Bolo com claras de linhaça - R$ 9,11

29 de janeiro de 2018
Hoje não vai ter textão porque daqui a pouco tô indo pras Minas Gerais. Delícia! Mas não é por isso que a receita de hoje deixa de ser revolucionária. 

Há muito tempo que eu tento encontrar substitutos para os ovos nas receitas. Não só por uma questão de o blog ser só de receitas veganas, mas porque os ovos orgânicos e caipiras são muito caros também. São pra poucos. Nas feiras aqui de Floripa a dúzia costuma custar entre R$ 12 e R$ 15. 

E os ovos de granja não preciso comentar, né? Além da galinha viver uma vida de remédios e ração transgênica, ela é escravizada. Os abatedouros de frangos também possuem condições insalubres de trabalho e respondem a vários processos na justiça por submeter seus funcionários a condições análogas à escravidão. 

Por isso, o bolo de hoje, feito de cacau e café, foi feito com claras de linhaça. Eu já tinha utilizado a baba da linhaça e da chia em outras receitas de bolo, mas sempre me incomodou o gosto residual ou os pedaços das sementinhas na massa. Dessa vez, fiz as claras de forma diferente, seguindo a receita do livro Ingredientes Caseiros Veganos, da Miyoko Schinner. Elas realmente alcançam uma textura chocantemente semelhantes às claras de ovo. Até agora não acreditei direito. 

A autora do livro explica que essas claras podem ser usadas para suflês, omeletes veganos, musses, merengue. Mas para bater as claras de linhaça em neve é necessário ter batedeira. Como eu não tenho, ainda não pude testar essas versões. No meu bolo, apenas bati como se fossem ovos junto com os outros ingredientes líquidos no liquidificador. 

Ingredientes das claras de linhaça
⠂3 xícaras de água
⠂1/2 xícara de grãos de linhaça marrom ou dourada

Modo de fazer
Em uma panela de boca larga, misture os grãos com a água e deixe cozinhar em fogo médio de 10 a 15 minutos. O líquido tem que reduzir bastante e ficar uma mistura espessa e pegajosa. Desligue o fogo e pegue uma tigela. Com uma peneira, separe essa baba dos grãos de linhaça, espremendo bem. O gel que sobrar são as claras!! Com os grãos que restaram, faça a receita de cracker de linhaça do blog. Link aqui

Na geladeira, as claras duram cerca de uma semana. No freezer, cerca de três meses. Para bater em neve, o ideal é deixá-la um tempo na geladeira, de preferência de um dia pra noite. Se for fazer bolos e tortas, pode usar assim que acabar de fazer. 

E, pasmem, dá pra usar essas claras de linhaça como gel de cabelo! Eu não sabia! Uma seguidora do Instagram me escreveu contando que já faz isso. 


Nunca aprendi a colocar a cobertura sem esparramar pros lados. Mas talvez a graça esteja aí!rs
Ingredientes da massado bolo 
⠂2 xícaras de farinha de trigo integral 
⠂1 xícara e 1/2 de açúcar mascavo
⠂140g de claras de linhaça (o equivalente a três ovos)
⠂1 xícara de água ou leite vegetal 
⠂1/2 xícara de óleo de girassol
⠂1/3 de xícara de cacau em pó
⠂1/4 de xícara de café passado
⠂1 colher de sopa de vinagre de maçã
⠂1 colher de chá de bicarbonato de sódio

Modo de fazer
Pré-aquecer o forno. Peneirar a farinha, o cacau e o açúcar em uma tigela e reservar. No liquidificador, bater todos os ingredientes líquidos, menos o vinagre. Misturar a massa líquida na tigela com os secos, mexer bem, e quando a passa estiver bem incorporada, acrescentar o vinagre e o bicarbonato. Despejar numa assadeira redonda untada com óleo, essas com o furo no meio, e assar por cerva de 50 minutos a 180 graus. 


A massinha do bolo fica assim. Não cresce horrores!

