Refrigerante caseiro

11 de março de 2019
Os fermentados estão em alta. É inegável, né? Há um tempo atrás eu descobri o kefir de água e fiquei viciada. Tomava com limão de manhã, alimentava meus bichinhos diariamente com amor. Mas como qualquer relacionamento intenso demais, uma hora a gente acabou em crise. Comecei a me sentir sufocada pela obrigação de manter aquela colônia de bactérias vivas. Às vezes acordava atrasada, viajava por muitos dias, ou vivia a vida mesmo e esquecia do kefir.

Vivi a mesma relação abusiva com o kombucha. Pesquisei ideias de melhores sabores com os amigos, me inscrevi em mil grupos de doação porque achava que o mundo inteiro merecia viver ao lado do scoby. Achei que tinha descoberto o amor da minha vida. Mas uma hora comecei a ficar irritada com o ritmo acelerado da proliferação das colônias de bactérias. Passei a despejar todas as tarefas relacionadas ao preparo dos sucos fermentados nas costas do Lúcio e, claro, ele também foi cansando de manter essa chama acesa. 

Minha mãe começou essa história de amor junto comigo e continua vivendo um conto de fadas. Então eu confesso que adoro dar um pulo na casa dela e matar as saudades. Até porque beber kombucha em garrafinhas na rua se tornou mais caro que vinho tinto orgânico sem conservantes.

Poderia continuar sendo feliz e bem resolvida sem as bebidas fermentadas caseiras? Poderia. Só que tenho o péssimo vício em bebidas gasosas. Já fui viciada em guaraná, fanta uva e água tônica. Água com gás, então, só não nado numa piscina disso porque geraria muito lixo das garrafinhas. 

E acho importante também a gente não substituir a ingestão de água necessária pra manter nossos corpos em bom funcionando por outras coisas, principalmente se forem açucaradas. 

Não sou mais dependente emocionalmente de nenhuma bebida açucarada graças a Nossa Senhora do Equilíbrio Alimentar. Não bebo café, chás ou sucos com açúcar. Até que tomo refrigerante umas duas vezes por ano, mas é raríssimo. E recomendo que todos os seres humanos façam o mesmo! A gente já come açúcar demais no geral. É bom dar uma segurada, né?

Mas aí a minha musa inspiradora Carla, do @outracozinha, que é apenas a pessoa que melhor escreve sobre comida de toda a internet, jogou na roda a receita de uma bebida fermentada pra aproveitar umas jabuticabas. 

Que tal boicotar a Coca Cola e fazer o seu próprio refrigerante?

Fiquei chocada com a facilidade daquilo e tratei de replicar em casa segundos depois. Pra que? Fiquei completamente apaixonada mais uma vez. E o melhor de tudo é que não precisa ter a obrigação de cultivar nada. Você pode fazer a receita, ficar 4 meses sem repetir, e pronto. Liberdade total. 

Já testei de mil jeitos e com ingredientes bem diferentes: maçã com gengibre, manga com gengibre, jabuticaba, só hortelã, uva, ameixa, só de casca de abacaxi... O céu é o limite. A receita consiste em apenas juntar frutas que tão pra estragar (com seus caroços, cascas, sementes), juntar água e açúcar pra fermentar e virar gás!

Não tem uma medida exata de cada coisa. Citei aqui a receita aproximada da Carla, mas vai variar muito de acordo com a fruta e as tuas preferências. Se usar frutar mais azedas, precisa de mais açúcar. Mais doces, como uma manga bem madura, menos açúcar. Só não rola de reduzir muito a quantidade de açúcar ou não vai criar gás nenhum. 

Essa é uma ótima opção pra festas infantis, em substituição ao refrigerante, pra receber amigos, almoços de domingos, e tudo o mais. 

Ah! Quanto mais você deixar fermentando, mais vai criar gás e uma gradação alcoólica beeeem baixa, coisa muito inferir a 1%. Nada que seja significativo a ponto de fazer mal a crianças e grávidas, viu?

Fique atento ao passo a passo pra não explodir a sua casa! E aproveita!


Ingredientes 
⠂1 kg de frutas picadas que tiverem quase passando (usei ameixas pra essa versão da foto)
⠂1 xícara de açúcar de qualquer tipo (usei demerara)
⠂gengibre ralado ou folhas de hortelã a gosto (opcional) 
⠂1 litro de água

Como fazer
Passo 1: Se você escolher frutas que comemos picadas, como abacaxi, manga, maçã, é assim que você vai usá-las na receita. Frutas de chupar diretamente na boca, como jabuticaba, caju ou uva, você vai esmagar a polpa com as mãos. 

Essa versão é de maçã com ameixas.


Passo 2: Junte as frutas, a água e o açúcar num pote (de preferência de vidro) ou panela com tampa. Nem precisa misturar. A hortelã e o gengibre entram aqui também. Precisamos deixar um espaço considerável (em torno de 4 dedos de altura) entre a tampa e o líquido por conta do gás que vai se formar. 

