Kitchari indiano - R$ 6,16

29 de setembro de 2017
Confesso que sou muito mais das medicinas orientais do que essa que impuseram aqui. A gente vai num médico porque tá com febre, ele diz que é uma virose e passa um remédio. E depois você descobre que, na verdade, era gastrite. Ninguém te avalia como um todo, pergunta se você dorme bem, se anda estressado, se come muito sal, se apanha do marido, se pratica esporte. Dão um remédio e um tchau. É claro que há milhares de médicos que não são assim. Tive uma consulta com uma clínica geral no SUS esses dias e ela me perguntou até o meu filme preferido. Mas são exceções, eu acho. 

Por isso que eu curto a medicina chinesa, por exemplo, que diz que tudo no teu corpo tá conectado. Dê uma pesquisada. 

Outra medicina incrível dos lados de lá é a Ayurveda. Eu descobri esse negócio, que parece palavrão, há uns anos atrás. Uma amiga do trabalho fazia uns tratamentos com uma terapeuta dessa linha e contava coisas maravilhosas. E essa mesma amiga indicou um restaurante indiano abrasileirado que servia um prato feito sem carne, barato e super aromático. Fui lá conhecer, fiquei louca e virou meu restaurante dos domingos. Pra quem mora no Rio, #ficaadica: chama-se Vegan Radhe Shyan, no bairro Tijuca. Eu já não moro mais no Rio e morro de saudades de lá.

Aí comecei a ler mais sobre a ayurveda e fiquei apaixonada pela Laura Pires, uma moça que teve esclerose múltipla e foi se tratar na Índia depois que os médicos daqui não foram muito otimistas. Depois de curada, a Laura virou terapeuta ayurvédica, dá cursos por todo o Brasil e tem alguns livros publicados. Pra saber mais sobre ela clique aqui.

Como eu não entendo muito sobre o assunto e não quero disseminar besteira, pedi pra outra terapeuta da área, que dá cursos aqui em Floripa, me ajudar a explicar certinho do que se trata a ayurveda e pra indicar uma receita que seguisse os seus princípios. Com vocês, algumas palavras da Jacobina Cantisani, formada pela Escola Yoga Brahma Vidyalaya com aprofundamento em Nutrição Ayurvédica pela International Academy of Ayurved, na Índia. 

A Ayurveda (Ayur = vida, Veda= ciência) é um sistema tradicional de saúde praticado na Índia há pelo menos 5 mil anos. Surgiu a partir da dedicação de sábios que, por meio da meditação e observação de si mesmos e da natureza que os cercava, desenvolveram métodos para manutenção da saúde, prevenção e cura de doenças.

Eles perceberam como o corpo reage de diferentes formas e tem necessidades distintas dependendo da estação do ano/clima/horário do dia e que também existem diferentes tipos de corpos, que reagem de formas diversas à mesma situação, clima, estímulo ou alimento. A partir dessa observação, surgiu também o entendimento dos biotipos, onde cada um tem características e necessidades próprias:

Vata - composto pelos elementos ar e éter, possui características semelhantes a estes elementos: frio, secura, leveza, movimento. Sendo assim, pessoas com este biotipo se beneficiam das características opostas, ou seja, calor, umidade, peso e estabilidade.

Pitta -  composto pelos elementos fogo e água possui: calor, fluidez e intensidade. Beneficiando-se de frio ou frescor, moderação e tranquilidade.

Kapha - composto pelos elementos terra e água, é frio, úmido, pesado e lento, encontrando benefícios com calor, secura, leveza e estímulo.

A medicina indiana entende que a qualidade da digestão determina a saúde ou o adoecimentoA digestão está equilibrada quando não apresentamos desconfortos gastro-intestinais, sonolência, embotamentos dos sentidos, cansaço ou tristeza. Mas, se esses sintomas aparecem, precisamos de elementos para retomar o equilíbrio e uma ótima solução pode ser o uso de especiarias. As mais utilizadas e fáceis de encontrar são o gengibre, pimenta do reino, cúrcuma, cominho, coentro, louro, erva doce, canela e cravo.

Esses temperos possuem muitas propriedades medicinais, úteis na maioria das doenças de pulmão, cabeça e aparelho gastrointestinal. Em geral, equilibram Vata e Kapha e aumentam Pitta. São picantes, quentes, leves, secas, aromáticas e sutis. Também ajudam a eliminar toxinas e purificar o corpo e a mente. E, acima de tudo, dão cor, aroma e sabor à vida. 

Gengibre: ativa o fogo digestivo, facilitando a digestão; alivia gases intestinais, é sudorífero, expectorante e melhora náuseas.

Cúrcuma: é antiinflamatória, antioxidante, anti-séptica e analgésica. Pode ser utilizada tanto na comida, quando para cicatrizar feridas ou para aliviar dores de garganta (em pó, misturada com mel).

Pimenta do reino: ajuda a digerir alimentos mais pesados (carnes e laticínios); é descongestionante e expectorante; excelente para eliminar toxinas. Potencializa as propriedades da cúrcuma.

Cominho: ajuda a combater os efeitos de comidas pesadas como feijões, queijo e batatas. Diminui gases e distensão abdominal, ajuda na digestão. Contra indicado em casos de gastrite.

Coentro: ajuda a equilibrar receitas muito picantes e também na assimilação de nutrientes. Evita queimação, calor e transpiração.

Louro: Ajuda na digestão de laticínios, carnes e leguminosas. Diminui gases e cólicas.

Erva Doce: Digestiva e calmante. É indicada para insônia, gases, cólicas intestinas e menstruais e para aumentar a secreção salivar e a produção de leite materno.

Canela: utilizada para melhorar a digestão de alimentos doces e frutas. Também é diurética, expectorante e analgésica.

Cravo: facilita a digestão de alimentos doces; dissipa gases, combate náuseas e vômitos. Também é analgésico e vermífugo.

Modo de preparo: aquecer a panela e, com óleo vegetal e refogá-las antes para liberar suas propriedades. 

Sequência de preparo: grãos, ramas, folhas secas, pós e folhas frescas (estas últimas somente quando a preparação já estiver pronta).

Você não imagina o cheiro incrível desse negócio!!! 