Cobertura
⠂3/4 de xícara de leite de aveia com o resíduo (ou outro leite vegetal bem encorpado)
⠂2 colheres de cacau em pó
⠂2 colheres de sopa de café passado (opcional)
⠂2 colheres de sopa de açúcar mascavo
⠂1 colher de café de essência de baunilha
⠂uma pitada de canela em pó (opcional)

Observação: Se tiver em casa uma barra de chocolate amargo, pode derretê-la e misturar com o leite vegetal numa panela até engrossar. Fica sensacional!

Como fazer
Só misturar tudo numa panela e mexer até engrossar. Depois é só despejar sob o bolo assim que desenformá-lo. 


Ficou bonitinho, vai?

Ah! Se fizer outras receitas com as claras de linhaça, me escreve, manda fotos no Instagram!

Panqueca de milho (arepa) - R$ 1,21

22 de janeiro de 2018
Andei pensando em ser mais enxuta nos textos que escrevo aqui. Até que uma pessoa me escreveu falando que não tinha interesse nas receitas, mas não perdia um único texto do blog. Achei sensacional! Deve ter gente que só espia os ingredientes, outras que curtem os textos e, quem sabe, uma ou outra que gosta do pacote todo. 

Podem me escrever a vontade. Não criei esse negócio pra massagear meu ego. Não quero atingir 1 milhão de seguidores no Instagram ou ganhar uma medalha do Facebook. Me interessa a interação, as pessoas incríveis que tenho conhecido, o quanto cada uma têm me ensinado e, quem sabe, posso contribuir com uma coisa ou outra. 

Fico com receio dessa coisa de ser um exemplo. Principalmente se for um exemplo de algo que não está muito claro. Tenho medo que as pessoas me compreendam mal. Eu não sou fitness e tenho pavor dessa onda de nutricionalizar demais a alimentação. Tenho me interessado mais na história dos ingredientes do que nas propriedades nutricionais deles. Tenho comido mais arroz branco, sem me culpar por não ter escolhido o integral. Tenho comido pão caseiro, sem medos. Ando tendo pavor de livros de receitas. São todos iguais, todos domesticadores, caixinhas onde precisamos nos encaixar em vez de deixar a criatividade solta na frente do fogão.

Enfim.

O café da manhã é a minha refeição preferida. Deve ser porque a vida inteira eu só tomei nescau com leite. Hoje eu faço coisas, misturo frutas, coloco ervas em infusão, bato farinhas, tiro bolos do forno, pães, surgem panquecas na frigideira. É delicioso. Uma pena ter que ir trabalhar e não poder ficar na mesa até o meio-dia. 

Tenho buscado comer coisas o mais verdadeiras possível. Que já foram inventadas pelas nossas bisavós, não pela indústria. Gosto muito de tapioca de manhã. Quando como, me sinto fazendo parte de algo maior, me sinto acolhida e integrante dessa coisa maravilhosa que a gente chama de Brasil. Ninguém vai me convencer de que existe outra coisa capaz de nos unir tanto quanto a mandioca. Pode olhar. Tem índio no Pará no verão e gaúcho de olho azul no inverno comendo mandioca ao mesmo tempo. 

Agora tô começando a minha fase de foco no milho. Sempre amei milho, mas odeio os enlatados. Sei identificar desde pequena quando o milho é de verdade ou de latinha. Sempre odiei milho no cachorro quente, na pizza, no macarrão, essas coisas. E amava incondicionalmente a pamonha e o milho do carrinho do tio da praia. 

Por causa dessa fase, tenho comprado farinha de milho. Na verdade, é coisa do Lúcio, não minha. Ele tem feito uns pães incríveis com farinha de milho. Então ela tá aqui no armário dando sopa. Lembrei que já tinha feito arepas colombianas com uma farinha que ganhei, muito parecida, e resolvi testar em casa, ver se dava pra fazer panqueca de milho.