Passo 3: Se você mora num lugar de calor escaldante, deixe esse líquido fechado em temperatura ambiente longe do sol por 24 horas. Se você mora num lugar de calor moderado, deixe por 48h. Se estiver numa região de frio intenso, deixe por 72h. 

Passo 4: Passado esse tempo, vamos coar esse líquido. Vai formar umas espuminhas, uma camada de uma substância esbranquiçada e exalar um cheiro um pouco ácido. É assim mesmo. Pode confiar. Com uma peneira, separe o resíduo das frutas do restante do líquido. Não tem muito o que fazer com as frutas que sobraram. Pode enterrar no vaso das plantinhas ou jogar na composteira.

É normal criar essa camada esbranquiçada, viu?

Passo 5: Agora você vai dividir esse líquido em garrafas (pequenas ou grandes) ou vidros tipo de palmito. Um funil ajuda a não sujar a cozinha inteira nessa hora. Respeite a distância entre o líquido e a tampa novamente. Pelo menos 4 dedos. Nessa etapa, vai formar ainda mais gás. Ah! É importante usar garrafas que estejam esterilizadas. Basta fervê-las por alguns minutos numa panela. 

Passo 6: Deixe as garrafas fazendo a segunda fermentação em algum lugar da cozinha que esteja longe do sol e do forno/fogão por mais 24 horas.

Não esqueça de deixar um espaço bom entre o líquido e a tampa.

Passo 7: Agora é só colocar na geladeira pra gelar bem e pode se esbaldar.

Atenção: NÃO SONHE em chacolhar as garrafas antes de abrir, hein? E tire a tampa bem devagar. Se tiver ameaçando jorrar o mundo em espuma pra fora, faça esse processo bem aos poucos. 

Atenção 2: Se for transportar essas garrafas em ambientes de grande movimento, como carro, ônibus e tal, deixe um espaço ainda maior entre o líquido e a tampa na hora de engarrafar. O sacolejar do transporte pode fazer as garrafas explodirem. Tome cuidado. 

Ah! E esse processo de fermentação também garante bactérias maravilhosas pro nosso intestino! :)

Olha o gás aí, minha gente



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A alimentação no novo governo

26 de fevereiro de 2019
Oi! Já li alguns balanços dos primeiros meses do governo Bolsonaro sobre outras áreas, mas até o momento não encontrei nenhum apanhado sobre o campo da alimentação.

Como acredito que informação é um direito e precisamos ter acesso a tudo o que tá rolando, me debrucei sobre os principais decretos do novo presidente e resumi tudo nesse post. 

Vai ser um bombardeio de notícia ruim, já aviso. Mas a gente só pode se mobilizar, se organizar e até opinar quando entendemos minimamente sobre os fatos, né?

Boa leitura!

Comida saudável, orgânica, natural tem que ser direito de todos.

⠂FIM DO CONSEA. O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) foi criado no governo Itamar Franco com o objetivo de atuar na combate à fome e à miséria no Brasil. Até janeiro desse ano, tinha a função de propor diretrizes e prioridades relacionadas à alimentação ao governo federal. Formado por membros do governo e da sociedade civil, o órgão vinha fazendo inúmeras críticas ao uso de agrotóxicos e defendia a agricultura familiar. 

Entre as bandeiras do Conselho estava a luta pela não aprovação da PL do Veneno e a construção do Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar. Por mais que se resumisse a um trabalho de assessoria à presidência, o Consea incomodava (e muito!) as grandes corporações e o agronegócio. 

O novo governo jogou tudo o que cabia ao Consea pra um novo ministério, o da Cidadania, mas sem incluir a participação da sociedade civil. Ou seja, agora a responsabilidade pela Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional fica a apenas com o governo. Adeus, Consea, adeus participação popular!

Mas nem tudo está perdido: Essa medida do presidente só vale por 60 dias. Depois ela pode ser prorrogada por mais 60 dias e só. Vai precisar da aprovação do congresso pra continuar.

Quer saber mais? Espia essa reportagem

⠂FIM DO MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL. O novo Ministério da Cidadania engloba o antigo Ministério do Esporte, o antigo Ministério da Cultura e o também extinto Ministério do Desenvolvimento Social, que coordenava a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. O novo governo manteve o programa, mas diversas associações e organizações entendem que a junção das três áreas dentro do mesmo ministério tende a enfraquecê-las e reduzir os recursos. Precisamos ficar de olho. 

No fim do ano passado, o Ministério de Desenvolvimento Social publicou um trabalho maravilhoso chamado Mapeamento dos Desertos Alimentares no Brasil. De forma detalhada, o estudo apontou de que forma fatores como renda, região e tipo de estabelecimento influenciam a oferta de alimentos no nosso país. Foi a primeira vez que um estudo tão detalhado e tão grande sobre esse tema foi feito por aqui. Pra ler o mapeamento completo, clica nesse link.