Ingredientes do kitchari (serve 4 pessoas) 
⠂½  xícara de lentilhas (a lentilha tá cara, paguei R$ 17/kg. Mas na receita só usei 180g)
⠂½  xícara de arroz integral cateto
⠂1 cebola pequena em cubinhos
⠂½ xícara de cenoura ou abóbora cabotiá em cubinhos
⠂½ xícara de abobrinha ou vagem em cubinhos
⠂1 colher (chá) de cúrcuma em pó
⠂1 colher (sobremesa) de gengibre fresco ralado
⠂½  colher (café) de cominho em grãos
⠂1 folha de louro
⠂2 cravos da índia
⠄Óleo vegetal suficiente para refogar

Picando os ingredientes. 

Como fazer
Deixar o arroz e a lentilha de molho, por uma hora em água quente.
Numa panela de fundo grosso, aqueça o óleo e refogue o gengibre, o cominho e o cravo, na sequência acrescente a cebola e as outras especiarias, refogue por 1 minuto. Adicione os vegetais, misture bem e logo adicione o arroz e a lentilha. Cubra com água quente e deixe cozinhar em fogo baixo. Se necessário, acrescente mais água.

#Ficaadica
A lentilha marrom e o arroz cateto têm o mesmo tempo de cozimento. Caso queira mudar o tipo de arroz e de leguminosa, procurar aqueles que tem tempo de cozimento próximo.

Pra quem se interessar pelo assunto e quiser fazer um Workshop de Introdução à Alimentação Ayurvédica com a Jacobina, é só encontrar em contato pelo e-mail:jacobinacantisani@gmail.com ou telefone: (48) 99673-9631. 

Falafel de feijão - R$ 3,60

26 de setembro de 2017
Já dizia o Zeca Baleiro que quem não pode Nova Iorque, vai de Madureira. Eu amo grão de bico, fazia até brownie com ele (que nunca deu muito certo, na verdade), mas aqui em Floripa tá custando R$ 16/kg. 

Fora o preço, tem outra coisa. Não produzimos essa leguminosa no Brasil, ou seja, sabe se lá há quanto tempo foi colhida e quanto de combustível foi necessário pra chegar até a mesa da nossa casa. Na verdade, eu li que tem um produtor de Goiás cultivando grão de bico, mas é tudo pra exportação. 

Pensando em tudo isso, resolvi investir numa versão abrasileirada do tradicional falafelQuando eu morava no Rio de Janeiro, vivia comendo coisas árabes maravilhosas, como o falafel, mas aqui em Floripa mal se encontra uma esfirra. Então resolvi me arriscar pra tentar matar a saudade, tentando uma versão mais modesta do falafel, com o nosso amigo feijão fradinho. Da primeira vez que postei esses bolinhos aqui, uma seguidora mandou mensagem definindo essa receita da melhor forma: acarajé árabe! hahaha

O feijão fradinho, que também é conhecido como feijão de corda (mas tem lugares onde os dois são diferentes), é um ótimo substituto pro grão de bico em várias receitas. Sabe omelete vegetal que dá na moda? Faço com feijão fradinho ou feijão branco. Sabe homus, aquela pasta de grão de bico com tahine? Também faço com feijão fradinho. 

O bom é que a a leguminosa brasileira custa a metade do preço, mas também é cheia dos nutrientes. Essa reportagem cita um estudo de uma nutricionista que apontou a capacidade do feijão fradinho de reduzir o colesterol ruim. Ele também é rico em proteína, pra galera da maromba ficar feliz, e manganês. 

Muita gente só conhece a versão dele em saladas, mas pergunta pra galera dos estados do Nordeste a quantidade de coisa que dá pra fazer com o bonitão. Como eu ainda preciso fazer uma imersão gastronômica na Bahia pra me especializar (não vejo a hora), sigo investindo nas minhas versões de bolinhos mais simples mesmo. Também faço um prato dele com leite de coco e tomate, com toneladas de coentro picado (sim, sou do time do coentro), e fica um arraso. 

Vamos lá?

Pode fazer que não tem erro! É uma delícia. Eu comi com arroz, molho de pimenta e salada de berinjela.

Ingredientes do falafel - R$ 3,60 (rende 15 bolinhos)
⠂2 xícaras de feijão fradinho (de molho por 24 horas)
⠂1 cebola picada 
⠂2 dentes de alho picados
⠂1 xícara de salsinha fresca (coloquei 1/2 xícara de salsinha e 1/2 de coentro)
⠂1 colher de café de cominho em pó
raspas de 1/2 limão
⠂sal a gosto
⠂pimenta a gosto (coloquei do reino e caiena). Se você tiver aquele temperinho vermelho chamado sumac, é perfeito pra usar aqui. 

Como eu fiz
⠂Liguei o forno pra pré-aquecer.
⠂Escorri o feijão que tava de molho e lavei bem com uma água nova.
⠂Bati tudo no processador até formar uma massa bem homogênea. Fui provando a massa pra ajustar o sal e as pimentas.
⠂ Se o seu liquidificador for muuuuuito ruim, talvez não dê pra fazer, pega um melhor emprestado da vizinha. Se ele for mediano, exercite a tua paciência e vai batendo, parando e mexendo. Mas conselho de vida: guarda uns trocados do décimo terceiro e parcela um processador em 12 vezes. É muito útil na cozinha. 
Fiz bolinhas pequenas (elas ficam meio grudentas, parece que não vai dar certo, mas vai) com a quantidade de uma colher de sopa cheia dessa massa.
⠂Pode assar por 25 minutos ou fritar no óleo de girassol ou na air fryer. 

Observação 1: Caso a tua massa tenha ficado muito úmida (porque o feijão pode ter sido pouco escorrido), pode colocar 2 colheres de farinha de mandioca pra ajudar na liga. Mas tenta não colocar. Quanto menos farinha, mais suculento. 

Observação 2: recomendo servir com um molho de tahine (aquela pasta de gergelim), ricota de gergelim ou requeijão de inhame com bastaaante limão, bem azedinho. 

Pãezinhos de batata - R$ 2,12

24 de setembro de 2017
A receita de hoje muita gente já deve conhecer, mas vou te ensinar a fazer sem medidas. Você não precisa ser vegano pra fazer esses pãezinhos. Eles são uma forma de evitar que os tubérculos estraguem na geladeira. Você pode fazer com as sobras de abóbora, inhame, cará, qualquer batata e mandioca.. Vou testar em breve com milho e aviso se deu certo.

