Tem óleo mocinho e óleo vilão?

28 de agosto de 2017
Não adianta a gente viver uma vida linda a base de vegetais se cozinhar um arroz e um feijão com toneladas de óleo. Eu mesma adoro pipoca, bolo, legumes na chapa, hambúrguer grelhado e uma mandioca frita de vez em quando. E tudo isso inclui o que? Muita gordura.

Conversei com a nossa nutricionista parceira do Comida Saudável pra Todos, a Débora Bottega, sobre esse assunto e a dica dela é muito importante: não existe nenhum tipo de óleo que podemos usar sem moderação. Nem o óleo de coco, que a galera anda tomando como se fosse água. Todos precisam ser usados em pequena quantidade, sem exageros. 

Não, este não é um post patrocinado. Divulguei as marcas que uso sem ganhar nem uma bala de hortelã porque preciso ser o mais transparente possível aqui, mostrar a minha cozinha como ela é.

Não existe nenhuma gordura, segundo a Débora, que pode ser levada a altas temperaturas e ser saudável ao mesmo tempo, a ponto de poder ser consumida sem limites. Mas, se usadas com moderação junto com uma alimentação saudável e equilibrada, não existe óleo prejudicial, com exceção das gorduras processadas. 

As gorduras processadas devem ser totalmente excluídas da nossa vida. Elas aparecem nos rótulos dos alimentos como gordura vegetal hidrogenada, gordura trans ou apenas gordura vegetal. São comuns em biscoitos recheados, até mesmo naqueles que dizem ser integrais, sorvetes, massas, temperos prontos, salgadinhos, macarrão instantâneo e em alguns suplementos alimentares. Por isso, leia os rótulos sempre!!!!


Já há pesquisas que comprovam que essas gorduras aumentam o risco de doenças cardiovasculares. Elas já foram banidas em vários países e aqui no Brasil foi aprovado um projeto de lei que proíbe o uso de gorduras vegetais parcialmente hidrogenadas na fabricação de alimentos. Mas as empresas tem até 2020 pra se adequar a essa legislação, então fique atento aos rótulos e SEMPRE pergunte qual óleo é usado nos restaurantes e bares que você frequenta.


A mesma coisa serve para as margarinasque eram produzidas a base de gordura vegetal hidrogenada e agora são feitas a base de óleos vegetais interesterificados que, na verdade, são tão ruins quanto. Dos outros óleos, que usamos em casa mesmo, basta termos dois cuidados: 

→Usá-los com moderação, o mínimo possível. 

→ Não aquecê-los demais pra não ultrapassar o seu ponto de fumaça, que é o ponto que em que o óleo entra em decomposição e forma a acroleína, uma substância tóxica para o organismo. Uma outra substância formada quando os alimentos são excessivamente cozidos a altas temperaturas é a acrilamida, substância considerada cancerígena. Leia mais aqui. 

Os óleos de soja e o de girassol não devem ser utilizados para fritura ou para preparos no forno acima de 120 graus, porque têm mais chances de formar essas substâncias tóxicas. Pra esses casos, o melhor é o óleo de milho.

Para grelhar e refogar, os melhores óleos são o azeite de oliva e o óleo de soja orgânico prensado a frio

Agora vamos falar da vida real porque os bons óleos encarecem, sim, as receitas. Segue, abaixo, a lista de óleos que eu uso, a função de cada um na minha cozinha e os preços que eu pago.

Óleo de gergelim torrado
Preço: Eu paguei R$ 32 a garrafa de 500ml. Parece caro, mas dura mais de um ano na minha casa. 
Como usar: É um excelente tempero pra saladas, legumes refogados, pastinhas e molhos. Combina muito bem com pratos asiáticos, como yakissoba. 
Benefícios: Além do sabor incrível, ele é um ótimo cicatrizante. Sempre uso pra pequenos cortes e queimaduras no corpo. 
Atenção: Não utilizar em preparações que serão aquecidas a altas temperaturas.