⠂FIM DA SECRETARIA NACIONAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL. Em vez de realocar os funcionários da antiga Sesan no novo Ministério da Cidadania, o novo governo está exonerando a equipe de funcionários. Advogados, sociólogos e nutricionistas, que vinham fazendo um trabalho importantíssimo na construção de políticas de combate à fome e desnutrição no Brasil, não ocupam mais cargos em Brasília. A secretaria extinta fazia a ponte entre o governo federal e as ONGs, estados e municípios. Não sabemos se esse trabalho vai continuar e se terá a mesma força. 

⠂REFORMA AGRÁRIA SUSPENSA. Com o novo arranjo de ministérios, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) deixou de pertencer à Casa Civil e agora integra o Ministério da Agricultura. Sim, pode parecer piada, mas o órgão que trata da reforma agrária está nas mãos dos ruralistas, aqueles coronéis da soja transgênica e da criação de bois. Como já era mais do que esperado, o novo governo suspendeu 250 processos de aquisição de desapropriação de terras, além de interromper os 1.700 pedidos de identificação e delimitação de territórios quilombolas assim que assumiu. 

Pra saber mais, clica aqui

⠂NOVA MINISTRA DA AGRICULTURA. Tereza Cristina, do DEM, é apenas a deputada federal autora do projeto que quer liberar a pastagem de bois em reservas ambientais. Prazer, essa é a nova ministra da agricultura. A pessoa responsável pelo que chegará na nossa mesa também votou a favor da PL do Veneno, a favor da PL da Grilagem, a favor da medida provisória que aprovou o aumento da área desprotegida (ou seja, desmatamento!) na Floresta Nacional do Jamanxim e na Serra do Cachimbo (PA), além do Parque Nacional de São Joaquim (SC). Como se não fosse o suficiente, a moça também votou pelo fim da exigência do daquele T no rótulo dos alimentos que possuem alguma coisa transgênica na composição. 

Ah! Não custa lembrar: a ministra é proprietária de terra, dona da MMT NUTRICAO ANIMAL, que fica na cidade de Terenos, Mato Grosso do Sul. E como sempre pode piorar, durante a campanha eleitoral de 2014 ela recebeu R$ 100.000 em doações da Vetorial Siderurgia, empresa que já foi multada pelo Ibama e denunciada por trabalho escravo. 

Resumindo: quando a gente acha que Kátia Abreu era grave, que Blairo Maggi já tinha entupido a gente de veneno o suficiente, somos presentados com a nossa amiga Tereza Cristina. 

⠂MAIS DE UM AGROTÓXICO LIBERADO POR DIA. Nos primeiros 47 dias de governo, Bolsonaro autorizou a entrada de 54 novos agrotóxicos no mercado. Nunca na história desse país outro presidente conseguiu tamanha proeza. Assim, chegamos ao maravilhoso número de 2.123 venenos licenciados por aqui. Só no dia 11 de fevereiro, foram 19 produtos autorizados, sendo que 12 ocupam o maior grau toxicológico possível.

Entre os novos defensivos cancerígenos que tão chegando pra gente, estão o Mancozebe, usado pra cultivar arroz, banana, feijão, milho e tomate; além do Piriproxifem, destinado ao café, melancia, soja e melão, por exemplo. Para saber mais detalhes, clica aqui

Resumindo: viramos o local preferido de descarte de agrotóxico do mundo. Tudo o que é proibido no exterior, as empresas gringas empurram pra gente e o nosso presidente aceita de braços abertos. 

Ainda aguardamos a votação da PL do Veneno, que tá pra ser votada a qualquer momento na Câmara dos Deputados. Sobre esse projeto, explico tudo certinho aqui.

⠂GLIFOSATO À BEIRA DO RIO SÃO FRANCISCO. Como essa novela sempre pode ganhar novos capítulos e um final ainda mais assustador, no dia 13 de fevereiro o Ibama autorizou o uso de glifosato, o veneninho da Monsanto associado à causa de câncer, em caráter emergencial pra combater as árvores Algaroba (Prosopis juliflora), localizadas na beira do Rio São Francisco. Ok, já sabemos que essa planta ameaça a biodiversidade do semiárido do Nordeste. Mas até eu que sou uma ninguém na fila do pão sei que existem formas menos nocivas de conter plantas invasoras e que não precisamos entupir um dos rios mais importantes desse país de glifosato! Chamem os especialistas em agrofloresta! Pra ler o decreto completo, clique aqui. 

⠂NOVAS PRIORIDADES DA ANVISA. Fevereiro já pode ser considerado o mês nacional do veneno! No dia 13, saiu a nova lista anual de temas que serão prioridade pra Agência Nacional de Vigilância Sanitária até 2020. E olha só que coisa interessante. Saiu da lista a revisão da capacidade toxicológica do agrotóxico acefato, conhecido no mundo todo por seu potencial cancerígeno. Ou seja, não teremos uma segunda chance pra provar que se trata de um veneno perigosíssimo. Pra ler o documento completo, clica aqui

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É isso. Queria trazer boas notícias, mas não é possível neste momento. Pra continuar por dentro do assunto, indico essas páginas:




⠂ Ruralômetro 
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Ah! Gostaria de agradecer aos apoiadores do Catarse, que me permitem dedicar mais tempo ao Comida Saudável pra Todos. E esse apoio tornou possível posts como esse! MUITO OBRIGADA! 😄 Se quiser apoiar também, clica aqui. 