Esses dias aí sobrou batata doce do almoço e guardei lá na geladeira. Depois resolvi usá-la pra fazer esses pãezinhos que comemos pelo menos uma vez na semana aqui em casa. Por favor, varie as coisas que você come! Não dá pra comer a mesma coisa de segunda a segunda. É ruim pro teu paladar e pra tua saúde. 

Como saber as medidas exatas? 

É mais ou menos 1 xícara da batata pra 1 xícara de polvilho azedo. Pra essa quantidade, eu uso 3 colheres de sopa de azeite e 2 colheres de sopa de água. Feita essa mistura, é só temperar. Coloco sempre algum tempero verde (salsinha ou cebolinha ou manjericão, hortelã...), orégano, pimenta do reino e sal. Para uma massa mais consistente e firme, acrescente 1/2 xícara de polvilho doce.

Às vezes coloco um pouco dos grãos de linhaça dourada ou aveia, por frescura mesmo. Aí é só assar no forno médio por uns 25min. Depende de cada forno. Vai olhando. Tem que ficar com a casquinha durinha e molinho por dentro, na textura do pão de queijo tradicional mesmo.

Esses aí são feitos de sobras de batata doce assada, salsinha, orégano, polvilho, azeite e sal. E eu gosto assim bem torradinho.


Se você tiver feito a batata doce cozida na água, por exemplo, talvez você precise de menos água na receita. O importante é que no final a massa não fique grudenta, nem muito dura, nem muito mole. Ela precisa estar na consistência de uma massinha de modelar, daquelas que você brincava no colégio. 

Se quiser impressionar aquele seu amigo que vive a base de bacon, faz com batata baroa/mandioquinha. É o melhor, disparado!!! Fiz no aniversário do meu pai do ano passado e foi o sucesso da festa! As pessoas que não tão acostumadas com essas comidas "naturebas"comeram como se fosse um elixir da juventude e remédio pra todos os males. Dei muita risada! rs

Esses pãezinhos são ótimos pro café da manhã, aniversários, lanches da tarde. A Tia Nádia até come de janta na casa dela. Eu sempre faço em maior quantidade e congelo. Aí coloco pra assar de manhã cedo enquanto tomo banho, essas coisas. 

Agora, se você é como o meu amigo André, que ficou mais velho ontem, inclusive (parabéns, teamo), e não consegue fazer nem miojo sem receita, aí vai ela certinha: 

Ingredientes - rende 20 pãezinhos pequenos
⠂1 xícara de qualquer batata, mandioca, inhame ou abóbora amassados com um garfo
⠂1 xícara de polvilho azedo
⠂1/2 xícara de polvilho doce (opcional, para uma massa mais consistente)
⠂70ml de azeite ou outra gordura
⠂40ml de água filtrada 
⠂sal a gosto
⠂temperos a gosto (salsinha, manjericão, orégano...)

Atenção: você também pode acrescentar um pouquinho (cerca de 2 colheres de sopa) de grãos de linhaça, gergelim, chia, aveia...

Como fazer
Já deixa o forno ligado por uns 10 minutos antes de começar tudo. Mistura tudo numa tigela, faz bolinhas com a mão e põe pra assar numa assadeira untada no forno médio por 25 minutos.

Observação: outra combinação que amo é de mandioca com alecrim! Experimenta pra ver a maravilha que é.

Precisamos falar sobre DIETAS

23 de setembro de 2017

Senta porque é textão. Antes de começar, eu queria lembrar que não sou nutricionista, nem médica, nem qualquer-coisa-coach que tá na moda, e estou aqui dando apenas o meu depoimento pessoal (e de outras mulheres), com base em vivências. Não tô dando receita de saúde e sucesso pra ninguém, ok?

Eu fiz 30 anos há pouco tempo. E só agora é que eu parei de pensar em dieta. Só agora eu parei de acordar pensando se devia ou não me pesar. Só agora eu comecei a comer um pastel com calda de cana e não me sentir culpada depois. E acho que ninguém merece viver uma vida dessa. 

Comecei a pensar diferente porque descobri o feminismo e sigo nesse processo de questionamentos e aprendizado com base em conversas, debates e leituras. Resolvi que quero ser eu mesma, com todas as minhas imperfeições.

Agora que comecei a pensar diferente, é que abri os olhos e percebo o quanto as pessoas vivem em função de dieta. Na academia, toda segunda só tem um assunto: "queimar a picanha do fim de semana", retomar o "foco", "fechar a boca". No restaurante, quando peço sobremesa, o garçom responde: "amanhã começa a dieta, né?" Toda semana tem notícia sobre uma famosa que fez uma nova dieta e "enxugou" uns quilos. A última da moda é a coisa mais ridícula que já vi na vida, e olha, achei que nada iria superar aquele negócio dos shakes. A onda agora é a dieta dos alimentos em pó, da Sasha, filha da Xuxa. Acho que depois dessa já podem cassar o registro de bom senso da humanidade inteira, né? 

Eu tenho 1,70 de altura, tô com 66 quilos, 4 a mais do que tinha há 10 meses, quando mudei de cidade, e uso calça 38/40. Nunca passei muito desse peso e mesmo assim sempre me senti obesa, com vergonha de usar blusa colada. E olha que eu nem estou a anos luz de distância do peso das moças que estampam a capa da Boa Forma. Imaginaaaa como se sentem as meninas que pesam 30kg a mais do que a Fernanda Lima! Fico pensando como elas devem se sentir quando se olham no espelho.

Mas também tem aquela galera que já têm o peso da Fernanda Lima, mas vive uma vida de sacrifícios e culpa pra segurar esse corpo. Acorda de manhã calculando a porcentagem de proteína que vai colocar no prato. Leva clara de ovo pra comer no domingo enquanto toda a família tá almoçando lasanha. 

E também tem a mulherada que gasta o salário inteiro em cremes anticelulite, em manteigas pra estria, morre de vergonha do peito pequeno/caído e junta dinheiro há anos pra pôr silicone. Nada contra nenhuma cirurgia plástica. Cada um que cuide da sua vida. Mas acho que a pessoa merece saber que existe vida sem aquele corpo das famosas, gente. 


Não sou toalha pra secar barriga. Obrigada!
E falo, especificamente, nas mulheres porque esse negócio de aceitação do próprio corpo e adequação a certos padrões de beleza nos atinge com mais força. É consequência também do machismo. 