Azeite de dendê
Preço: Eu paguei R$ 6,50 o vidro de 200ml. 
Como usar: Eu uso muito pra fazer farofa e moquecas. 
Benefícios: Rico em vitamina A e vitamina E.
Atenção: A nutricionista Débora Bottega não recomenda o uso de rotina pelo alto teor de gordura saturada. Seu uso moderado não é prejudicial em uma alimentação equilibrada.  

Óleo de girassol
Preço: R$ 5,75 a garrafa de 900ml. 
Como usar: Eu uso pra fazer bolos. 
Benefícios: Apesar de não ser um bom óleo, ele não é transgênico como o de milho e soja.
Atenção: É rico em ômega 6, uma gordura com potencial ação inflamatória se consumida em excesso.

Óleo de soja orgânico prensado a frio
Preço: R$ 9,90 a garrafa de 500ml. 
Como usar: Eu uso pra grelhar legumes ou hambúrgueres na chapa e fazer pipoca.
Benefícios: O fato de ser orgânico e prensado a frio o torna a melhor opção entre os óleos comuns. 
Atenção: Também deve ser usado com moderação mesmo sendo orgânico. 

Azeite de oliva extravirgem
Preço: R$ 26 a garrafa de 1 litro. Eu só compro no mercado atacadista e quando tem promoção.
Como usar: Pra refogar cebola e alho, temperar saladas e para finalizar pratos como massas e risotos.
Benefícios: Tem propriedades antioxidantes e preserva a vitamina E da azeitona. 
Atenção: É, sem dúvida, a melhor alternativa entre os óleos, desde que seja de boa procedência e realmente extravirgem. 

Óleo de coco
Preço: R$ 60 o pote de 1 litro. 
Como usar: Eu usaria óleo de coco em tudo, se não fosse tão caro. Faria pipoca, bolo, tomaria até banho com ele. O preço costuma variar muito. Já há marcas caseiras e regionais que oferecem um preço mais em conta. Acredito que o valor tende a cair ainda mais nos próximos anos. Maaaas, enquanto isso, eu sigo comprando o óleo de coco, não vou mentir, e faço durar pelo menos uns quatro meses na minha casa. Uso pra fazer pipoca doce, brigadeiro e outras coisas a la Bela Gil, como hidratar o cabelo, como pasta de dente e demaquilante facial. 
Benefícios: Tem muita gente por aí querendo desqualificar o óleo de côco, mas, por enquanto, não me convenceram. Primeiro porque ele vem do côco, que é um dos alimentos mais completos e nutritivos do mundo, não é transgênico como o óleo de milho e soja, e é usado pela humanidade como remédio há milhares de anos. Só não uso mais no dia a dia porque é muito caro mesmo.
Atenção: Em geral, como não são utilizados solventes para sua extração, já está em vantagens em relação aos óleos refinados. Não aquecer acima de 160ºC.

Essa é a Débora, a nossa nutri colaboradora desse projeto.
Depois de muita discussão sobre os óleos, a Débora  me fez um desafio: fazer um bolo barato e saboroso usando apenas a gordura do abacate na receita. Achei um desafio gigantesco, já que não sou muito fã de abacate pra receitas doces. Vamos lá! Começo os testes nessa semana! Se alguém souber de alguma receita, me manda!!!

Como cheguei na berinjela depois de tanto miojo

27 de agosto de 2017
Sim, hoje eu sou devota da Nossa Senhora da Comida Saudável, mas fui da turma das crianças que cresceu comendo miojo com nuggets e catchup. Não sei como sobrevivi, mas tô aí hoje pra contar essa história. Minha salvação talvez tenha sido o arroz com feijão, sopa de legumes, e o fato de minha mãe ter entrado no vigilantes do peso e ter proibido refrigerante lá em casa. 

Quando já tinha uns 14 aninhos, a Pizza Hut fez uma promoção de pizza brotinho com salada verde. Era muito mais barato que uma pizza inteira, coisa que a gente só comia em aniversários. Minha mãe pediu uma, eu achei bonito e pedi também, e comi aquelas coisas verdes achando chique. Olha só a ironia da vida! Comecei a gostar de salada com a Pizza Hut! Depois disso eu comecei a encarar rúcula, agrião, espinafre... Mas não mudou muita coisa não. Eu comia legumes desde que tivessem meio camuflados, não pegava berinjela grelhada e chuchu num buffet, por exemplo.