Patê de pimentões - R$ 6,79

21 de fevereiro de 2019
Gostaria de começar esse post com uma salva de palmas para a Vossa Majestade Semente de Girassol. Ela merece.

Jamais imaginei que as bonitonas existissem até virar uma vegetariana desempregada. Na verdade, essa história começou com a castanha de caju. 

Num belo dia, quando ainda nem era vegana e comia doces cheios de creme de leite, vi uma receita de torta de morango com castanha de caju de base no canal GNT. Achei a ideia maravilhosa e resolvi fazer pra receber uns amigos em casa. 

Bem ingênua, saí pra comprar a quantidade de castanha de caju recomendada pra receita: 2 xícaras. Nem vi o preço escrito no pote da loja e quase tive um infarto quando a moça colou a etiqueta no saquinho. Deu uns R$ 40. E ainda faltava comprar 2 bandejas de morango! Ou seja, eu ia gastar mais do que o preço de uma sobremesa no restaurante do Alex Atala! Pedi desculpas pra atendente, devolvi as castanhas e fui embora traumatizada. 

Foi aí que comecei a repetir o mantra que persiste até hoje: veganismo é pra gente rica. Sim, já fui dessas. Mas eu devia ter pesquisado melhor e buscado outras referências de comida sem ingredientes de origem animal. 

Nada contra a castanha de caju mesmo! Eu amo demais. Comeria todos os dias, tomaria até banho com ela. O problema é só o preço mesmo. 

Se pudesse, queria voltar no tempo pra ter começado a usar as sementes de girassol mais cedo! Porque, sim, elas são um ótimo substituto pra castanhas e amêndoas em receitas (principalmente salgadas), custam em torno de R$ 15 o quilo e são fáceis de encontrar por aí. Em Floripa já se vende até em supermercados.

De quebra, possuem um batalhão de nutrientes, tipo cálcio, ferro, magnésio, zingo, selênio, manganês (quase a natureza inteira), mais diversas vitaminas do complexo B. Como se já não bastasse, são ricas em proteínas, como o pessoal da maromba gosta!

Então não precisa de castanha de caju sempre! Muito menos de laticínios!!! Com o leite da semente de girassol podemos fazer molho branco pra massas e lasanhas, ricota pra comer com pão ou rechear quibes. As sementes também viram um excelente petisco quando tostadas na frigideira (com sal e um tiquinho de pimenta), além de servirem de base pra pastinhas, cremes e patês. 

As sementes de girassol rendem uma pastinha bafônica de feijão branco, de tomate seco, azeitonas, cebola caramelizada, abobrinha e hortelã. Pode inventar sem filtro! Só não esquece: sempre sem casca, tá? 

Dicas: se quiser uma textura mais lisinha e uniforme em qualquer receita que levar sementes de girassol, basta deixá-las de molho por 4 horas pelo menos. Esse processo também ajuda a facilitar a digestão delas e absorver melhor os nutrientes no teu corpinho.

E tem mais: as sementes de girassol virariam o que? Girassol, a flor. Flor que inspira alegria, renovação, criatividade, otimismo. Enfim, uma planta sem defeitos! Até emocionei aqui! :)

Partiu garantir um lugarzinho pra essa deusa na despensa?

A receita de hoje surgiu num contexto de necessidade. Mudança de casa, armário meio vazio, cansaço, preguiça de cozinhar. Também fui influenciada pela época: é hora de comer pimentão antes que venha o frio e ele seja atochado de agrotóxico, como costuma ser. 

Ah! O preço não saiu dos mais baixos porque pimentão amarelo e vermelho são mais caros, né? Mas não rola de fazer sem eles. Só o verde é muito sem graça. Tenta comprar pelo menos um dos dois, tá?

Deixei uns pimentões pra decorar por cima, mas não precisa. Também joguei um azeitinho a mais!

Ingredientes
⠂1 pimentão verde
⠂1 pimentão amarelo
⠂1 pimentão vermelho
⠂1 cebola
⠂1 limão
⠂2 colheres de sopa de uva passa
⠂4 colheres de sopa de azeite
⠂1 xícara de sementes de girassol sem casca de molho por 4 horas
⠂sal a gosto
⠂pimenta do reino a gosto
⠂água o suficiente pra não queimar o seu liquidificador

Observação: você não vai perceber a uva passa na receita! Eu garanto. Mas é importante pra tirar a acidez dos pimentões e dar um gostinho de agridoce beeeeem leve. 