Há dois anos eu coloquei na cabeça que precisava perder 3 quilos. E procurei uma nutricionista. Cheguei lá e ela me disse que era bom mesmo "dar uma secada" antes dos 30 e me passou uma lista de coisas que podia e não podia comer. Entre as que não podia comer estava a-b-a-c-a-t-e. Fiquei tão indignada que saí de lá e comi um abacate inteiro. Por que ela não me disse que eu não precisava emagrecer? Ela podia ter dito: "Juliana, coloca num diário tudo o que você come de domingo a domingo e vamos avaliar se está bom, se é saudável."

Eu queria que alguém da área da saúde tivesse questionado essa minha vontade de emagrecer quando eu era adolescente. Mas não, eu era saudável, sempre praticava esporte, nunca tive uma única alteração em nenhum exame de sangue, e os endocrinologistas e nutricionistas nunca me disseram que eu não precisava emagrecer, que tava tudo bem. Eu devo ter caído nos profissionais errados, só pode, porque sei de muita gente competente por aí que não sai receitando cardápios e dietas sem questionar antes!

Conversei com a nossa nutri parceira do blog, a Débora Bottega, que tem uma visão sensata sobre essa busca enlouquecida por dietas, enxugação de barriga, e tal. Débora, queria ter ido numa consulta contigo quando tinha 15 anos! 

A Débora me explicou que uma dieta ou um planejamento alimentar até pode funcionar a longo prazo pra algumas pessoas,  mas isso é algo muito específico. Em outras pessoas isso tende a causar angústia, comportamento negativo em relação à comida e transtornos alimentares (anorexia, bulimia, outros). É uma questão muito individual, e cada um, acompanhado por um profissional, precisa descobrir o que funciona pra si. 

Ela também me explicou que há, sim, situações onde a prescrição de dietas e um cardápio com restrições alimentares é fundamental, como no caso de pessoas que acabaram de fazer a cirurgia bariátrica ou que tem algum problema de saúde específico. Esse é o caso, por exemplo, do meu pai, que o cardiologista intimou a perder uns quilos porque ele tá com umas gorduras extras nas artérias e numa idade muito suscetível a infartos. 

A Débora também explicou que uma das situações que ela nunca prescreve dietas é no atendimento com crianças. Porque elas estão em fase de desenvolver a saciedade, aprender a fazer escolhas alimentares. As pessoas que durante a infância seguiram dietas, grandes restrições ou sofreram cobranças em relação à comida têm grandes chances de desenvolver uma relação ruim com o ato de comer.

A mensagem que esse post quer deixar, em resumo, é que uma alimentação saudável não significa viver de dieta. Não significa durante a semana "não pode" e fim de semana "pode". Não significa comer e se culpar. Não significa passar vontade e fazer sacrifícios.

Ter uma alimentação saudável, segundo a Débora, é ter consciência sobre as escolhas alimentares, planejamento, e um pouco de conhecimento básico sobre a origem dos produtos que consumimos. Uma coisa que ajuda muito é viver rodeado de pessoas que compartilham essas mesmas intenções.

O trabalho de reeducação alimentar acompanhado por um nutricionista busca resgatar a confiança no corpo, construir essa capacidade de escuta e interpretação dos sinais que o organismo dá. Aí a pessoa alcança o famoso equilíbrio. Ela acaba consumindo alimentos mais saudáveis de forma automática e não por obrigação. E aquela vontade de devorar alimentos pouco nutritivos diminui naturalmente.

Pra pensar se uma dieta funciona ou não no seu caso específico, a Débora sugere uma reflexão. Pense o seguinte: em quais fases da sua vida a sua alimentação estava mais equilibrada e saudável? Em quais períodos sua alimentação estava pior?

Se sua melhor fase foi quando não estava fazendo dieta, você já tem sua resposta. Se você já seguiu uma dieta que funcionou mas não segue mais, tente lembrar como foi o período pós-dieta. Você manteve a maioria dos hábitos ou perdeu o controle? Hoje tem uma alimentação e um peso que considera “pior” do que tinha antes? Nesse caso, por mais que tenha funcionado por um curto período, não foi sustentável e não vale insistir nessa estratégia.

Se sua melhor fase foi quando estava fazendo dieta, pense: você ainda consegue segui-la? Você tem uma boa relação com a comida? Se sente saudável? Se a resposta for sim, talvez você tenha encontrado seu equilíbrio também.

No meu caso, Juliana, 30 anos, filha da Neide Aparecida e do José Carlos, eu encerrei o ciclo de dietas. Decretei a minha liberdade. Não me peso mais, não conto mais caloria. Não como um único brigadeiro me sentindo culpada. Vou mais à feira do que ao supermercado. Olho o rótulo de cada coisa que compro. Cozinho mais em casa. Não exagero no óleo, no sal, no açúcar e no álcool. Não como nada ultraprocessado em nenhuma situação (tipo biscoito recheado). Faço esporte com frequência. Me sinto bem assim e acabou. 

Mas tudo isso é um processo. Continuo não me sentindo confortável quando uso um biquini na praia, por exemplo, mas vou chegar lá! Se você quiser saber mais sobre a minha história com a alimentação, clica aqui

Depoimentos das amigas

Tudo o que eu sou hoje eu não conquistei sozinha. Converso muito com uma tonelada de amigas maravilhosas que cultivo e que me ensinam muito. Cada uma tá num processo muito diferente, mas é incrível o quanto de insegurança já deixamos pra trás. Pedi a algumas pra escrever sobre como é a sua relação com o próprio corpo e o resultado está aí embaixo. Espero que esse post tenha inspirado outras pessoas, especialmente, outras mulheres, a buscarem mais saúde e equilíbrio em vez de adequações a certos padrões de beleza. 

Camila, 32 anos
Ouvir alguém falar que está de dieta me dá arrepio. Não pela pessoa, porque cada um sabe de si, mas por tudo que passei tentando ficar magra. Um dia, perto dos 30, eu percebi que se eu não olhasse pra mim com carinho e respeito, em vez de reclamar da barriga grande e da gordura nas costas, sempre estaria sofrendo, angustiada por não ser magra. Escolhi parar de sofrer. Corpo perfeito pra mim hoje é o meu, que aguenta o tranco da vida comigo, é forte e me leva aonde eu quero. Por mudar essa mentalidade comecei a querer dar pra ele o melhor, e a mudança nem foi tão radical, só passei a deixar de lado ultraprocessados e coloquei mais frutas e verduras no cardápio. Mas ainda como muito porque tenho muita fome. Sou grata demais ao meu corpo pra deixá-lo sem comida quando ele precisa. Me libertei das dietas e hoje vejo que esse foi o maior ato de amor que já fiz por mim mesma.

