Como cheguei na berinjela depois de tanto miojo

27 de agosto de 2017
Sim, hoje eu sou devota da Nossa Senhora da Comida Saudável, mas fui da turma das crianças que cresceu comendo miojo com nuggets e catchup. Não sei como sobrevivi, mas tô aí hoje pra contar essa história. Minha salvação talvez tenha sido o arroz com feijão, sopa de legumes, e o fato de minha mãe ter entrado no vigilantes do peso e ter proibido refrigerante lá em casa. 

Quando já tinha uns 14 aninhos, a Pizza Hut fez uma promoção de pizza brotinho com salada verde. Era muito mais barato que uma pizza inteira, coisa que a gente só comia em aniversários. Minha mãe pediu uma, eu achei bonito e pedi também, e comi aquelas coisas verdes achando chique. Olha só a ironia da vida! Comecei a gostar de salada com a Pizza Hut! Depois disso eu comecei a encarar rúcula, agrião, espinafre... Mas não mudou muita coisa não. Eu comia legumes desde que tivessem meio camuflados, não pegava berinjela grelhada e chuchu num buffet, por exemplo.


Eu, em uma viagem a trabalho no Peru, provando tudo o que tem direito, inclusive, Inca Kola. 
E sempre me afundei nos doces, do tipo que comia Nescau de colher, e, seguindo essa lógica, é claro que a balança e eu nunca fomos parças. Minha segunda sorte de vida é que sempre fui a louca dos esportes. Então nas épocas da vida que eu fazia futebol, vôlei, handebol e academia, foi tudo certo. Quando dava uma segurada, como na fase do vestibular e da faculdade, a coisa dava uma encrencada e eu entrava em desespero. 

Já fiz dieta de tudo o que é tipo, já chorei muito na frente do espelho, já joguei macumba pra todas as meninas fitness da balada e desenvolvi um ódio mortal daquelas pessoas que ostentam a barriga sarada.

Do fim da faculdade em diante, comecei a ser mais sensata. Mesmo assim, era dessas que tomava Toddy Light com leite desnatado achando que tava arrasando. Fiquei uma eternidade sem comer pão porque achava que ele era amaldiçoado, que só seria magra e feliz se cortasse ele da minha vida. Fui a alguns nutricionistas que mandavam comer aquelas barrinhas de cereais industrializadas, mas não segui a recomendação (amém) porque tinha gosto de isopor triturado.

Tudo começou a melhorar quando meu primo, que é mais meu irmão do que meu primo, me contou de um livro que revolucionou a forma como ele lidava com a comida. Esse primo sofreu um acidente grave de carro, teve o intestino estraçalhado, e a partir disso teve que seguir uma dieta super leve pra que tudo voltasse ao normal. Por isso ele chegou nesse livro. 

O livro contava a história de um neurocirurgião francês que curou um câncer no cérebro mudando seus hábitos de vida. Ele trocou o elevador pela escada, separou da mulher, começou a meditar, a comer comida orgânica, largou a carne, mais outras mil coisas. Peguei o livro emprestado e nunca mais devolvi. Emprestei pra todo mundo que vi pela frente. Li de novo. Aí, enfim, eu entrei num mundo de livros sobre alimentação e estilo de vida e tô nessa até hoje. 

Esse aí é o livro que mexeu comigo.

Comecei a pesquisar sobre agrotóxicos. Passei a recusar aquelas bolachinhas que tinham sempre nas reuniões da galera do escritório, a ler rótulos dos produtos do mercado. Abandonei tudo que tinha glutamato monossódico na lista de ingredientes. Virei amiga do chá verde, do gengibre e do repolho, que segundo o livro, são excelentes antioxidantes.

Nessa época, eu já tinha largado a carne, mesmo sem nunca ter buscado isso. Vou abrir um parênteses aqui rapidinho pra contar essa história.

Engatei um namoro com um vegetariano e amei [e amo até hoje] as coisas maravilhosas que ele faz com um brócolis ou uma abobrinha. Aos poucos, como eu sempre tava com ele comendo as coisas vegetarianas delícia, fui achando as carnes um pouco estranhas. Parei logo com o bife e fiquei só nas coisas com caldos, tipo picadinho e estrogonofe. 