Eu, em uma viagem a trabalho no Peru, provando tudo o que tem direito, inclusive, Inca Kola. 
E sempre me afundei nos doces, do tipo que comia Nescau de colher, e, seguindo essa lógica, é claro que a balança e eu nunca fomos parças. Minha segunda sorte de vida é que sempre fui a louca dos esportes. Então nas épocas da vida que eu fazia futebol, vôlei, handebol e academia, foi tudo certo. Quando dava uma segurada, como na fase do vestibular e da faculdade, a coisa dava uma encrencada e eu entrava em desespero. 

Já fiz dieta de tudo o que é tipo, já chorei muito na frente do espelho, já joguei macumba pra todas as meninas fitness da balada e desenvolvi um ódio mortal daquelas pessoas que ostentam a barriga sarada.

Do fim da faculdade em diante, comecei a ser mais sensata. Mesmo assim, era dessas que tomava Toddy Light com leite desnatado achando que tava arrasando. Fiquei uma eternidade sem comer pão porque achava que ele era amaldiçoado, que só seria magra e feliz se cortasse ele da minha vida. Fui a alguns nutricionistas que mandavam comer aquelas barrinhas de cereais industrializadas, mas não segui a recomendação (amém) porque tinha gosto de isopor triturado.

Tudo começou a melhorar quando meu primo, que é mais meu irmão do que meu primo, me contou de um livro que revolucionou a forma como ele lidava com a comida. Esse primo sofreu um acidente grave de carro, teve o intestino estraçalhado, e a partir disso teve que seguir uma dieta super leve pra que tudo voltasse ao normal. Por isso ele chegou nesse livro. 

O livro contava a história de um neurocirurgião francês que curou um câncer no cérebro mudando seus hábitos de vida. Ele trocou o elevador pela escada, separou da mulher, começou a meditar, a comer comida orgânica, largou a carne, mais outras mil coisas. Peguei o livro emprestado e nunca mais devolvi. Emprestei pra todo mundo que vi pela frente. Li de novo. Aí, enfim, eu entrei num mundo de livros sobre alimentação e estilo de vida e tô nessa até hoje. 

Esse aí é o livro que mexeu comigo.

Comecei a pesquisar sobre agrotóxicos. Passei a recusar aquelas bolachinhas que tinham sempre nas reuniões da galera do escritório, a ler rótulos dos produtos do mercado. Abandonei tudo que tinha glutamato monossódico na lista de ingredientes. Virei amiga do chá verde, do gengibre e do repolho, que segundo o livro, são excelentes antioxidantes.

Nessa época, eu já tinha largado a carne, mesmo sem nunca ter buscado isso. Vou abrir um parênteses aqui rapidinho pra contar essa história.

Engatei um namoro com um vegetariano e amei [e amo até hoje] as coisas maravilhosas que ele faz com um brócolis ou uma abobrinha. Aos poucos, como eu sempre tava com ele comendo as coisas vegetarianas delícia, fui achando as carnes um pouco estranhas. Parei logo com o bife e fiquei só nas coisas com caldos, tipo picadinho e estrogonofe. 

Um belo dia cheguei de um aniversário de uma ex-aluna tarde da noite. Sentei no primeiro bar que vi na saída do metrô e pedi um x-picanha. Na primeira mordida, estranhei a textura, depois o gosto, e não voltei mais a comer. Parei com o frango e o resto logo em seguida. Peixe eu queria seguir comendo, mas o paladar vai mudando muito, é uma coisa muito maluca, juro, e larguei ele também.


Eu, no Rio, cidade que morei por sete anos e onde larguei a carne e o toddy light.
Sobre o açúcar. Sou uma viciada em infinita recuperação. Não comer mais sobremesa foi um hábito que me ajudou muito e recomendo. É claro que, se alguém me pagar um jantar no restaurante do Alex Atala, eu vou comer a sobremesa e repetir 6 vezes. Mas no dia a dia eu dispenso. Deixo os doces pros lanches, e como junto com um chá ou café. 