Maitê, 24
Minha relação com meu corpo sempre foi de insatisfação. Sempre fui acima do peso e já sofri muito bullying por causa disso. Com o passar do tempo e a maturidade, aprendi a lidar com meu corpo de maneira mais sincera: sou gorda sim, e isso não é o maior problema do mundo. Depois que comecei a ver que todas as mulheres, até mesmo as mais esbeltas, são extremamente inseguras com seu corpo, me senti menos excluída e passei a enxergá-lo como um instrumento pra me locomover, instrumento de prazer, cuidado e orgulho. A gente vê muito pouco nosso corpo como uma máquina que habita nossa alma e vê muito como uma superfície de cartão de visitas.

Fernanda, 31
Minha relação com meu corpo é um desafio. Tenho 31 anos, carioca, praieira, emprego bacana, gente boa, até aí parece tudo maravilhoso! Meu calcanhar de Aquiles está no corpo de brasileira que desde cedo a gente aprende a odiar e condenar. Já fiz todos os tipos de dieta e programas de emagrecimento, perdi a conta de quantos consultórios de nutricionistas, endócrinos e etc. eu já estive. Sem contar o envenenamento com remédios fortíssimos que só garantiam mesmo o “efeito ioiô”. É muito cruel o que nossa mente é capaz de fazer nos condenando por estar fora de um padrão imposto. Hoje ainda estou num processo de descobrimento, passei por mudanças significativas que estão ajudando a me aceitar e a viver bem, leve, com saúde e sem cobranças infundadas!

Mariana, 30
Fui magrela durante a infância e adolescência, mas perdi esse título logo que entrei na faculdade e saí da casa dos pais. Nunca fui neurótica com meu corpo, nunca fiz academia, mas gosto de praticar determinados esportes apenas pelo prazer em praticar. Também nunca fiz dietas loucas e sempre comi de tudo, tanto comidas saudáveis como porcarias. Agora estou com 30 anos e um bebê de 11 meses. Na minha gravidez, engordei 22kg. Obviamente agora tudo mudou. Apesar de ter perdido praticamente tudo (cerca de 20kg) logo nos 6 primeiros meses, o corpo está totalmente diferente, muito flácido. Como ainda amamento, a fome é grande e não pretendo ter nenhuma restrição alimentar até desmamar. Mas espero poder voltar à forma um dia.

Fernanda, 32
Comecei a fazer dieta com 10 anos. Desde de então, nunca parei de contar calorias. Eu amo comer, amo cozinhar. Nos últimos anos passei a me alimentar muito melhor, mas também ganhei peso. Trabalho todo dia com a aceitação de que o meu corpo não é o mesmo de 10 anos atrás. Tenho certeza que como melhor hoje do que comia ontem, mas em períodos de estresse eu exagero nas besteiras. Passei por uns problemas que me fizeram descontar minha frustração na comida e agora tento realinhar minha alimentação. Não penso em voltar ao peso de 10 anos atrás, só penso em perder o excesso que me faz sentir como se eu tivesse inchada.

Tatiana, 30
Minha relação com comida sempre foi algo complexo! A luta pelo corpo perfeito e o peso ideal faz que sempre eu coma algo e me sinta culpada! Hoje mantenho meu peso através de exercícios físicos constantes com ajuda profissional e tento me alimentar de maneira saudável. Nos momentos de ansiedade costumo exagerar nos carboidratos e açúcares, mas de modo geral tento manter o equilíbrio alimentar. E a luta contra balança acredito eu que será pro resto da vida.

Bruna, 35
As partes do meu corpo que sempre me fizeram não gostar dele do jeito que é são a barriga e o bumbum. Este último, grande demais, cheguei a esconder do jeito que podia. Sempre me achei gordinha. No entanto, hoje olho para trás e vejo que passava longe de ser de fato gorda, só não era tão magra quanto minha irmã mais velha (sempre motivo de comparação) e minha prima mais próxima entre outras. Hoje tenho um corpo de quem já gestou uma vida. Talvez as pessoas não notem as diferenças que eu noto, mas minha barriga é diferente hoje. Não muito, mas eu reconheço as novas curvas. E sou grata por isso, sou feliz por ter tido a oportunidade de ter carregado meu filho no ventre. Pela mesma causa hoje minhas mamas são também diferentes, mas de novo sou feliz por ser alimento para meu filho. Meu bumbum segue aí, nem tão firme e nem tão forte, mas bem menos acanhado do que já foi um dia!

Bianca, 30
Sempre tive as pernas exageradamente (!!) grossas e a barriga chapada. Isso fez com que eu nunca entrasse de cabeça no mundo dos regimes e dietas. Por outro lado, sempre tive uma alimentação saudável (a melhor herança dos pais), gosto de verdade de verduras, legumes e frutas, nunca fui de comprar carne pra abastecer a dispensa. Foram mudanças muito naturais conforme fui tendo mais conhecimento e autonomia na vida. Ao mesmo tempo sou uma curiosa gastronômica e amo gordices, então me permito comer o que tenho vontade e acho que nunca irei banir nenhum alimento por completo da minha vida. Como boa libriana, estou sempre em busca do equilíbrio entre saúde x aceitação x corpo “perfeito”. Já me incomodei muito com as estrias  e hoje tenho amor por elas. A relação com a celulite sempre foi mais fria, às vezes odeio o que vejo no espelho e direto sou escrava de cremes, drenagens, shorts mais compridos e cruzadas de perna mais atentas. Mas tento não pender para o radicalismo e não deixar que essa preocupação defina quem eu sou ou me impeça de viver e comer as delícias da vida.