Um belo dia cheguei de um aniversário de uma ex-aluna tarde da noite. Sentei no primeiro bar que vi na saída do metrô e pedi um x-picanha. Na primeira mordida, estranhei a textura, depois o gosto, e não voltei mais a comer. Parei com o frango e o resto logo em seguida. Peixe eu queria seguir comendo, mas o paladar vai mudando muito, é uma coisa muito maluca, juro, e larguei ele também.


Eu, no Rio, cidade que morei por sete anos e onde larguei a carne e o toddy light.
Sobre o açúcar. Sou uma viciada em infinita recuperação. Não comer mais sobremesa foi um hábito que me ajudou muito e recomendo. É claro que, se alguém me pagar um jantar no restaurante do Alex Atala, eu vou comer a sobremesa e repetir 6 vezes. Mas no dia a dia eu dispenso. Deixo os doces pros lanches, e como junto com um chá ou café. 

Tenho fixação por brownies, mas já diminuí muito a quantidade de açúcar que coloco pra dentro do meu corpinho, então sempre acho todos eles doces demais. Prefiro fazer minhas versões em casa, que raramente dão certo. Esses chocolates de caixa eu também passo longe. 

Fiz as pazes com o pão, mas também não exagero e prefiro sempre as versões que eu mesma faço, de fermentação natural. Tenho muita preguiça de quem tem fobia de carboidrato. Pra mim, a chance de dar alguma compulsão alimentar é gigante. Quem vai aguentar fazer isso pro resto da vida? Além disso, é pra muito poucos, não? Vai tirar o arroz ou o macarrão de quem que trabalha 12 horas pegando peso pra ver! A pessoa cai dura! Eu sou mega privilegiada em relação a trabalho. Fico sentada bonitona na frente do computador e já sinto uma fome imensa! Mas assim... tudo é uma questão de equilíbrio, né? Se eu passo um dia me afogando na farinha por algum motivo, tipo ir num churrasco onde só como pão com alho, no dia seguinte eu vou dar uma segurada, comer mais legumes. 

Sobre o meu peso, só agora com 30 anos na cara que me livrei desse carma. Gostaria de estar três quilos mais magra? Gostaria. Vou fazer alguma coisa pra perder esses três quilos? N-ã-o. Nenhuma! Meu exame de sangue tá arrasando, então é só uma questão estética mesmo. Fiquei desempregada, mudei de cidade e de vida há uns meses atrás. Nesse processo, fiquei sem um tostão, com a rotina toda desregrada e dei uma boooooa exagerada na cerveja e no açúcar. Engordei uns 5 quilos e vou ficar assim mesmo. Até deixei de me pesar, coisa que fazia todo santo dia.

Voltei pra academia há algumas semanas porque entrei na pira de dançar e quero fazer todas aquelas aulas de rebolar até o chão. Não tenho personal trainer, nem quero ser musa do crossfit, mas respeito quem é, pois cada um que cuide da sua vida. Além disso, eu odeio ficar sem fazer nada porque a vida sedentária acaba com a minha coluna, me faz dormir muito mal e acabo me cansando ao subir dois lances de escada. Me sinto humilhada. Então eu vou lá umas 3, 4 vezes por semana, me olho no espelho e me acho maravilhosa. 

Isso aí foi uma conquista e tanto. Junto com muitas amigas sigo nesse processo de gostar do que vejo na frente do espelho em vez de sofrer sendo refém dos padrões bizarros de beleza.

5 comentários:

  1. A R R A S O U Ju!! Certamente quem te conhece e lê esse texto, imagina vc na frente contando tudo isso.
    Parabéns pelo Blog!! E pelos ensinamentos na cozinha.
    Mas ainda vai receber muito queijo minas tradicional!! kk

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  2. O que falar desse post??? Simplesmente perfeito! Ju, prima linda, sem dúvidas que vou seguir seu blog e ler TODOS os posts e tentar aprender tudo que você tem a ensinar. Sua comida é maravilhosa e quero muito ser mais criativa na cozinha como você, principalmente agora com o Manu começando a comer junto com a gente.

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  3. Esse seu namorado, hein!?
    Homão da porra!
    Posta algumas coisas dele também!

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  4. Você acredita que foi esse o livro que mudou minha alimentação (e minha vida) também?!? É fantástico o que você faz. Parabéns!

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