Como eu fiz
Enquanto o forno pré-aquecia, cortei os pimentões em tirinhas e a cebola em meia lua. Joguei tudo numa assadeira mais as uvas passas, sal, pimenta e o azeite. Assei em forno baixo por 35 minutos (ou até os pimentões estarem bem murchinhos). Depois só escorri as sementes de girassol e bati tudo liquidificador. Nessa hora entra o limão e um tiquinho de água. Quanto menos água melhor. Eu fui batendo, parando, mexendo e acrescentando um tiquinho de água. Mas você pode escolher a textura que quiser. Eu quis mais firme, não tão pastosa, sabe? 

Os bonitões devem sair assim do forno, bem tostadinhos. 

Aproveita porque esse é o melhor patê que esse blog já viu. Sério! Agora prometo começar os testes com semente de girassol em receitas doces.

Comida a preço justo - Com Thallita Flor

6 de fevereiro de 2019
O que é comida a preço justo? Essa é uma pergunta que me faço todos os dias. Primeiro, porque não posso ficar pagando por risotos de aspargos por aí, mas também desconfio de alimentos com preço muito baixo. 

A questão é difícil e polêmica. Tem cozinheiro que prefere viver no vermelho pra oferecer pratos acessíveis, assim como tem gente que coloca os preços lá em cima e usa ingredientes de baixíssima qualidade. No geral, precisamos avaliar as razões que justificam aqueles valores. E isso não vale só pra comida, né? 

A gente já sabe que vegetais baratíssimos nas verdureiras e hortifrutis podem significar que aquele agricultor foi explorado ou que aquela batata foi plantada com trabalho análogo à escravidão. 

A gente já sabe também que os orgânicos não costumam ser mais caros porque os produtores são ambiciosos, mas porque eles não contam com facilidades e subsídios do governo. Coisa que os grandes fazendeiros que entopem a comida de agrotóxico têm aos montes.

Mesma coisa vale pra indústria de refrigerantes. Você já se perguntou por que uma latinha de Coca custa menos que um copo de suco de laranja? É a mesma lógica dos orgânicos. A indústria de refrigerantes ganha milhares de vantagens fiscais. E nem vou entrar na questão dos grandes monopólios. 

Então, como chegar num equilíbrio e num conceito coerente de comida a preço justo? Pra me ajudar nessa empreitada, chamei uma mulher maravilhosa, da qual já provei a comida, inclusive, e tem muita propriedade pra falar. 

A Thallita Flor é proprietária do Banana Buffet, no Rio de Janeiro, empresa que oferece cardápios veganos para eventos. Além disso, ela acaba de criar uma nova empresa, o Zityalo, que fornece hambúrgueres vegetais para lanchonetes e restaurantes. Como se fosse pouco, a bonita ainda é estudante universiária, atriz, palhaça, blogueira e dá cursos e palestras sobre veganismo acessível. Antes de tudo, você precisa conhecer o blog dela, o Meu Corpo Negro. As palavras da Thallita são tão sensatas, tão diretas e certeiras que dá vontade de correr pra dar um abraço nela assim que leio cada frase. Sério mesmo.

Chamei a Thallita porque ela reúne duas coisas importantíssimas pra essa discussão sobre preço justo de comida: ela trabalha com isso, mas também mora em favela e não pode sair por aí mastigando quitutes chiquérrimos. 

Dividi a entrevista em dois momentos. Primeiro, ela vai falar mais enquanto uma consumidora de comida. Na segunda parte, como uma chef que trabalha com isso, tá? Ficou imensa, mas se você for leitor raiz do blog já deve estar acostumado, né? hahaha

Prazer, essa é a rainha Thallita.
Parte 1: consumidora

Qual o perfil da Thallita? Tens o hábito de comer fora? Se sim, que tipo de comida e lugares tu frequentas pra comer na rua? 
Não sou uma pessoa que é tomada inteiramente pelo trabalho ou estudos e opta por só comer fora ou encomendar comida congelada. Assim como também não tenho como cozinhar sempre o que vou comer.

Nos dias que tenho faculdade, ainda que minha aula seja só às 17h, eu sempre vou no horário do almoço, pra poder comer no bandejão. E geralmente sempre janto na faculdade também, porque acaba sendo mais barato do que cozinhar em casa.

Sem ser a comida da faculdade, às vezes em que como fora é quando tem dinheiro no cartão alimentação do Ed. Aí a gente faz a festa! Vai em restaurante chique e paga com vale refeição hahaha.
Quando vamos almoçar ou jantar em algum lugar, damos preferência pra um local vegano ou vegetariano, mas não é o fim dos mundos quando não encontramos um local, porque eu me adapto perfeitamente a um lugar não vegetariano. Confesso que as vezes prefiro um self service farto de salada e legumes do que um restaurante vegano, porque as vezes é cada decepção que só Jesus na causa. Mas quando dá pra fortalecer, sempre dou preferência. Um estabelecimento que não trabalha com crueldade é sempre a melhor opção.