Tenho fixação por brownies, mas já diminuí muito a quantidade de açúcar que coloco pra dentro do meu corpinho, então sempre acho todos eles doces demais. Prefiro fazer minhas versões em casa, que raramente dão certo. Esses chocolates de caixa eu também passo longe. 

Fiz as pazes com o pão, mas também não exagero e prefiro sempre as versões que eu mesma faço, de fermentação natural. Tenho muita preguiça de quem tem fobia de carboidrato. Pra mim, a chance de dar alguma compulsão alimentar é gigante. Quem vai aguentar fazer isso pro resto da vida? Além disso, é pra muito poucos, não? Vai tirar o arroz ou o macarrão de quem que trabalha 12 horas pegando peso pra ver! A pessoa cai dura! Eu sou mega privilegiada em relação a trabalho. Fico sentada bonitona na frente do computador e já sinto uma fome imensa! Mas assim... tudo é uma questão de equilíbrio, né? Se eu passo um dia me afogando na farinha por algum motivo, tipo ir num churrasco onde só como pão com alho, no dia seguinte eu vou dar uma segurada, comer mais legumes. 

Sobre o meu peso, só agora com 30 anos na cara que me livrei desse carma. Gostaria de estar três quilos mais magra? Gostaria. Vou fazer alguma coisa pra perder esses três quilos? N-ã-o. Nenhuma! Meu exame de sangue tá arrasando, então é só uma questão estética mesmo. Fiquei desempregada, mudei de cidade e de vida há uns meses atrás. Nesse processo, fiquei sem um tostão, com a rotina toda desregrada e dei uma boooooa exagerada na cerveja e no açúcar. Engordei uns 5 quilos e vou ficar assim mesmo. Até deixei de me pesar, coisa que fazia todo santo dia.

Voltei pra academia há algumas semanas porque entrei na pira de dançar e quero fazer todas aquelas aulas de rebolar até o chão. Não tenho personal trainer, nem quero ser musa do crossfit, mas respeito quem é, pois cada um que cuide da sua vida. Além disso, eu odeio ficar sem fazer nada porque a vida sedentária acaba com a minha coluna, me faz dormir muito mal e acabo me cansando ao subir dois lances de escada. Me sinto humilhada. Então eu vou lá umas 3, 4 vezes por semana, me olho no espelho e me acho maravilhosa. 

Isso aí foi uma conquista e tanto. Junto com muitas amigas sigo nesse processo de gostar do que vejo na frente do espelho em vez de sofrer sendo refém dos padrões bizarros de beleza.

Bolo de coco molhadinho - R$ 7,85

24 de agosto de 2017
O segredo desse bolo é furar bastante a massa com um garfo, pra cobertura entrar sem piedade e deixá-lo bem molhadinho.

Se eu fosse uma profissional da gastronomia um dia, seria boleira, sem dúvida. É a coisa que mais gosto de fazer na cozinha. Pena que a Nossa Senhora da Alimentação Saudável não permite que a gente almoce e jante bolo. 

Eu tenho uma amiga, dessas de verdade, para além do Instagram, que tá passando por uma fase terrível, dessas que a gente fica questionando a própria existência, entende? Aconteceram algumas coisas na vida dela e eu queria estar ali do lado. Mas tô a oceanos de distância. Ontem eu fiquei pensando muito nela, em tudo o que tá rolando, nas coisas que a gente já viveu juntas, e resolvi que iria fazer uma receita com a cara dela, com técnicas que ela mesma me ensinou na cozinha e colocaria todo o amor que eu conseguisse ali dentro, pra ver se ele chega até lá. Assim, nasceu o bolo de coco molhadinho mais amado do mundo.

Esse negócio de bolo molhadinho foi a Fê quem me ensinou. Ela é dessas de fazer bolos inesquecíveis, mas geralmente caprichados no leite condensado (também queria dizer que ela deveria parar com a coca light, mas talvez eu apanhe por sedex). 

