, inhame ou mandioca 
⠂ temperos a gosto. 

Modo de preparo
Cozinhar os vegetais no vapor ou assar, amassar bem, temperar com o que tiver em casa, deixar a massa esfriar na geladeira ou congelador, moldar com as mãos e grelhar. 

Outra dica: se você achou a massa muito mole e tá achando que não vai rolar de grelhar, acrescenta um pouco de farinha de trigo ou farinha de arroz, ok? Na dúvida, leva ao forno que tem menos chances de desmanchar!

Pronto!

Vou deixar aqui embaixo mais sugestões de hambúrgueres que você pode montar em casa.

Brócolis e batata doce. Temperos: alho, orégano, salsinha, pimenta do reino.

Couve-flor e batata inglesa. Temperos: cebola, curry em pó, cebolinha.

Berinjela e abóbora. Temperos: gengibre, manjericão, pimenta do reino. 

Feijão preto e abóbora. Temperos: alho, cominho em pó, canela em pó, páprica defumada, cebolinha.

Lentilha e inhame: Temperos: alho poró, orégano, páprica picante, cúrcuma, hortelã. 

Feijão branco e abóbora. Temperos: alho, alecrim fresco, coentro em pó, cebolinha. 

Observação: Se for fazer algum hambúrguer de mandioca, lembra de cozinhá-la na água. No vapor, vai demorar muito. 

Não esqueça de me mandar foto depois de fazer a receita, tá?

Pode ser por e-mail: comidasaudavelpratodos@gmail.com

Ah!

Você pode levar o hambúrguer pra comer de lanche no trabalho, junto com um pão ou uma torrada, salada. E é uma ótima opção também para as crianças!

Ovomaltine caseiro - R$ 4,84

5 de março de 2018
Pensei, pensei e pensei e resolvi ceder. A receita de hoje foge um pouco da proposta do Comida Saudável pra Todos. Por mais que seja vegana e custe menos de R$ 10, ela precisa de um ingrediente que não é acessível pra todos: a cevada tostada, solúvel e em pó. Aqui em Floripa eu já encontro em quase todas as lojas grandes de produtos naturais e em um ou outro supermercado. Em geral, o preço varia entre R$ 17 e R$ 22 o pote de 200 gramas. Como vamos usar apenas 30 gramas de cevada pra fazer 350 gramas de ovomaltine, não fica tão caro. Também dá pra comprar pela internet. Resolvi postar porque mostrei no stories do Instagram há um tempo atrás e recebi mais de 30 mensagens implorando pra divulgar a receita. 

Eu descobri esse negócio quando comprei um vidrinho de ovomaltine caseiro em uma feira vegana. Tomei com leite de amendoim bem gelado e dei até gritos quando coloquei a mistura na boca porque é uma coisa imensamente deliciosa. Perguntei pro pessoal da feira como é que se faz. Eles só falaram que leva cevada tostada pra dar o gostinho de malte e desde então saí em busca desse negócio feito uma louca. Comprei cevada tostada normal, que é bem barata mas não é solúvel, e ficou horrível. Já tava desistindo quando encontrei o pote do El Pocillo, a marca de cevada tostada solúvel. Comprei, fui ajustando as medidas de açúcar e cacau e cheguei numa mistura que considero BASTANTE digna. Mas você não precisa seguir exatamente a receita que vou postar. Se quiser o gosto de torrado mais forte, acrescenta mais cevada ou aumenta a quantidade de cacau... Só não vai dobrar a quantidade de açúcar porque, né, não dá pra exagerar nesse ingrediente. Onde tem açúcar, tem que ter cautela

A história da marca dessa desgraça viciante chamada ovomaltine é loooonga. Começou na Suíça, em 1904, depois foi pros Estados Unidos e pro resto do mundo. A receita base leva malte, leite, ovos, pitada de cacau, vários açúcares, aromatizante e conservante. Hoje existem várias fórmulas circulando no mundo e a novidade da receita brasileira é que, desde setembro de 2017, ela virou quase vegana. Tiraram os ovos e o leite em pó da receita e agora só falta mudarem a origem de um vitamina para a fórmula virar vegana mesmo. Coisa que a marca está se esforçando pra fazer, segundo e-mail que eles mesmos me mandaram. 

Então vamos à receita de hoje. Primeira coisa: não espere que fique idêntico ao sabor do ovomaltine industrializado. É impossível, mas prometo que fica bem parecido. 

Nesse dia, tomei com leite de coco. 

Dicas de leite vegetal pra combinar com o ovolmatine

→Leite de amendoim torrado
→Leite de coco
→Leite de arroz. 

Pra fazer todos eles, basta usar a proporção de 1 xícara do ingrediente pra 3 ou 4 xícaras de água, depende de quão grosso você prefere o leite. Aí basta bater no liquidificador e coar. O amendoim precisa ficar de molho por 8 horas pelo menos, pra neutralizar os fitatos, o coco pode ser o ralado vendido pronto (sem açúcar) e o arroz precisa estar cozido. Dá pra fazer com ele cru, deixado de molho, mas eu não gosto. 

Ingredientes do ovomaltine caseiro vegano
⠂1 xícara de açúcar demerara ou cristal (tem que ser esses dois porque vão dar aquele "crocante")
⠂1/2 xícara de cevada tostada solúvel
⠂1/3 de xícara de cacau em pó 100%
⠂1 pitada de canela (opcional)

Aí estão os ingredientes! O primeiro aqui de baixo é a cevada! Dessa vez não coloquei canela.
Como eu fiz
Misturei tudo numa tigela, mexi bem e depois guardei num pote de vidro com tampa. Não sei quanto tempo dura porque aqui em casa sempre acaba rápido. Mas o açúcar é um ótimo conservante e deve durar, no mínimo, uns três meses.

Na hora de beber: se bater no liquidificador, o pozinho do ovomaltine caseiro vai ficar mais bem misturado ao leite. Eu gosto do pozinho que sobressai em cima do copo, pra comer de colher, então só misturo direto no copo com a colher mesmo.

Pronto! Só não esquece de tomar com moderação porque, apesar de não ter conservantes, tem muito açúcar! 

Essa é a marca de cevada tostada solúvel que compro!

Como calculei o preço
Açúcar demerara - R$ 4,89 kg - Usei 182 gramas = R$ 0,88
Cevada tostada solúvel - R$ 22/200g - Usei 30 gramas = R$ 3,30
Cacau em pó - R$ 22/kg - Usei 30 gramas = R$ 0,66. 
Total: R$ 4,84. 
Rende um pote de vidro de 350 gramas.