Mas eu fico abismada com pessoas que têm cozinha em casa e não usam. Simplesmente comem em restaurante tanto no horário de almoço de trabalho, quanto à noite. Ou então comem comida congelada. E eu me refiro a pessoas veganas mesmo, não pessoas que consomem lasanha da Sadia e similares. Não tô condenando quem "não tem tempo" pra cozinhar. Só me questiono sobre esses hábitos alimentares, de cada vez estarmos mais distantes da arte/terapia/necessidade que é cozinhar. A gente tá meio deturpado.

Em geral, tens um teto de preço de uma refeição que não pode ser ultrapassado?
Nunca parei pra fazer essa conta. A gente vai vivendo conforme vai tocando a música. Compra comida quando dá, sai quando dá... Então, em geral, quando tenho dinheiro pra fazer a compra da semana, eu procuro os ingredientes mais baratos do sacolão, que são os que estão na época obviamente, e não compro muita quantidade deles. E quando tem um pouco mais de dinheiro, compra a parte dos industrializados, como arroz, feijão, farinha, etc. Essas compras no sacolão não passam de 20 reais, e a dos industrializados não passa de 50 reais por mês. Isso rendendo comida pra mim e pro meu companheiro e nem toda semana fazemos sacolão, e nem todo mês fazemos mercado.


Quando o assunto é comida, a Thallita acaba de lançar uma segunda empresa, o Zityalo, de hambúrgueres vegetais.

Que ingredientes não entram na tua cozinha por serem muito caros?
Tenho o privilégio de ter ingredientes caros volte e meia a disposição porque às vezes sobram insumos de eventos do Buffet e eu levo pra casa hahahaha. Mas se não fosse o Buffet, comeria cogumelos muuuuuuuuuuito raramente. E digo raramente e não nunca, porque eu acredito que economizamos muito não comprando produtos de origem animal. Isso é suficiente pra comprar cogumelos 1 vez no mês talvez. Ou quem sabe aquela linguicinha vegana! Aaaaaah queijo! Queijo vegano compro geralmente só para o Buffet e nunca sobra. Como é bem fora da minha realidade esse produto e não é só o dinheiro, mas a logística pra comprar, prefiro adaptar meu paladar a outras coisas!

O que entendes por "preço justo" enquanto consumidora? 
Tenho me questionado tanto sobre isso. Às vezes vou num sacolão, e acho verdura a 2 reais caro. Porque sei que tem lugar que vende a 0,99 centavos. Só que às vezes eu paro pra pensar que se eu compro a 0,99 centavos em determinado sacolão a quanto será que essa verdura foi vendida?

É muito complicado, porque eu estou numa situação onde preciso comprar o mais barato, mas me questiono o tempo inteiro sobre esse lugar das coisas. Não nos esquecendo também que muitos produtos estão com preços baixos, não na intenção de serem acessíveis, mas sim com a intenção de serem vistos, de serem comprados. Eu sei disso porque já trabalhei vendendo quentinhas, e eu sei o mundo cão que é.

Eu vendia quentinha a 12 reais e nem cobrava taxa de entrega. Meus concorrentes vendiam a mesma quantidade de comida a 21 reais. Não acho caro, é quanto acham que vale o trabalho deles. Eu não vendia mais barato só porque queria ser acessível a todos. Eu vendia mais barato porque não conseguia competir com essas pessoas. Se minha comida custasse 21 reais eu ia morrer de fome. 

Nunca teve o dia que alguém com grana comprou minha comida de 12 reais e me deu 20. Entende o que quero dizer? As pessoas não tem esse hábito de "se eu posso pagar mais, vou valorizar!" As pessoas só querem comprar o mais barato e com a maior qualidade, não importa de onde vem. Eu tinha clientes que moravam na cobertura em Ipanema que atrasavam pagamento e contavam moedas. Qual a dificuldade de valorizar o trabalho do outro?

Se as pessoas que podem pagar mais, pagassem um valor acima dos 12 reais, quem não pode, poderia contribuir com menos. E eu não precisaria trabalhar 4 vezes mais que os meus concorrentes, porque existiria um equilíbrio, uma rede de todos. Mas falar disso é utopia.

Parte 2: empreendedora

Podes contar um pouquinho sobre a história e como funciona o Banana Buffet?
Meus pais sempre trabalharam com eventos. Minha mãe era garçonete até ter que operar o braço e meu pai é DJ. Então eu sempre estive nesse meio. Depois de muitos anos, eles conseguiram montar a empresa deles de eventos e a minha mãe também passou a trabalhar com um rapaz que tinha um buffet. E eu sempre achei muito legal trabalhar com um buffet. Eu fazia uns bicos pra eles de garçonete, recepcionista, ajudante de cozinha, copeira.. E assim eu fui gostando mais e tendo muita vontade de ter a minha própria parada, pra que eu pudesse fazer do meu jeito e ditar as minhas próprias regras.