Então eu peguei algumas coisas que ela me ensinou e adaptei pra ficar mais saudável. A dica dela é importante pra essa receita: pra ficar molhadinho tem que colocar a cobertura em cima do bolo já frio e correr pra geladeira. Se colocar no bolo quente ou não colocar na geladeira em seguida, vai ficar tudo melado e grudento. 

A foto está péssima porque não me aguentei muito tempo e já comecei a comer. Perdão!!

Ingredientes da massa
⠂2 xícaras de farinha de trigo integral 
⠂1 xícara de coco ralado sem açúcar ou 1 xícara do resíduo do leite de coco
⠂1 xícara de açúcar mascavo
⠂2 colheres de sopa de farinha de linhaça hidratada em 6 colheres de água morna 
⠂1/3 de xícara de óleo (usei de girassol)
⠂1 xícara de leite de aveia (receita aqui) ou outro leite que tenha o gosto mais neutro
⠂1 colher de sopa de fermento em pó
⠂1 pitada de sal

Cobertura
⠂1 xícara de coco ralado
⠂3 colheres de sopa de melado de cana ou açúcar mascavo
⠂1 xícara de leite de aveia ou outro leite que tenha gosto mais neutro.
⠂Pedaços de coco pra decorar. 

Como eu fiz
⠂Deixei o forno aquecendo a 280 graus por uns 15 minutos. 
⠂Bati a linhaça hidratada na água (deixei hidratando por uns 10minutos) no liquidificador com o óleo, o leite de aveia e o açúcar. 
⠂Depois despejei esse líquido numa tigela com o resto dos ingredientes secos. 
⠂Misturei tudo e coloquei a massa numa forma redonda untada. A massa fica mais sólida do que líquida! 
⠂Assei por 50 minutos a 200 graus. O bolo fica frágil e não cresce muito. Não se desespere. 
⠂Depois de pronto, deixei esfriando e depois de uns 20 minutos é que comecei a fazer a cobertura. 
⠂Misturei todos os ingredientes numa panela e esperei ferver por uns 5 minutos.
⠂ Fiz vários furos no bolo com o garfo, pra cobertura entrar bem e deixá-lo molhadinho. Coloquei a cobertura por cima do bolo e já o levei pra geladeira. 
⠂Não pode economizar na cobertura porque o bolo sozinho vai ficar um pouco seco e sem graça. Pronto! Tem que guardar sempre na geladeira depois de comer ou vai estragar muito rápido. 


Pergunta se eu deixei a cobertura gelar? Fui obrigada a provar um pedacinho antes.

Salada com molho tailandês - R$ 4,90

22 de agosto de 2017
Hoje eu acordei internacional, querendo preencher meu passaporte com aqueles carimbinhos, sabe? Mas como a minha conta bancária não me deixa nem viajar até São Paulo pra visitar a minha sogra e azamiga que moram lá, tive que me contentar com alguma comidinha com cheiro de exterior.

Dica importante: o molho tem que ficar marinando pra pegar bastante sabor. De preferência, de um dia pro outro na geladeira.
Se eu não nascesse brasileira, acho que tinha nascido na Ásia. Por mim até tomava banho de gengibre, curry e molho de soja. Preparem-se porque nesse blog vai chover comida com esses três ingredientes. Como eu tô escrevendo uma matéria sobre restaurantes tailandeses nesse momento, fiquei enlouquecida com os cardápios cheios de pimenta e amendoim. Lembrei que tenho um repolho imenso na geladeira, comprado na feira orgânica por R$ 2,50, e resolvi fazer uma salada de repolho com molho tailandês pra acompanhar o arroz com feijão no almoço.

O repolho, pra quem não lembra, tá na minha lista de amores incondicionais. Além de super antioxidante, ele é um dos alimentos com eficácia comprovada na prevenção e no tratamento do câncer, assim como o gengibre, a framboesa e o chá verde, segundo o livro Anticâncer, do médico francês David Servan-Schreiber

Voltando pra Tailândia, o prato deles mais fácil de achar no Brasil é pad thai. Comi uma única vez na vida e tive que segurar as lágrimas, juro. É uma coisa de outro mundo se for bem feito. Trata-se de um macarrãozinho com bastante pimenta, molho agridoce, legumes e amendoim. Talvez a versão mais famosa tenha carne, não lembro porque eu comi o de legumes mesmo. 