Não só deu, como ficou uma delícia imensa. E prático. E com sabor de aconchego, cheiro de infância. Recomendo baldes!

A receita deve ser feita no olho. Liberte-se de receitas, por favor! Pra quem ainda é inseguro nesse quesito, incentivo a tentar mais, arriscar, não se cobre perfeição sempre. Temperar nunca vai levar à perfeição, algo absoluto. 

A massa deve ficar em ponto de mingau. Nem líquida, nem seca. Pra dar certo, a frigideira tem que estar bem quente e deve ser untada com um pouco de óleo ou azeite. 

Sobre o preço: Usei a farinha orgânica, que paguei R$ 9/kg. Se você usar a normal, o preço da panqueca deve cair pela metade. 

Vai dizer que não dá vontade de comer? Confesso que comi metade com as mãos.

Ingredientes para 1 panqueca bem servida
3 colheres de sopa bem cheias de farinha de milho (fubá)
1/2 xícara de água (pode variar de acordo com o tipo de farinha)
temperos de sua preferência

Atenção: Há milhões de tipos de farinha de milho, de texturas bem diferentes. Use a mais fina que encontrar. Não pode ser a flocada, ok?

Observação: você pode colocar sal ou não. Pode colocar um pouco de melado de cana e canela. Pode colocar orégano, páprica, cheiro verde, pimentas, o mundo é o limite. Nesse da foto: temperei com uma pitadela de sal, gergelim preto e salsinha. Apenas. 

Como eu fiz
Misturei todos os ingredientes numa tigela. Fui mexendo até a farinha absorver bem a água. É bom esperar uns 2 minutinhos nesse processo. Esperei a frigideira ficar bem quente, coloquei dois fios de azeite e despejei a massa lá. Espalhei a massa com uma colher grande. Esperei o lado de baixo da panqueca ficar bem sequinho e dourado, depois virei e repeti o processo. 

Atenção:A sua frigideira tem que ser antiaderente e não ter o hábito de grudar tudo. Se ela não for das melhores, você vai precisar untar com mais azeite. 

Dica valiosa: Muita gente tem me escrito relatando dificuldades com essa receita. Não esqueça de deixar a frigideira bem quente antes de despejar a massa. E só vire de lado quando tiver bem tostadinha em baixo. O fogo precisa estar baixo pra não queimar. Se mesmo assim a sua arepa ficar muito quebradiça ou não atingir a textura de panqueca, coloque 1 ou 2 colheres de sopa de aveia em flocos na massa. 

Me conta que história essa receita te faz lembrar?

Moqueca de caju - R$ 8,86

17 de janeiro de 2018
Quem disse que comida é só um bando de ingredientes misturados dentro de um prato? Comida é cultura, ajuda a contar a nossa história. É por isso que eu tenho pavor de whey protein. 

E entre os pratos que mais ajudam a contar a história do nosso país está a moqueca. Dei uma pesquisada sobre a origem da delícia colorida e descobri que ela começou com alguns povos indígenas. Eles criaram o hábito de cozinhar peixes em um caldo bem temperado dentro de uma panela de barro. Os portugueses acrescentaram alho e cebola nesse prato e os negros, o leite de coco e azeite de dendê. Ou seja, é uma mistura imeeensa!

Até pouco tempo atrás eu vivia bonitona achando que moqueca era coisa da Bahia apenas. Mas fui entrevistar o chef de um restaurante bem tradicional daqui de Floripa e ele me disse que cresceu comendo moqueca, assim como os pais dele também cresceram aqui se entupindo de dendê. Não é maravilhoso? Fui mais uma vez pesquisar, porque sou obsessiva por pesquisas (e o Google nem me patrocina) e descobri que a moqueca é tradicional na maior parte dos estados que compõem o litoral brasileiro. Achei bafo. 

Só que cada região tem as suas peculiaridades. Na Bahia, eles capricham na pimenta. Aqui em Floripa, se come com arroz branco e pirão. A moqueca capixaba leva menos temperos e nem sempre é finalizada com azeite de dendê. E assim vai. 