A primeira delas, no caso, era não trabalhar com nenhuma crueldade animal. Por ser vegana, decidi criar o Banana Buffet (nome que me veio na hora hahaha), como o primeiro buffet vegano no Rio de Janeiro. Só que assim que eu criei o buffet, ninguém me conhecia e ninguém me contratava hahaha. 

Então eu comecei a vender quentinhas pra que me popularizasse mais. Mas não era o meu objetivo, o que queria mesmo era trabalhar só com eventos. Aí no início de 2018, eu me surpreendi com a quantidade de eventos que surgiram pra fazer e o quantos já tinha feito nos anos anteriores. Ali percebi que precisava parar com todas essas "distrações" que fazia só pra que o buffet ficasse conhecido. Foi aí que parei de vender quentinhas e foquei toda a minha energia no que o buffet realmente precisava. A resposta foi imediata, além do retorno que já estava tendo porque as pessoas passaram a enxergar o Banana Buffet, a minha dedicação.


Em ação com o Banana Buffet

Na hora de dar um orçamento, por exemplo, o que precisas levar em conta?
Preciso levar em conta toda a mão de obra de cada membro da equipe, desde funcionários que trabalham comigo antes do dia do evento pra produção de salgadinhos, até garçons e copeiras pro dia do evento. Todo o meu material, todo o dinheiro gasto com frete, o valor que gasto na compra dos insumos, escolhendo os melhores ingredientes, louças... E, claro, a minha mão de obra nesse processo todo. Um evento de pequeno porte eu trabalho cerca de 1 mês, um evento de grande porte pode chegar a 4 meses de antecedência. Muitas pessoas acham que meu trabalho é só comandar a cozinha no dia, mas é muito mais que isso. E muitas pessoas não compreendem o valor final por pessoa do orçamento. Acham caro ou como adoram dizer "desculpe, mas o orçamento tá fora da minha realidade". Eu sempre acho essa resposta muito engraçada. Porque pensa comigo Ju:

⠂A pessoa procura um serviço personalizado de buffet em sua própria residência ou um salão de festas;

⠂Ela quer pagar comida pra todos os convidados;

⠂Ela quer ser uma boa anfitriã, servir tudo do bom e do melhor;

⠂E ela acha no final das contas um preço, por exemplo, de 68 a 79 reais por pessoa, caro.

Geralmente nesse valor tá incluso diversas opções de comida como salgadinhos, mesa de frios, jantar/almoço ou mini degustação, bebidas, sobremesa tal e tal... E ela diz: " está fora da minha realidade". Dá vontade de perguntar, o que que a pessoa tava esperando e sugerir a ela uma experiência:

⠂Vá até um restaurante com os seus 100 convidados

⠂Deixa que se sirvam a vontade, como numa festa.

⠂No final, ela paga a conta de todo mundo, assim como pagaria o buffet

Garanto que vai sair bem mais caro que os meus serviços. E olha que eu levo toda a equipe e estrutura até a casa dela se precisar!! Resumindo: as pessoas não estão nem aí, Ju! Como eu disse, só querem pagar o mais barato e com a maior qualidade.

Como conciliar a preocupação em oferecer um preço acessível e ao mesmo conseguir grana pra pagar próprias contas e ser remunerada de forma justa pelo teu trabalho? 
Nem eu sei como eu faço! Quando eu vendia quentinha me preocupava mais com isso. Mesmo que eu tivesse clientes da Zona Sul que se achavam no direito de atrasar pagamento, meu foco eram as pessoas do Centro, que são de todas as regiões, mas estavam ali a trabalho. 

Então a maioria dos clientes não eram veganos, e muito moravam nos subúrbios e nas baixadas. Como já falei, eu tinha um preço bem mais baixo do que a concorrência porque eu não tinha como competir, eu era peixe pequeno! Mas sem dúvidas eu sempre levantei e levantarei a bandeira da comida acessível. Pra chegar nessas pessoas que só podiam pagar 12 reais numa refeição, eu precisava atender clientes que podiam pagar 30. Paciência.

Já no buffet, a preocupação não é muita, porque um serviço de buffet é um serviço que em geral as pessoas procuram tendo o dinheiro pra gastar. Seja pobre ou podre de rico, se você realmente quer contratar serviços pra fazer a sua festa, você juntou dinheiro, porque sabe que isso tem gastos. Por isso, fico possessa quando tem cliente que mora na Barra achando o orçamento caro. Enquanto tenho clientes de Magé que só perguntam onde assinam.Você tá entendendo, ou tô viajando muito?


Vai um quitute sem exploração humana ou animal aí?

Na tua opinião, o que leva as pessoas a questionarem e criticarem o preço das comidas veganas? Desconhecimento? Preconceito? Ou é uma questão de não poderem arcar com essa despesa mesmo? 
Cada pessoa tem um problema diferente. Tem gente que é chata, tem gente que tá cagando pro mundo, tem gente que é soberba e tem gente que não tem dinheiro. Então todas essas possibilidades podem ser o motivo de uma pessoa criticar o preço de uma comida vegana.