Dei uma pesquisada e descobri que a cozinha tailandesa tem uma característica muito forte, que é a união dos quatro sabores que marcam o nosso paladar: azedo (limão), salgado (molho de soja) doce (melado) e picante (gengibre e pimenta). Tentei fazer isso nessa receita. Vamos lá:

Ingredientes
⠂1/2 repolho cortado em tirinhas bem finas.
⠂1 cenoura ralada
⠂1/3 xícara de molho de soja/shoyo (eu compro da marca daimaru, que não tem glutamato monossódico, por R$ 16 a garrafa de 900ml)
⠂2 colheres de sopa de água
⠂1 limão pequeno ou 1 colher de sopa de vinagre
⠂2 colheres de sopa de mel ou melado
⠂gengibre a gosto (eu coloco MUITO, tipo um polegar inteiro, talvez você não goste)
⠂salsinha ou cebolinha a gosto (usei uns 4 raminhos)
⠂1 pitada de pimenta do seu gosto (usei do reino e dedo de moça em pó)
⠂1/2 xícara de amendoim torrado e sem sal

Como eu fiz
Primeiro fiz o molho juntando o shoyu, a água, o limão, o melado, o gengibre, a pimenta e a salsinha. Deixei umas 8 horas na geladeira marinando. Tem que deixar um tempo nesse processo ou vai ficar sem graça. O melhor é deixar 24 horas. Depois, na hora de servir, só ralei a cenoura, piquei o repolho bem fininho e joguei o molho por cima. Por último, amassei o amendoim num pilão e ele virou um farelo. Quem não tiver o pilão pode picar beeeem picadinho ou amassar com outra coisa, tipo o amassador de batata. Não dá pra fazer essa receita sem ele, hein? 

Observação: Pode fazer a salada com os vegetais que quiser e usar esse molho. Dá pra fazer com berinjela (aí reduza um pouco o limão porque ela já é ácida), abobrinha, vagem, pimentão, folhas verdes...

Chips de cascas de raízes - de graça

21 de agosto de 2017

Aí os chips delícia pra comer antes do jantar ou tomar com uma cervejinha no fim de semana.

Eu sei que é difícil cair na real, mas já estamos em 2017, rumo ao fim do ano, inclusive. Como a civilização já evoluiu muito, já deu pra aprender pelo menos algumas coisas, certo? Por exemplo, a questão do desperdício de comida. Taí uma coisa que me deixa muito nervosa. 

Já estamos em 2-0-1-7, depois de milhões de guerras mundiais, revoluções, catástrofes ambientais, as mulheres já podem trabalhar fora (mesmo ganhando 1/10 do salário dos homens) e geral ainda continua nem aí pro lixo que gera e pro quanto de dinheiro poderia economizar com isso.

Partiu criar vergonha nas fuças? Vou dar algumas dicas de coisas que faço aqui em casa.

→ Guardo todas as cascas de vegetais e as folhas mais velhinhas num saquinho e congelo. Depois dá pra virar um caldo de legumes divo pra dar mais sabor no arroz, feijão, risotos e tudo o mais.

→ Faço chips com as cascas mais consistentes, como batata e beterraba. É melhor se forem orgânicas, é claro. As folhas de couve também costumam murchar rápido. Dão um ótimo chips também.

Ingredientes 
⠂cascas lavadas de 3 batatas pequenas e 2 beterrabas
⠂1 pingo de óleo
⠂sal e pimenta do reino a gosto

Como eu fiz
Lavei bem as batatas e a beterraba antes de usar. Descasquei, separei as cascas num potinho e o resto parti pra receita da torta salgada. Com as cascas, misturei um pingo de óleo de girassol com sal e pimenta do reino e joguei tudo num assadeira. 