Como eu não como peixe, vamos falar de versões vegetarianas de moqueca. Já fiz várias vezes a de banana da terra. Fica uma delícia, mas nada de comer rezando. Também já provei a de palmito por aí e achei apenas digna. Até que Dona Neide, também conhecida como minha mãe, trouxe toneladas de caju do Rio Grande do Norte. Perguntei no perfil do Instagram o que fazer com eles e muita gente recomendou m-o-q-u-e-ca. Aliás, a galera me mandou mais sugestões. Já fizeram e recomendaram uma versão com abobrinha e outra moça, ousadíssima, já fez com mandioca e abóbora

Olha, mas essa de caju é muito surpreendente. Comeria todos os dias da vida. A textura dele é muito suculenta e caiu como uma luva nesse caldo temperadíssimo!

A foto não ficou maravilhosa, para variar, porque estávamos famintos e com pressa pra comer.

Então vamos à receita. É fundamental ter uma panela de barro para tal. Porém, as minhas ficaram na mudança na casa da minha sogra, em São Paulo. No apartamento que eu moro hoje, provisoriamente, não tem nenhuma. Se você tiver, maravilhoso. O barro da panela ajuda a deixar a moqueca quente por mais tempo e também evita que o leite de coco talhe. Senão, faz com a normal mesmo. Segue o bonde. 

Aí estão os ingredientes. Não tem nada de diferentão, difícil de encontrar.
Ingredientes - serve 3 pessoas
⠂3 cajus cortados em fatias
⠂3 tomates picados em cubos
⠂1 cebola roxa cortada em cubos
⠂1 pimentão verde cortado em rodelas finas (é o mais barato)
⠂1 xícara e 1/2 de leite de coco
⠂azeite de dendê a gosto (usei 3 colheres de sopa)
⠂1 colher de sopa de urucum (ajuda a tirar a acidez do tomate e dá aquela cor maravilhosa)
⠂sal a gosto
⠂2 pimentas dedo de moça cortadas em cubinhos (opcional)
⠂coentro/salsinha a gosto
⠂gotas de limão a gosto (opcional)

Como eu fiz
Refoguei a cebola com 1 colher de azeite de dendê. Depois de dourada, acrescentei a pimenta, o tomate e o urucum. Deixei cozinhar por uns 5 minutos e coloquei os cajus, as rodelas de pimentão, o sal e o leite de coco. Deixei cozinhar, sem mexer, por 15 minutos. Desliguei o fogo, acrescentei outras 2 colheres de dendê, algumas gotas de limão e o coentro picadinho.

Comi com pirão (feito de farinha de mandioca, sal e um pouco do caldo da moqueca) e arroz, ouvindo Maria Bethânia. 💖

Como armazenar óleos, grãos, farinhas e vegetais

10 de janeiro de 2018
Muita gente me pede dicas de como armazenar comida pra durar mais tempo e evitar o desperdício. Vamos falar sobre isso hoje. Demorei a fazer esse post porque requer bastante estudo e pesquisa. Eu não saio escrevendo qualquer coisa que vejo pela frente, viu? Em quatro anos de faculdade de jornalismo, aprendi pelo menos a buscar fontes confiáveis. 

As dicas abaixo foram quase todas tiradas do livro Dicas para cozinhar bem: um guia para aproveitar melhor alimentos e receitas, do Harold Mcgee. 

Antes de dar as dicas sobre as melhores formas de guardar óleos, grãos, farinhas e vegetais, eu queria lembrar outra coisa muito importante. Mesmo sem ter vivido tsunamis e terremotos, a gente se acostumou a fazer o rancho do mês e estocar comida. Eu aprendi com a minha mãe, que nunca viveu pra ver uma geladeira e uma fruteira vazias. 