Caroline, 30
Quando nova sempre fui muito magra, daquelas que não tinha bunda. Isso nunca foi um problema muito grande pra mim. Com o passar do tempo, o corpo foi mudando. A bunda foi aparecendo, aquela famosa "bordinha de catupiry" na barriga foi dando 'oi'. O  número da calça passou do 36 para 40/42. Até os 30 anos nunca tinha me preocupado com nada que comia, se tava a fim de comer hambúrguer com fritas no almoço encarava numa boa. Acho que depois dos 30 passei a encarar a comida de forma diferente, mas não como algo ruim, passei apenas a dar mais importância aos nutrientes e tô numa fase de reeducação alimentar. E acho que, assim como a maioria das mulheres, eu tenho fases. Tem dias que eu me acho mais ou menos gordinha, tem dias que acho que a celulite tá um pouco demais, daí escolho usar um vestido longo. Também confesso que já corri pra uma clinica de estética pra fazer tratamento contra celulite. E no mais vou levando a vida e aprendendo que quem tem que gostar do meu corpo sou eu. 

Tomate recheado com pesto - R$ 6,70

17 de setembro de 2017
Já recebi vários pedidos de receita de petiscos e quitutes pra receber amigos em casa. Em breve farei várias comidinhas com R$ 10 pros meus amigos do Rio que aterrissam aqui em casa agora em outubro. Aguardem! E é claro que a cerveja não está incluída nessa conta porque eu sou pobre, mas não mágica. rs

Vi o programa da Bela Gil ontem e ela fez um pesto com rúcula pra comer com nhoque de batata doce. E pasmem! Eu tinha um maço de rúcula aqui em casa quase amarelando. Lembrei que eu também tinha uma bandeija de tomates cereja orgânicos (paguei R$ 4,99) e resolvi fazer os tomatinhos recheados com esse pesto. Na verdade, eu só cortei os tomates. Quem fez tudo sozinho foi meu digníssimo namorado. Vocês não fazem ideia do quanto ficou bom! Eu comeria isso todos os dias, do café da manhã à janta. Em breve vamos testar com hortelã no lugar da rúcula ou manjericão!

A receita, na verdade, eu já tinha visto num livro M-A-R-A-V-I-L-H-S-O, chamado Indispensável, de uma moça gringa, a Dunja Gulin. Ele é caríssimo, mas eu ganhei de presente de aniversário! :) Então nós fizemos a receita dela, mas em vez de espinafre, colocamos a rúcula da Bela Gil.




Ingredientes
⠂1 bandeja de tomates cereja
⠂1 maço de rúcula ou espinafre ou manjericão
⠂2/3 de xícara de semente de girassol levemente tostadas (ou qualquer castanha)
⠂4 colheres de sopa de azeite de oliva
⠂1 colher de chá de limão espremido, pra evitar que o pesto oxide
⠂1 a 2 colheres de sopa água pra ajudar a bater o pesto
⠂sal a gosto

Como nós fizemos

⠂Lavei e sequei os tomates. 
⠂O Lúcio fez o resto: cortou todos eles ao meio e tirou as sementinhas com o dedo mesmo, num processo rápido porque a fome era grande. 
⠂Pro pesto: ele colocou tudo no processador e bateu. Dá pra fazer no liquidificador também, só demora um pouco mais e tem que ir parando e mexendo com a uma colher. Aí é só recheador cada tomatinho e pronto.


Essa é a receita original do livro, que ficou bem mais bonita que a nossa. Mas vida que segue. 

Croquete sem glúten - R$ 2,40

16 de setembro de 2017
A galera mais abastada, quando tá tomando uma cervejinha, come arancini de filé mignon frito no azeite trufado. Eu como coisas como croquete de soja assado no forno mesmo. E a única farinha que coloco no croquete é a de linhaça pra empanar. Ou seja, essa receita vai fazer a felicidade da galera que não pode ou não quer comer glúten. 

Odeio soja, mas às vezes dou uma chance pra ela quando vejo o preço no supermercado. É a fonte de proteína mais barata do mundo. É transgênica? É. Por isso, como pouquíssimo. Mas o milho também é tudo transgênico e eu não fico sem pipoca. Infelizmente, as coisas orgânicas e não-transgênicas são de difícil acesso, não encontro em tudo que é canto ou é muito caro. Vou falar mais sobre isso em outro post, em breve.

O segredo pra fazer a proteína de soja ficar boa é tempêêêêêro. Eu deixo a proteína de soja de molho  num pote com mil temperos de um dia pro outro e depois refogo numa panela como se fosse carne moída mesmo.

A receita rendeu 6 croquetinhos pra mim. Mas se você não for exagerado, como eu, talvez renda o dobro. 

Sim, eu sei que sou péssima pra moldar as coisas. Tudo fica muito rústico rs. Mas não tenho tempo pra ficar 2h acariciando a massa! Me perdoem! rs

Ingredientes da marinada da soja
Pra essa receita do croquete, deixei 2 xícaras de proteína de soja marinando na geladeira num pote com: 
2 colheres de sopa de gengibre ralado
sal (ou molho shoyu)
suco de 3 limões espremidos
orégano a gosto
muita salsinha 
1 dente de alho
pimenta do reino
1 xícara de água pra hidratá-la

Ingredientes do bolinhoRende 6 croquetes
2 xícaras de batata inglesa ou outra raiz cozida
toneladas de cheiro verde (usei toneladas de cebolinha)
2 dentes de alho
1 cebola
1 colherzinha de café de mostarda
1 tomate
⠂azeite pra refogar
farinha de linhaça pra empanar (usei mais ou menos 1/3 de xícara)

Como eu fiz
Refoguei a cebola e o alho no azeite. 
Depois joguei a soja na panela e mexi bem. 
Acrescentei o tomate, e deixei tudo ali pegando um gostinho por uns 5 minutos. Enquanto isso, as batatas já tavam cozinhando. 
Desliguei a soja, acrescentei o cheiro verde picado e a mostarda e acertei o sal. 
Coloquei as batatas com casca e tudo numa tigela, amassei com um garfo e joguei o refogado da soja. 
Amassei bem essa massa com as mãos, fiz rolinhos e empanei na farinha de linhaça. 
Coloquei numa assadeira untada no forno (já pré-aquecido) por 35 minutos. Você pode fritá-los obviamente. Fica a seu critério.

Agora não esquece de pegar leve na cerveja ou na caipirinha! ;)

Dicas para o vício em acúçar

15 de setembro de 2017
Prazer, meu nome é Juliana e sou mais uma viciada em açúcar na fila do pão. Dos comentários que recebo no facebook e instagram (aliás, obrigada!), mais da metade são perguntas do tipo:
"o que você faz quando dá aquela vontade louca de comer um doce?"