Atenção para a dica: cada casca tem que entrar em contato com o fundo da assadeira. Se ficar um por cima da outra, não vai virar chips, hein? Depois eu deixei no forno por 25 minutos e corri pro abraço.

Panqueca de banana - R$ 1,30

19 de agosto de 2017
Sempre tive preguiça de panqueca. Acho muito filminho americano e faço o tipo #orgulhodeserbrasileira. Prefiro tapioca, pão ou bolo integral no café da manhã. Mas há pouco tempo minha mãe começou um acompanhamento com nutricionista pra perder peso, que passou algumas receitas de panqueca. Ela sempre faz quando vem aqui pra casa e confesso que acho muito prático e uma delícia.  Aí já viu. Me rendi. Eu costumo fazer em dias como hoje, quando preciso criar vergonha na cara e fazer compras porque já acabou todo o meu estoque de quitutes matutinos.

Eu comi com geléia de manga. Dá pra comer sem nada ou com qualquer outra geléia ou castanha que tiver em casa.
O segredo da panqueca é colocar a massa na frigideira bem quente. Se você despejar a massa na frigideira fria, vai grudar tudo. 

Ah! Essa é uma boa opção pra quando as bananas tão quase estragando, sabe? Já bem escuras. Então essa receita, de quebra, já evita o desperdício. 

Ingredientes pra panqueca versão 1 - (serve uma pessoa)
⠂1 colher de sopa farinha de linhaça misturada em 3 colheres de sopa de água 
⠂1 banana (quanto mais madura, mais doce a panqueca)
⠂2 colheres de sopa farinha ou farelo de aveia
⠂canela a gosto

Observação: Se não tiver as farinhas, é só bater a linhaça e a aveia em grãos com os demais ingredientes no liquidificador. Eu prefiro fazer com as farinhas mesmo em vez de bater, porque acho a massa pedaçuda mais gostosa, além de ficar pronta mais rápido.

Como eu faço
Numa tigela, amasso a banana e misturo os outros ingredientes com uma colher. Coloco um pingo de óleo numa frigideira bem quente (se a sua frigideira for super mega antiaderente, não precisa do óleo) e joguei a massa. Depois que já desgrudou e ficou morena de um lado é só virar e esperar mais um pouco. No meu fogão esse processo demora uns 5 minutos.

Ingredientes pra panqueca versão 2
⠂1 colher de sopa de coco ralado
⠂2 bananas maduras (quanto mais madura, mais doce a panqueca)
⠂2 colheres de sopa de farinha de aveia
⠂canela a gosto
⠂óleo ou azeite pra untar a frigideira

Como eu faço
Mistura tudo numa tigela, amassando bem a banana, e é só despejar numa frigideira antiaderente já pré-aquecida e untada. 


Pra acompanhar a panqueca

Nada ou o que tiver na geladeira/despensa. Dessa vez, coloquei geleia de manga que fiz rapidinho junto com a panqueca. Dá pra colocar melado, mel, outra geleia, castanhas, amendoim ou frutas picadas.

Geleia de manga - R$ 3,90*
⠂1 manga madura cortada em cubos
⠂2 colheres de sopa melado (só coloco quando a fruta não está tão doce)
⠂gengibre picado, canela em pau e cravo a gosto
⠂1 pitada de sal
⠂1 pitada de pimenta caiena

Como eu fiz
Joguei tudo na panela e deixei cozinhando, mexendo um pouco pra não queimar, até a manga desmanchar e ficar com cara de geleia. Demorou uns 10 minutos.

*O mais caro da receita é a manga, por não estar na época. Eu paguei R$ 4,90/kg.

Como eu calculo o preço da receita
→Eu anoto o valor que paguei nos ingredientes, coloco cada um numa balança e faço regra de três: peso x preço.

→ Os temperos não entram, como sal e pimenta do reino, porque uso muito pouco em cada prato.

→Só coloco óleo e azeite no cálculo se uso 1/2 xícara ou mais. Menos que isso é muito pouco e cada um usa a seu gosto.

→ As ervas frescas, como a cebolinha e o tomilho, eu tiro da mini horta da minha varanda.