E isso tem muito a ver também com qual referência a pessoa tem de comida vegana. Não a culpo de achar o veganismo caro se ela acompanha a vida da Alana Rox nas redes sociais e acha que veganismo é aquilo. É preciso nós existirmos e resistirmos pra fazer a diferença. Se a pessoa consegue entender que alimentação vegana é simplesmente produtos de origem vegetal, ela vai num sacolão, vai economizar e vai pensar "caramba, é mais barato". E num restaurante de comida à vontade, por exemplo, vai começar a ter noção da variedade de alimentos que pode consumir. 

No geral, Ju, as pessoas dizem que é caro porque elas não querem admitir que estão contribuindo pra crueldade animal. É mais cômodo dizer que levar a vida desse jeito não é viável. Mas eu e você temos consciência de milhares de brasileiros que não podem escolher a própria comida. Os que podem escolher deveriam estar fazendo uma escolha mais consciente pra saúde, pra natureza e pro próprio bolso.

O teu trabalho enquanto cozinheira vegana e empreendedora da área alimentícia paga as tuas contas com folga? Te possibilita um estilo de vida confortável?
Não. Mas muito também porque não estou inteiramente dedicada à gastronomia. Eu também tenho os meus trabalhos como atriz e palhaça, então isso me toma bastante tempo. Eu ganho o suficiente pra ter o básico, diríamos assim. Mas ainda que estivesse trabalhando somente com a gastronomia, não seria fácil. Assim como não é pra diversos amigos que tenho que trabalham dessa forma.

O que entendes por "preço justo" enquanto cozinheira e empreendedora?
Preço justo é aquele que você valoriza a mão de obra de quem fez. Poderia completar a frase dizendo que "e que também seja confortável pra quem tá pagando". Sinceramente? Não é não. Porque se um produto custa 70 reais e você acha caro, é porque talvez não dê pra você comprar mesmo. Não significa que o produto tá hiper faturado sabe? Justo é aquele que sempre valoriza quem faz. Se a pessoa mete a mão no preço, já é outra história.

Há formas de os pequenos empreendedores de comida vegana baixarem os preços sem afetar o valor pago pela sua mão de obra? Exemplo: diminuir os custos dos ingredientes...
Sim, claro, mas ainda assim depende muito da demanda e da logística de trabalho. Por exemplo: se comprarmos em grandes quantidades e em locais que vendem por atacado, geralmente economizamos e assim podemos abaixar o preço dos nossos produtos. Só que se você é sozinha, não tem capital de giro pra comprar em grandes quantidades e nem carro pra trazer todos os insumos, não é a menor vantagem correr atrás disso. Os pequenos empreendedores são meio incompreendidos. Nem sempre quando as pessoas veem o preço de algo pensa no trabalho que deu. Só pensa em si mesmo e no próprio dinheiro. 

Trabalhar com comida vegana significa ter custos maiores do que cozinheiros que trabalham com alimentos de origem animal?
Não necessariamente. Se eu fizer pratos todos a bases de ingredientes caros, então vai ficar caro. Palmito, cogumelos, linguiça e queijo vegano industrializado... e por aí vai! Eu, por exemplo, não tinha custos maiores. Quando vendia quentinha, trabalhava com o que tinha no sacolão. Até porque aqui na favela nunca que terá cogumelos hahahahhaa. Então era trabalhar com os ingredientes regionais da favela que eram só legumes e verduras. O restante do prato era completado com os grãos e cereais do mercadinho.

Consegues comprar insumos orgânicos pro Banana Buffet?
Infelizmente ainda não! Alguns insumos (como temperos e verduras) até consigo, mas não dá nem pra dizer que o buffet é 10% orgânico. É bem fora da minha logística. Talvez se a cozinha do meu buffet fosse na Zona Sul, hoje eu conseguiria fazer isso. Mas eu tenho um plano a longo prazo. A meta é que daqui a uns 20 anos eu tenha um terreno que eu possa plantar todos os meus insumos, mas eu teria que ter bastante dinheiro pra isso, porque o terreno teria que ser bem grande e exigiria muitas pessoas cuidando.

O que responder para os clientes que reclamam dos preços e dizem que o veganismo ainda é elitista?
Você quer que eu seja sincera? hahaha Bem, se a pessoa for gente como a gente, eu tenho paciência pra explicar muitas coisas e quebrar muitos mitos. Agora, se a pessoa for um playboyzinho, eu respiro beeeeeeeeeem fundo e às vezes sou meio irônica. Eu tô ficando bem antissocial já, Ju. Então assim, só pobre que fala comigo mesmo. De um modo geral, meu diálogo com pessoas que acham que o veganismo é elitista é através do blog, das minhas postagens no Insta, das entrevistas que dou por aí. As pessoas vão por si mesmo catando informações. Porque tesão mesmo no ativismo só tenho quando se trata do meu povo.