Esse post é a minha resposta. E não custa lembrar que não sou nutricionista, curandeira, nem nada. Então eu vou falar aqui sobre a minha experiência e isso não quer dizer que sirva pra todo mundo. 

1) Em geral, eu faço a coisa mais óbvia do mundo: quando dá vontade, eu como. Se tô em casa, improviso alguma coisa. Se tô na rua e tenho dinheiro, eu compro. Simples assim. Sem culpa, sem drama, sem me chicotear depois, sem chororô na frente do espelho. Eu faço atividade física umas quatro vezes por semana, não como carne, metade dos meus pratos é de vegetais, meu exame de sangue tá tudo ok, glicose beleza, as vitaminas todas. Não pego gripe há anos. Então eu como uns brigadeiros quando tenho vontade e acabou. 

2) Mas é claro que eu não tenho doces em casa. Açúcar branco refinado não entra no meu armário. Não compro nada de doce industrializado. Só compro, às vezes, umas barras de chocolate dessas meio amargas pra fazer brownies. Então, em casa eu preciso me virar com frutas, farinhas integrais, melado e açúcar mascavo. A mistura deles costuma virar panquecas, docinhos, bolos e bolachinhas integrais. Já falei isso aqui antes, mas é importante repetir. Dê preferência, sempre, pra doces que tenham fibras porque elas fazem com que o açúcar seja absorvido lentamente no sangue. Evita a compulsão e dá saciedade.  

3) Larguei a sobremesa. Pode reparar, aqui no blog não tem o item sobremesas no menu de receitas. Pra mim, doces se resumem a pequenas refeições, como lanchinhos. Eu paro o meu trabalho por alguns minutos e como algum doce integral com chá ou café. Eu fiz isso porque percebi que comer sobremesa depois do almoço aumentava exponencialmente a minha loucura por doce durante toda a tarde. 

4) Abandonei toda e qualquer bebida açucarada. A minha única paixão é água tônica com gelo e limão. Uma ou outra vez eu ainda compro, mas isso deve acontecer a cada 6 meses. De resto, me acostumei a cortar o açúcar de todas as bebidas. Café e chás, nada de adoçar. Suco, só o açúcar da fruta. Refrigerante, nem esses orgânicos caros. Vitaminas eu adoço com banana. Foi super difícil, é chato criar esse hábito, mas faz uma diferença absurda. É o primeiro passo pra acostumar o teu paladar com coisas menos doces. Depois disso, você vai começar estranhar algumas sobremesas que está acostumado a comer. 


5) Não adianta culpar só a capacidade viciante da substância. Sempre tem algo na gente, alguma necessidade de refúgio, de consolo, que nos faz desenvolver um vício. Eu percebi que fico ainda mais ansiosa do que o normal quando tô com prazos apertados pra cumprir e temo não conseguir entregar as coisas, ou quando planejei algo que não saiu como esperado. Aí vem aquela vontadezinha de comer doce pra compensar o nervosismo, a frustração. Isso ficou evidente na época do vestibular, quando eu engordei 10 quilos e cheguei no maior peso da minha existência. Fiquei tão ansiosa, me sentindo pressionada e estressada, que coloquei pra dentro do meu corpinho metade da produção anual de açúcar da humanidade. Agora que eu entendi esse processo, escolhi uma estratégia maravilhosa pra lidar com essas situações: os chás.


Olhas as ervinhas que coisa mais linda!

O ato de fazer um chá se tornou o meu momento especial de conseguir paz. Repara nos povos todos que tomam chás loucamente. É tudo gente calma. Também, não é pra menos. Tem que colocar a água pra ferver, esperar, escolher as ervas, colocar na cestinha da chaleira, esperar uns 5 minutos, coar, esperar esfriar e beber. É todo um processo.

Eu bebo duas xícaras de chás todos os dias. Se passo o dia na rua, tomo antes de sair de cada. Se tive um dia muito agitado, tomo antes de dormir também, pra relaxar. Nas tardes em que tô em casa, faço quando dá uma vontade louca de comer um doce. E é isso. Encontrei meu equilíbrio. E reduzi absurdamente o meu consumo de açúcar depois que comecei a investir nos meu chazinhos. Levo pra tomar na rua, inclusive, numa garrafinha. 

Mas obviamente que você não precisa se entupir de chá também! Faça o que for melhor no teu contexto, de acordo com as tuas preferências. 

Pra matar a vontade de comer doce

graviola com capim limão
hibisco com maçã e especiarias (pode ser canela, cravo e aniz)
hortelã com erva doce

Pra tomar à noite depois de um dia super agitado

camomila e calêndula
erva doce com hortelã
maracujá (a polpa da fruta mesmo) com capim limão

Pra tomar antes de começar o dia, pra ter disposição

hibisco com canela
chá verde com gengibre e limão




Como fazer
Faço sempre a quantidade de uma xícara e meia. Meço com a própria caneca antes de colocar a água pra ferver. Quando a água tá naquele ponto de quaaaaaase fervura, desligo e coloco na chaleira. Na cestinha, coloco 1 colher de chá de cada erva. Espero 5 minutos e tomo.

Agora me conta o que você faz pra lidar com esses momento de loucura pelo açúcar!

Ricota de gergelim - R$ 2,85

9 de setembro de 2017
Passo longe da parte de frios e geladeira do supermercado. Cansei daqueles potes que se dizem requeijão ou patês. Todos custam a minha dignidade e contêm milhares de aditivos químicos. Já provei algumas opções veganas, inclusive, a base de soja, e não curti muito.

Por isso, grande parte do que passo no pão eu mesma faço. Não dá muito trabalho. Basta se organizar e colocar a família inteira pra planejar as compras e refeições. Pra galera da maromba que respira e toma banho de proteína, essa ricota de gergelim é excelente. Além de ter muita proteína, o gergelim é uma das maiores fontes de cálcio da natureza. Tem 9 vezes mais cálcio do que o leite de vaca, por exemplo. 

A receita é super fácil e rápida. Eu fiz em 10 minutos. Dica: ela rende super pouco, como qualquer receita de ricota, até mesmo aquela feita com leite de vaca. Então não se assuste. Se quiser fazer pra semana toda, duplique ou triplique a receita, ok? Dura cerca de uma semana na geladeira. 