O problema de comprar sempre em muita quantidade é que as coisas vão ficando velhas. Por mais que não estraguem se você seguir as dicas perfeitas de armazenamento, comida velha é comida com menos sabor e menos nutrientes. 

Um maço de rúcula não foi feito pra durar 15 dias na geladeira, assim como um quilo de farinha e um vidro com pimenta do reino não podem ficar estocados por um ano no armário. 

É por isso que muita gente faz cara feia pra legumes e verduras. De tanto tempo na geladeira, eles ficam sem graça e sem gosto. Tomates então! É impressionante o quanto perdem sabor ao serem refrigerados.

Então, a primeira dica desse post é: 

Antes de se preocupar em fazer a comida durar mais tempo, preocupe-se em comprar menos de uma vez e só ir abastecendo a geladeira e o armário a medida que as coisas acabarem mesmo. Tem legume e fruta há mais de uma semana em casa? Coma esses antes de sair comprando mais. Vá mais vezes por semana à feira e ao hortifruti. Os chineses, por exemplo, só comem comida fresca. Eles entendem que, quanto mais perecível, mais saudável é o alimento. E quando comemos um vegetal logo depois da colheita, ele vai fornecer mais nutrientes, o que facilita a digestão, e será muito mais suculento. Ir ao mercado de verduras diariamente é um hábito como escovar os dentes na China. 

E outra dica: se você mora num lugar insuportavelmente quente, como o Rio de Janeiro no verão ou Palmas, no Tocantins, o ano inteiro, praticamente todos os vegetais precisam ir pra geladeira, viu? Talvez nem a cebola sobreviva em temperatura ambiente. 

Explicado esse ponto, vamos às dicas de armazenamento



A regra geral é: todos os alimentos do reino vegetal conservam mais nutrientes e sabor se armazenados em temperatura ambiente. A geladeira serve como ajuda para casos de algumas frutas e legumes que estragam muito rapidamente, como pimentão, berinjela e morango. Os cogumelos e brotos são uma exceção: precisam ser refrigerados sempre.

Atenção: se você for usar sacos plásticos pra armazenar os legumes na geladeira, reutilize-os sempre. Nada de ficar gerando lixo. Muita gente guarda folhas verdes em potes separados em camadas por papéis toalha também. Eu acho um absurdo o que isso gera de resíduo. Então não faço assim. 

Óleos e gorduras

Devem ser guardados no armário, bem fechados. Precisam estar protegidos do calor, umidade, ar e da luz. Do contrário, vão oxidar ou estragar mais rápido. Jamais guarde os vidros de azeite e óleos perto do fogão, microondas, forno ou debaixo da pia. As tampas também precisam estar bem fechadas. O contato com o ar diminui a validade de praticamente tudo

Grãos, sementes, castanhas e farinhas

Feijão, linhaça, lentilha, arroz, farinha de mandioca, trigo, centeio, côco ralado, amêndoas, cacau em pó e seus amigos devem ser guardados em lugar seco, fresco (longe do calor do fogão e microondas) e no escuro. Se forem comprados a granel, guarde-os em vidros bem fechados. Se forem comprados em sacos, guarde-os também em vidros bem lacrados depois de abertos. Nada de colocar o grampo de roupa pra fechar os pacotes. 

Os grãos integrais e as féculas duram menos tempo que o resto. Então compre-os sempre em menor quantidade, pra usar rápido e não estragar. 

Frutas

Atenção com a lavagem: as frutas só devem ser lavadas na hora do consumo. O contato com a água pode tirar a película protetora das cascas, o que vai fazer com que elas estraguem mais rápido.

Na geladeira: maçã, uva, morango, framboesa, amora, acerola, mirtilo, caju, siriguela. Sempre em sacos fechados ou potes com tampa. Depois de cortadas, todas as frutas precisam ser guardadas na geladeira em potes ou vidros fechados. 

Em temperatura ambiente, na fruteira: maracujá, laranja, abacaxi, limão, banana, tomate, mamão, manga, melancia, melão, pêra, tangerina, kiwi, pêssego, ameixas, abacate.