Depois de temperada, a ricota está pronta pro consumo. Ótima pra comer com pão e torradas
Pré-preparo: não é obrigatório, mas os nutrientes do gergelim são mais bem absorvidos se colocarmos os grãos de molho na água por cerca de 8h. Não esqueça de descartar essa água. 

Ingredientes da ricota de gergelim - R$ 2,85
⠂1 xícara de gergelim branco com casca (ou semente de girassol) 
⠂4 xícaras de água filtrada
⠂1 limão 

Para temperar a ricota
⠂2 colheres de sopa de azeite de oliva
⠂cebolinha a gosto
⠂suco de 1 limão pequeno
⠂sal a gosto

Observação: pode temperar com qualquer outra coisa que você preferir: tomate + orégano, cenoura ralada, azeitonas pretas, alho poró picado, cebola, salsinha, ervas finas, páprica picante. Usa o que tiver em casa e arrasa!

Como eu fiz
Bati o gergelim com a água no liquidificador. Tem que bater bastante, por uns 2 minutos. Depois é só coar com uma peneira e colocar o líquido, que é o leite de gergelim, numa panela. Liguei o fogo e esperei ferver. Assim que ferveu, desliguei o fogo e espremi um limão nesse líquido. Misturei com uma colher pra talhar bem e esperei mais uns 3 minutos. Coei de novo, mas dessa vez com um voal (você pode usar também um pano de louça limpo ou um coador de pano, desses de café), e joguei num potinho. Aí é só temperar. 

#FICA A FICA
O resíduo que sobrar do leite de gergelim não é pra jogar fora, hein? Guarda pra fazer um patêzinho ou para fazer pães, tortas, cookies, bolinhos, colocar na massa do hambúrguer. 

Dica extra: O leite de gergelim eu uso pra receitas salgadas em geral. Fica uma delícia nas receitas de sopa que levam leite na receita. Pros doces, prefiro o leite de aveia. 

O preço dessa receita vai depender de quanto você paga no quilo do gergelim. Aqui em Floripa varia muito. Em geral, custa entre R$ 12 e R$ 18/kg.

Taí a ricotinha pronta pra ser usada no pão, torradas, bolachas salgadas ou recheios de tortas.

Bolachinhas de sobras - R$ 5,90

7 de setembro de 2017
Minha mãe veio me visitar no fim de semana passado e isso significa estoque de comida pra três guerras mundiais. Depois ela vai embora e fica tudo apenas pra nós dois, moradores do recinto. A gente começa, então, uma espécie de olimpíada, ou prova do líder do Big Brother, pra não jogar comida fora. É corrida contra o tempo mesmo: fazer torta com 30 ingredientes, feijão com 10 legumes, comer dois quilos de salada em cada refeição e congelar a outra metade de tudo que sobrou, pra não desperdiçar comida. 

A receita de hoje foi feita nesse esquema de usar tudo o que tinha na geladeira o mais rápido possível, depois que a dona Neide Aparecida foi embora. Tinha resíduo do leite de coco, que eu fiz pro meu pai tomar com café. Ele resolveu não tomar mais leite de vaca porque andou lendo uns livros aí. E tinha goiabada, que eu não sou muito fã, mas tinha na geladeira, então tem que comer. 

Peguei um livro da minha musa Bela Gil, o primeiro, e achei uma receita de cookie de geleia de morango. Substituí a geleia de morango pela goiabada e uma das xícaras de farinha de aveia por resíduo do côco. Deu tudo certo!!!! 

Rendeu 10 bolachinhas grandinhas. Era pra custar bem menos do que R$ 5,90. Mas, eu usei o resíduo do coco seco, que tá custando o olho da cara, e o melado de cana também costuma ser bem mais caro do que açúcar mascavo. 

Tá vendo essa crosta embaixo da bolachinha? É porque deixei a minha massa muito úmida. Devia ter torrado o resíduo do leite de côco no forno. Mas ficou uma delícia. 

→Essa é mais uma receita doce com uma dose generosa de fibras. Vai te alimentar, dar saciedade e o açúcar vai ser absorvido lentamente. Mas isso não significa que você pode comer a fôrma inteira de uma vez. 
→É uma boa ideia pra levar de lanche, pra comer no fim da tarde com um café, ou pras crianças levarem pra escola. 

Ingredientes das bolachinhas de coco com goiabada
1 xícara de farinha de aveia (se não tiver, é só bater os grãos de aveia no liquidificador pra fazer a farinha)
1 xícara de resíduo do leite de coco ou coco ralado ou outra xícara de farinha de aveia
2 colheres de sopa de semente de linhaça dourada
1 pitada de sal
3 colheres de melado de cana ou açúcar mascavo (se usar açúcar, vai ter que colocar um pouquinho de água na massa, pra dar liga)
2 colheres de óleo (usei de soja orgânico)
1 colher de azeite de oliva
3 colheres de goiabada 

Como eu fiz
Eu tava morrendo de pressa porque tinha que entregar umas coisas e acabei não torrando o resíduo do leite de côco no forno, pra dar uma secada nele. Isso fez com que a minha massa ficasse muito úmida e, na hora de assar, ela se esparramou um pouco pela fôrma e criou umas casquinhas na borda (uma delícia essas casquinhas, aliás). 

Como você deve fazer
Ligue o forno antes de qualquer coisa. 
Misture o melado (ou açúcar), a linhaça, o óleo e o azeite primeiro e mexa bem. 
Depois vá acrescentando os ingredientes secos (coco, farinha de aveia e a pitada de sal). E misture tudo. Pega a massa na mão e vê se ela tá muito seca, veja se dá pra fazer as bolinhas. Se tiver, acrescenta um tiquinho de água.
Quando tiver ok, faça pequenas bolinhas achatadas com as mãos e coloque todas elas numa fôrma untada. 
Faça um furinho superficial em cada uma e nesse espaço acrescente a goiabada. 
Agora é só assar a 200 graus por 25min. 
Depois de assadas, deixe as bonitonas esfriando por uns 15 minutos antes de sair comendo. Esse período faz com que a bolachinha fique mais crocante. 

Eu sei que deveria ter me empenhado mais ao moldar o formato das bolachinhas. Mas tenho muita preguiça.