Legumes e verduras

Na geladeira, na parte de baixo/gavetas: berinjela, cenoura, beterraba, chuchu, pepino, jiló, quiabo, vagem, e pimentão podem durar mais tempo se armazenados dentro de sacos plásticos ou potes bem fechados. Milho, brócolis e couve-flor também duram mais quando refrigerados. 

Em temperatura ambiente: alho, batatas, cebola, repolho, gengibre, alho poró, inhame, mandioca, abobrinha. Não guarde o alho picado em potes com óleo!!

Ervas frescas

Todas as ervas podem ser armazenadas fora da geladeira se colocadas em um copo com água, com líquido suficiente apenas pra molhar o caule. Essa água deve ser trocada a cada dois dias

Manjericão e louro não se dão bem com o frio. Evite colocá-los na geladeira. As outras ervas, em dias muito quentes, podem ser resfriadas depois de serem bem lavadas e estarem secas. Sempre na parte menos fria da geladeira, nas gavetas. Deixe escorrendo por algumas horas em lugar fresco e depois armazene cada uma em uma recipiente de vidro, bem fechado. De preferência em pé, com os caules pra baixo. 

Folhas verdes

Na geladeira: rúcula, couve, alface, mostarda, acelga e etc devem ter as folhas separadas, lavadas uma a uma e armazenadas bem secas em sacos plásticos ou potes. Sempre colocadas na parte de baixo da geladeira. As folhas odeiam frio. Eu coloco cada uma delas num saco plástico reutilizado e faço um balãozinho, pra que elas fiquem mais protegidas. 

Comida requentada

Sobrou feijão ou outros alimentos já cozidos e temperados? Guarde-os em potes de vidro por até três dias na parte mais fria da geladeira. O tempo de duração desses itens congelados varia de um a três meses. 

Industrializados

Qualquer alimento em lata, depois de aberto, deve ter seu conteúdo despejado em um vidro ou pote plástico e colocado na geladeira. As latas oxidam rapidamente!

Gostou das dicas?
Indica pra galera e segue a gente na página do Facebook e do Instagram

Fim. 

Leite condensado caseiro vegano

3 de janeiro de 2018
Parecia infinito, mas 2017 acabou. A coisa não foi tão ruim pra mim. Na verdade foi um ano ótimo na minha vida, mas como não fecho os olhos pro mundo, acho que o saldo não é muito positivo pra humanidade. 

2017 foi marcado pelo retrocesso. Nos direitos humanos e nos direitos sociais, principalmente. Tão querendo que a gente trabalhe até os 90 anos, sem carteira assinada. Sem falar na quantidade de gente desfilando ódio e preconceitos nas ruas e redes sociais. Se fosse fazer uma lista de atrocidades cometidas contra mulheres, negros, populações indígenas e LGBTs a lista teria milhões de páginas. Mas, como o assunto aqui é alimentação, vou focar nesse tema. 

Em 2017, avançou no Senado o projeto de lei que quer tirar o símbolo de transgênico dos rótulos dos alimentos que compramos no supermercado. Sabe aquele triângulo com um T maiúsculo que aparece na embalagem de óleo de soja, salgadinhos, e tudo o que tem transgênicos na composição? Então, uma galera do congresso quer chamar a gente de trouxa, mais uma vez, e não quer mais que esse símbolo seja obrigatório nos produtos!

Se isso realmente acontecer, vai ser difícil saber o que estamos comendo! Esse projeto é a PLC 34/2015 e o autor é o senador Cidinho Santos, do PR do Mato Grosso. Em setembro, foi aprovado numa comissão do Senado e agora temos mais duas votações em comissões pela frente. 

Outra notícia importante em 2017 foi o lançamento do Atlas Geográfico do Uso de Agrotóxicos no Brasil, da professora Larissa Bombardi da USP. É o maior estudo já feito sobre o tema no país. Os dados que ela cita são desesperadores. Um dos que mais me chocou foi sobre o feijão! O feijão brasileiro pode ter 400 vezes mais agrotóxico do que um feijão da Europa. Lá, eles são bem mais rigorosos com esses venenos. Se você quiser ler mais sobre o assunto, clica aqui

Apesar desse mar de agrotóxicos em que vivemos, a boa notícia é que o preços dos alimentos orgânicos tem caído cada vez mais e as feiras de alimentos cultivados pela agricultura familiar, sem venenos, estão crescendo horrores no Brasil. Se você está em busca de uma feira orgânica perto da sua casa, clica aqui ó. Esse link é um mapa do Brasil todo, com os endereços e horários de funcionamento de todas as feiras! Não perde!!! Um abacaxi orgânico, em geral, é caríssimo. Mas um pé de alface não! Não custa pesquisar. Eu consigo comprar folhas verdes, ervas, abobrinha, berinjela, tudo orgânico. Frutas ainda seguem sendo muito caras pra meu bolso. 

Enfim! Já tá bom de retrospectiva. Vamos partir pra receita de hoje. Ela não foi planejada. Dona Neide passou uns dias aqui comigo, trouxe estoque de comida pra 30 guerras mundiais, e produtos caríssimos que só ela é capaz de comprar, como amêndoas. Deixou umas aqui em casa e lá fui eu fazer leite pra tomar com café. Mas fui pra casa de umas amigas e esqueci o bonitão aqui! 

Os leites vegetais não duram mais do que dois ou três dias. Como não conseguiria tomar um litro de leite em um dia, resolvi fazer alguma coisa doce com ele. Lembrei que já tinha feito leite condensado de côco uma vez e achei maravilhoso. Resolvi testar com as amêndoas e foi um sucesso!

Não coloquei preço nessa receita porque não faço ideia de quantos milhões de reais minha mãe pagou nesse minúsculo saco de amêndoas que ela trouxe. Poderia pesquisar, mas achei melhor deixar sem preço porque é uma receita base, você pode usar com qualquer leite vegetal que tiver em casa, o mais barato, mais saboroso. Fica a teu critério. Minha dica é: faça o de côco! É muito saboroso! Se o côco seco tiver caro na tua cidade, faz de arroz, aveia, inhame, qualquer castanha ou amendoim. Só não recomendo fazer de gergelim ou semente de girassol, pois os dois não combinam com receitas doces.

Depois de fazer o leite condensado, você pode usar como quiser. Pode fazer brigadeiro, rechear bolo, comer com frutas. Só não vai sair comendo loucamente porque é super doce e nada com açúcar é saudável! Moderação, por favor! De qualquer forma, é melhor que o leite moça do mercado, porque não tem conservantes nem as propriedades inflamatórias que o leite da vaca tem. 

A receita rende cerca de 375 gramas de leite condensado. E dura mais ou menos 3 semanas fora da geladeira. Não guarda na geladeira porque vai ficar muito duro!

Ele fica com cor de doce de leite, mas não tem aquele gostinho de queimado.

Para o leite vegetal
1 xícara do grão, semente ou castanha da sua preferência
3 xícaras de água filtrada

Modo de preparo
Deixa os grãos de molho por 8 horas. Joga essa água fora, e bate no liquidificador com 3 xícaras de água nova. Coa com uma peneira e tá pronto!

Para o leite condensado
1 litro de leite vegetal
300 gramas de açúcar demerara (Não pode colocar menos açúcar! Não vai dar o ponto certo)

Modo de preparo
Mistura tudo numa panela e mexe, sem parar, por 40 minutos. Eu sei que é chato. Fiquei ouvindo música e lendo fofoca no telefone enquanto fazia isso. Passou rápido. O ponto exato do leite condensado eu mostrei lá no perfil do Instagram. Espia: @comidasaudavelpratodos. Mas é basicamente o ponto que atinge a textura do leite condensado tradicional.